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sexta-feira, fevereiro 22, 2013

DIREITO DE RESPOSTA



Publicado em "O Jornal de Estarreja" de 22.02.2013

O PS de Estarreja entendeu rever-se numa posição por mim assumida há algum tempo atrás, sobre a  malfadada lei nº 11-A/2013, tendo o JE publicado, a seu pedido,  na sua edição de 08 . 02, um artigo em que deu a conhecer parte do que escrevi sobre o assunto, em 30/01/2013.
Ora, na edição seguinte, a última, o PSD local vem tecer uma série de considerações sobre o assunto em jeito de resposta, não ao comunicado do PS mas  à minha posição sobre este assunto, de uma forma que classificarei apenas de gratuita, porque quero manter a boa educação que me ensinaram a ter. Muito me honra a distinção que me foi dada pelo PSD, sinal de que o que digo tem algum sentido (ninguém perde tempo com coisas banais) mas, como fui visado nesse texto, sinto-me no direito de esclarecer alguns pontos, para que não restem quaisquer dúvidas sobre isto.
 1 – Pouco me importa que tenha sido o PS, o PSD ou a CDU a propor à Troika a inclusão do assunto no Memorando de Entendimento. Quem leu o Memorando não encontrará nele nenhuma referência a que a reorganização territorial seja feita nos moldes em que foi. O que é facto é que foi a coligação que hoje governa o país que tomou a deliberação de perpetrar este crime, criando e aprovando a lei, enviando-a  ao Sr. presidente da república, que também a promulgou. Todos os deputados da oposição votaram contra e  os da maioria a favor, mesmo sabendo que a maior parte do país estava contra a reforma nestes moldes, nomeadamente a ANM, a ANAFRE e centenas de juntas e assembleias de freguesia, tal como diversas Câmaras e Assembleias Municipais. Bastaria que tivessem votado igualmente contra, e a lei não teria passado.  Esta é a realidade por todos  conhecida, daí que tentar sacudir a água do capote, nesta altura, fica mal, convenhamos.
2 – Fui, de facto, militante do PPD/ PSD durante muitos anos e contribuí activamente para inúmeros sucessos eleitorais do partido – provavelmente muito mais do que muitos que hoje ocupam cargos de destaque nos órgãos do partido. Não me arrependo disso porque me revia nos programas eleitorais dos candidatos e acreditei na sua capacidade de os executar. Entendi desvincular-me oficialmente do partido quando os seus líderes deixaram de merecer a minha confiança. No entanto, como independente, continuei a vestir a camisola do PSD durante vários anos, mas circunscrito apenas à actividade autárquica. Em 2008, após cerca de 7 anos de sucessivas queixas da junta de Canelas  sobre a (visível) falta de apoio da CME para com esta freguesia, e da ausência de qualquer obra marcante, apresentei a demissão do cargo de presidente da assembleia de freguesia, como forma de solidariedade para com o executivo e ao mesmo tempo, em protesto pela política seguida pela CME para com a freguesia de Canelas nestes últimos anos.  Enquanto autarca, sempre me preocupei – e preocupo – com o desenvolvimento da minha freguesia e não com a bandeira de qualquer partido.
Não me fiquei pelas palavras – à semelhança de outros -  e  construí um programa sério, objectivo e necessário para esta freguesia, e reuni uma equipa capaz de o realizar. Apresentei-o  em 2009, mas que não mereceu a aprovação da maioria do povo. Respeito e respeitarei sempre essa decisão e registo com agrado o resultado obtido e o número de pessoas que acreditaram nessa equipa e nesse projecto – e foram muitos!. Registo igualmente a dignidade com que esse grupo de gente lidou com o chorrilho de mentiras distribuídas de porta em  porta e com o insulto gratuito que também foi apanágio dessa campanha eleitoral.
Estou de consciência tranquila pois fiz o que tinha de fazer.
De facto, é bom que a memória não seja curta, ou pelo menos não tão curta que faça esquecer as críticas à forma de actuação da CME – algumas veementes – dos presidentes de junta entrevistados em 2008 / 2009 pelo JE, mas que depois resultaram no que sabemos. Será isso o tal orgulho de não ter uma postura de seguidismo acéfalo em relação a quem nos governa (a nível local ou nacional)? Ou será esse o tal código genético do PSD?
É que hoje as queixas da falta de apoio, neste mandato, continuam e são ainda mais severas! E estão em Acta. É só consultar.
3 – Voltando à história da fusão das freguesias, é precisamente por o PSD local (juntamente com todos os órgãos autárquicos do concelho) ter assumido uma posição contra que faz todo o sentido a não apresentação de qualquer candidato. Ou toda a gente fala mas na hora de agir fica tudo na mesma?
Ficamos todos tranquilos, à sombra de 2 ou 3 Moções enviadas ao governo - que não resultaram em coisa nenhuma - e agora voltamos a dar a cara por esses partidos que reduziram o concelho a 5 freguesias? E dizem que não é seguidismo político? É então o quê?
Ou seja: são contra mas acabam todos sentados à mesma mesa, a comer do mesmo repasto e o povo que se amanhe!  Infelizmente já nos habituámos a isso e a muito mais.
De facto, tal como diz o PSD,  é nos momentos difíceis que se deve ter coragem. Coragem para mudar de rumo e não para continuar no caminho do seguidismo político-partidário como se nada fosse, como se a eliminação de 2 freguesias do concelho fosse o acto mais natural deste mundo.
Para a história ficará sempre a realidade e essa é clara, por muito que se queria escamotear: o desaparecimento de Canelas, Fermelã e Veiros como freguesias independentes, ficará indelevelmente ligada à coligação PSD/CDS.
Se o PSD local quer, de facto, demarcar-se da posição do governo – tal como diz - e quer ser coerente e leal para com o povo de Estarreja e para com tudo o que tem dito sobre o assunto, só tem um caminho: passar das palavras à acção.
E se, de facto, como dizem, o que vale são os candidatos, estes só podem sair de cara lavada deste circo apresentando-se  em listas independentes, marcando assim a sua posição perante o que todos consideramos  a mais patética reorganização administrativa do concelho de Estarreja, classificada pela Coligação PPD/PSD - CDS-PP como, e cito, um desvaire de insensatez! Em que ficamos?
Como diz o povo, na sua secular sabedoria, “de paleio está o mundo farto”.