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quarta-feira, outubro 17, 2012

ESCLARECIMENTO

Há dias, ouvimos o sr. ministro das finanças dizer que o único propósito por que está no governo é para retribuir ao país o custo enorme que o estado teve com a sua educação (mais ou menos isto).
Confesso que nesse momento pensei que, ou o ministro tinha sido muito burro e tinha chumbado anos a fio,  ou terá tido um qualquer  plano curricular exclusivo. Mesmo assim, esmagar desta forma os contrbuintes a fim de ressarcir o país do gasto com a sua educação parece-me de loucos e deveras preocupante.
Acontece que, de repente, se fez luz acerca do principal manual responsável por tão distinta formação.Estamos a falar de teatro, obviamente:

Um excerto da obra para que se perceba o que atrás se disse: (tradução abaixo):

Colbert  et Mazarin sur la dette publique.

Colbert : Pour trouver de l’argent, il arrive un moment où tripoter ne suffit plus. J’aimerais que Monsieur le surintendant m’explique comment on s’y prend pour dépenser encore quand on est déjà endetté jusqu’au cou…
Mazarin : Quand on est un simple mortel, bien sûr, et qu’on est couvert de dettes, on va en prison. Mais l’Etat… L’Etat, lui, c’est différent. On ne peut pas jeter l’Etat en prison. Alors, il continue, il creuse la dette ! Tous les Etats font ça.
Colbert : Ah oui ? Vous croyez ? Cependant, il nous faut de l’argent. Et comment en trouver quand on a déjà créé tous les impôts imaginables ?
Mazarin : On en crée d’autres.
Colbert : Nous ne pouvons pas taxer les pauvres plus qu’ils ne le sont déjà.
Mazarin : Oui, c’est impossible.
Colbert : Alors, les riches ?
Mazarin : Les riches non plus. Ils ne dépenseraient plus. Un riche qui dépense fait vivre des cen­taines de pauvres.
Colbert : Alors, comment fait-on ?
Mazarin : Colbert, tu raisonnes comme un fromage ! Il y a quantité de gens qui sont entre les deux, ni pauvres ni riches… Des Français qui travaillent, rêvant d’être riches et redoutant d’être pauvres ! C’est ceux-là que nous allons taxer, encore plus, toujours plus ! Ceux-là ! Plus tu leur prends, plus ils travaillent pour compenser… C’est un réservoir inépuisable. »

Tradução:

Colbert e Mazarino sobre a dívida pública

Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:
Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço?
Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente.  Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se! Todos os Estados o fazem!
Colbert: - Ah, sim? Você acha? No entanto precisamos de dinheiro. E como o encontrar quando já foram criados todos os impostos imagináveis?​​
Mazarino: - Criando outros.
Colbert: - Mas não podemos taxar mais os pobres do que eles já estão.
Mazarino: - Sim, é impossível.
Colbert: - E sobre os ricos?
Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: - Então, como faremos?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os dois: nem pobres nem ricos... os Franceses  que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. É  um reservatório inesgotável. 

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