Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Remar contra a maré

Na passada quinta-feira reuniu a Assembleia Municipal de Estarreja, em sessão extraordinária, uma vez mais para discutir a Reforma da Administração Local.
Antes de mais, importa dizer que dos elementos das mesas das Assembleias das freguesias que se encontram no fio da navalha, nem vê-los!
Durante umas penosas 3 horas e meia nada de relevante ali se ouviu acerca do assunto em discussão, que pudesse dar alguma esperança a quem com este assunto se mostra incomodado.
Grande parte do tempo foi gasto nas habituais picardias políticas  entre alguns elementos dos diversos partidos com assento neste órgão autárquico, em prosas estéreis, inúteis e já demasiado gastas, como se o que estivesse em discussão fosse uma qualquer tomada posição sobre o mais banal dos assuntos.
E é triste ver por exemplo que, passados quase 12 anos após Vladimiro Silva ter deixado de exercer as funções de presidente da  Câmara Municipal, ainda é arma de arremesso, à  falta de melhor argumentação!
De facto, pelo que mais uma vez se viu, a fusão de municípios faz todo o sentido, ao contrário da fusão de freguesias;  talvez o nível do debate e  interesse subisse um pouco!
E foi necessário esperar pela segunda parte das intervenções para se ouvir algo com algum sentido sobre o tema em discussão que, curiosamente veio da parte de um autarca de uma freguesia não envolvida neste processo.
No final de tão árdua sessão de trabalho, o que resultou foi a aprovação por unanimidade de uma Moção apresentada pela coligação PSD/CDS (mais uma que,  além de nada trazer de novo, se reveste de total inutilidade para aquilo que se pretende) e uma Proposta apresentada pela CDU, a que o PS se juntou, e que também mereceu a unanimidade dos votantes.
Pois bem, terá sido esta Proposta a única coisa válida ali produzida, uma vez que abriu caminho para a criação de uma Comissão Permanente de Acompanhamento do Processo da Agregação de Freguesias em que estão envolvidas as de Canelas, Fermelã, Veiros e Beduído.
É certo que essa Comissão deveria ter sido formada logo no início deste processo mas, pelo que ali se ouviu, toda a gente está cansada de tanto ter feito para que esta parvoíce da fusão de freguesias vá por diante. 
Importa dizer a quem insiste em levar por diante esta reforma que as Assembleias de Freguesia e Municipais são órgãos eleitos democraticamente e com igual legitimidade para emitir e fazer prevalecer os seus pareceres como o sr. ministro Relvas -  cujo imbróglio curricular lhe retira até parte da legitimidade que deveria ter - pelo que, se estes órgãos, em representação de quem os elegeu, se manifestam contra, há que repensar e mudar de caminho.
É que nem sequer estamos a falar de redução de custos/despesas do Estado - veja-se que aqui em Estarreja são as freguesias mais pequenas,  cujos orçamentos são pouco mais que insignificantes, que estão na calha para se agregarem.
Aceita-se a reorganização mas, de livre vontade das populações e devidamente preparada. Jamais segundo e seguindo a trapalhada que é visível desde o início.
A nível local, o desafio é de que, por uma vez, se deixem as disputas partidárias, e todos se unam em torno desse objectivo comum de manter as 7 freguesias do concelho de Estarreja e, além de tudo, se desenhem e apresentem formas de o conseguir. 




1 comentário:

Anónimo disse...

Infelizmente eles sabem que estão a lidar com uma generalidade de amorfos incultos e analfabetos políticos que nem para defender os seus direitos se mobilizam a sério. Sabendo também que no dia das eleições até podem apresentar um cão de calças que desde que leve o apoio laranja ganham nas calmas. Por isso, perdem o seu tempo os poucos esclarecidos que ainda tentam remar contra a maré desta cambada que faz o que quer e ainda lhe sobra tempo para gozar com canelenses, fermelanenses e veirenses. Estes, na sua maioria, gostam e é triste que assim seja, mas é a dura realidade...