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terça-feira, outubro 09, 2012

A falta de coerência

dos incapazes nunca espantou ninguém. E também nunca incomodou muito pois, como diz o povo, os actos ficam com quem os pratica.
A coisa complica-se quando os incapazes são eleitos ou nomeados para funções de governação e outras a elas ligadas. Aí a incompetência deixa marcas e a falta de coerência pode transformar-se na bandeira da revolta.
- Usando de  ligeireza  ímpar, um  primeiro ministro diz que o ano de 2013 será o ano da recuperação económica. Poucas semanas depois novo pacote de impostos que mais não fará que agravar a recessão.E quantos mais virão?
- Um presidente da república diz na comunicação social que os portugueses estão no limite do seu esforço e apela a que os políticos ouçam a voz do povo. No entanto, continua a viabilizar um governo insensível à degradação social, à pobreza e ao desemprego e que sistematicamente escraviza os contribuintes.
- Um dos elementos da Troika - o FMI -  alerta para o facto de o efeito recessivo da austeridade ser muito superior ao que se julgava (ler aqui), mas  bate palmas às medidas que levam a esse aumento de austeridade.
- Um parceiro de governo - o CDS - que assume que os impostos atingiram o seu limite e um mês depois subscreve um novo pacote, um dos mais, senão o mais brutal da história da democracia portuguesa.
Estamos perante gente para quem os fins justificam todos os meios; gente desvirtuada de carácter e de sentido estado, na sua vertente social; gente que com a mais pura das naturalidades mente descaradamente ao país e ao mundo; gente sem discernimento para outra coisa que não a imputação de novos e mais impostos;
Recentemente o próprio ministro das finanças apelidou as novas medidas de "um aumento brutal de impostos". Minutos antes tinha dito a todos os portugueses que o país estava no bom caminho. É de um cinismo atroz. O país ficaria muito mais tranquilo se ao invés do anunciado aumento brutal de impostos, o sr. ministro tivesse anunciado antes uma redução brutal na despesa pública
No limite extremo da sua capacidade de contribuição, o que os portugueses  exigem, de facto, é um governo com coragem e capacidade para cortar na despesa pública  porque é esse o verdadeiro problema do país: gastar muito mais do que o que lhe é possível. E o que este governo continua a fazer é esmifrar os contribuintes para continuar a patrocinar uma despesa completamente desajustada ao país.
Do presidente da república pouco ou nada se pode esperar. Afinal terá sido ele um dos precursores deste estado de coisas, ao incentivar a não produção através dos subsídios que os seus governos concederam a agricultores, industriais e pescadores, entre outros ( e que vieram a aumentar grandemente os encargos do estado),  para abate de explorações, empresas e frotas pesqueiras.
Do primeiro ministro nada se pode esperar igualmente, cego que está em ser um aluno brilhante da troika, nem que isso signifique pôr a maioria dos portugueses a pão e água.
Resta-nos o Paulo Portas, ou se quisermos, o Paulinho das feiras, dos pobres, dos oprimidos, dos pensionistas, dos indefesos. Onde está agora a sua doutrina?
Será ele também mais um a juntar-se ao grupo dos incoerentes, dos falsos e dos mentirosos, rebdido ao seu salário de ministro, ou fará valer os seus princípios e tirará o tapete a este governo?



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