Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sexta-feira, julho 20, 2012

Com papas e bolos...

Segundo o governo, os portugueses passam a poder deduzir a importância máxima de 250 euros/ano na sua declaração de IRS.
Nada que os contribuintes não desejassem ou, se quisermos, vissem com alguma justiça a fim de os aliviar um pouco da carga de impostos a que têm vindo a ser sujeitos.
Atente-se porém nas entrelinhas de tal "bónus" e, para começar, no tipo de despesas que lhe estão adjacentes: reparações automóveis, restauração, cabeleireiros e alojamento. Veja-se a seguir, que para obter a dedução dos tais 250 euros, um contribuinte terá de efectuar despesas mensais nestas categorias de cerca de 2200 euros!!!
Saberá este governo e o primeiro ministro quantos portugueses, além dos políticos, ganham mais de 3000 euros por mês para se permitirem ter estas despesas? Provavelmente não.
Numa altura em que meio milhão de trabalhadores ganha apenas o salário mínimo e  120.000 menos que isso, percebe-se que a medida do governo vem beneficiar, mais uma vez, os que maiores rendimentos auferem.
De facto, já não há forma de classificar a injustiça social que tem sido a marca deste governo que, enquanto reduz a dedução das despesas de saúde e educação, introduz benefícios nas despesas de cabeleireiros e restaurantes. Nunca visto!
E o país assiste - na bancada - a mais esta manobra de diversão.

sexta-feira, julho 13, 2012

A comédia continua

Assistiu-se ontem nos paços do concelho de Estarreja a mais um acto da tragi-comédia "Reorganização Administrativa do Território".
Após 3 horas de uma discussão de coisa nenhuma, a Assembleia Municipal aprovou por unanimidade uma moção contra a eliminação de qualquer freguesia do concelho.
Para quem assistiu e se sente preocupado com o assunto, a discussão em torno do assunto - se assim se pode chamar - soube a pouco. Afinal, foram precisas 3 horas de "debate" numa sala horrivelmente quente para nada mais se perceber que, quer Assembleia Municipal, quer a Câmara Municipal continuam a assobiar para o lado no que ao assunto diz respeito.
Pese embora todos os pareceres, moções e  reuniões feitas até ao momento, a única conclusão que delas se conhece é que "somos contra" e vamos esperar sentados e à sombra o que vai acontecer, ou seja, o que a Comissão Técnica designada para o efeito pelo governo, vai decidir para Estarreja.
Houve, de facto, um tempo de análise do que o governo pretendia fazer, e terá sido  esse o tempo de bater o pé e fazer chegar aos grupos parlamentares da Assembleia da República todas as moções, protestos e pareceres que alertassem para a verdadeira e inclassificável barbaridade que o projecto-lei sobre a Reorganização Administrativa representava para os cidadãos.
E terá sido  esse o tempo de impedir, por todos os meios possíveis e imagináveis, que o dito projecto-lei fosse convertido em lei.
Ora, a este respeito não me parece que, quer em Estarreja, quer pelo país fora, tivesse sido feito algo suficientemente capaz de demover o governo de continuar com esta brutalidade (pelo menos nada foi noiticiado, além de um ajuntamento promovido pela ANMP).
E eis que estamos agora, todos, perante um facto consumado: a lei aí está e vai, com toda a certeza, ser aplicada de uma maneira ou de outra, com esta ou aquela nuance, à risca ou um pouco mais ao lado.
O país e o concelho vão estar suspensos até 12 de Outubro - data em que as Assembleias Municipais devem entregar as  suas propostas de reorganização.
Findo esse prazo, e nos casos como o de Estarreja,  em que não há nenhuma proposta de reorganização vinda da Assembleia Municipal, caberá à Comissão Técnica pegar na faca e no queijo e cortar por onde bem lhe apetecer, e oferecer à Assembleia da República a fatia que daí resultar para que esta a aprove em definitivo.
E a história é esta. Uma história que se conta à boca fechada e que entala claramente a maior parte dos autarcas do país -  na sua maioria da mesma cor partidária deste governo -  que se limitam a dizer que estão contra, como se isso, dito desta maneira, quase entre dentes  e dentro de portas,  fosse a solução para coisa alguma.
E, quando se pergunta até onde estão a Assembleia Municipal e a Câmara dispostas a ir para defender as suas freguesias, a resposta não podia ser mais clara: aprova-se uma moção a dizer que somos contra e vamos esperar a ver o que acontece.
E a partir daqui, vamos todos de férias porque quando viermos ainda temos tempo de ver onde param as modas, e depois se verá o que fazer. Deve estar em acta.
A Assembleia Municipal está no seu direito - e bem -  de não emitir oficialmente qualquer projecto de reorganização mas exigia-se,  no mínimo, a preparação de uma proposta alternativa ao que quer que nos venha a ser imposto, por forma de, conhecida a sorte, poder contrapor  e assim minimizar  o impacto que possa vir a ter no concelho  tal abjecta lei.
Da sua aplicação  ao município de Estarreja, diz-se que resulta a eliminação de 2 freguesias. O nome delas permanece no segredo dos deuses até que a tal Comissão Técnica venha dizer quais são. Uma comissão que será composta por elementos que provavelmente nem saberão onde fica Estarreja mas que nos vão retirar um direito que nos está no sangue, que nos une à terra onde nascemos e que faz com que, com orgulho possamos dizer que somos de Pardilhó, Avanca, Canelas ou Salreu, terras que nos acolheram e que os nossos antepassados  souberam honrar, respeitar e preservar, e nos legaram.
Incomoda a este governo o custo da nossa identidade com a terra que nos viu nascer, ainda que isso não tenha qualquer representatividade no que diz respeito ao corte da despesa pública, provado como está o insignificante peso económico que as freguesias têm no orçamento do Estado.
Ora, não sendo a razão económica o suporte para tal abjecto propósito - e nem essa o justificaria jamais! -  só um problema de perigosa sanidade mental poderá ser o pilar que o suporta. O reflexo do encerramento de diversos "S. Bernardos" por esse país fora tem os seus reflexos: uns acabam mesmo por chegar ao governo e dão largas à sua fértil imaginação para divertimento próprio.
Para terminar este périplo pelos meandros das tais 3 horas, na dita sala/sauna, uma frase que gostaria de ter rebatido na hora mas as regras da Assembleia não o permitem (e mesmo assim, louve-se a atenção do sr. presidente da mesa ao conferir oportunidade ao público presente de intervir por 5 minutos, numa sessão em que tal não está regulamentarmente previsto).
Disse o sr. presidente da Câmara que hoje custa muito ser português mas custa muito mais ser autarca (já o tinha dito mais algumas vezes em outros locais, como se estivesse a carregar um fardo).
De facto, tem toda a razão, muito embora português ninguém escolhe ser e autarca só é quem quer. E é esta "pequena diferença" que muitas vezes faz a diferença.





sábado, julho 07, 2012

Finalmente

A Câmara Municipal de Estarreja emitiu (finalmente!) o seu Parecer sobre a Reorganização Administrativa do Território. Legalmente, não teria de o fazer, tal como se refere, logo de início, no dito Parecer - e é verdade. Mas, se legalmente a edilidade não se sentiu na obrigação de dizer de sua justiça sobre o assunto, já o mesmo se não pode dizer do dever de uma câmara -  que se diz estar atenta e preocupada de forma igual com todas as 7 freguesias do concelho.
Mude ou não o mapa concelhio, caberá sempre à Câmara Municipal a sua administração, como órgão executivo que é, e não lhe será certamente indiferente assistir ao desaparecimento de alguma das suas freguesias.
Pois bem; saúda-se o aparecimento do tal parecer - mesmo que tardio e nada diga que possa tranquilizar as gentes do concelho.
De facto, enquanto as diversas Assembleias de Freguesia foram mostrando grande preocupação com este assunto - que resultou na emissão de pareceres, moções e pedidos de esclarecimento à Câmara, - esta foi passando ao lado do assunto, deixando as juntas e assembleias completamente isoladas e à deriva, reservando  a sua posição oficial para uma altura pós-publicação da lei.
No geral, o tal Parecer pouco ou nada diz, uma vez que se centra na discordância da aplicação da lei ao município de Estarreja. 
Contra esta tremenda parvoíce estamos todos, certamente, e não sendo isso novidade nem conferindo qualquer direito de imunidade ao concelho,  de pouco ou nada servirá este Parecer, tanto mais tardio como foi. Houve tempo para pareceres, moções e outras formas de manifestação de desacordo mas, como disse atrás, foram tomadas em exclusivo e de uma forma isolada pelas diversas Assembleias de Freguesia, perdendo assim qualquer peso que pudessem ter junto do governo, antes da transformação do projecto em Lei.
Contudo, a situação mais preocupante que emana deste documento, tem a ver com algo que a Câmara parece saber,  que ainda não quis explicar, e que é do desconhecimento geral e se relaciona com o facto de  que "para Estarreja está prevista a redução de 2 das 7 freguesias, passando de 7 para 5."
Não sendo isto que emana do enquadramento  da lei 22/2012 de 30 de Maio e da sua aplicação ao concelho de Estarreja, há aqui algo por explicar. E, mesmo  dando o benefício da dúvida, inerente à classificação dos lugares urbanos, não me parece que, caso avance a tal reorganização, o concelho de Estarreja se fique pela redução de apenas duas freguesias. Mas, se ficar, importa saber então quais são elas e em que moldes se dará a fusão.  E isto a Câmara parece saber e inexplicavelmente não diz.
O que é deveras interessante é que, num breve exercício de olhar o concelho como se estivéssemos umas centenas de metros acima do solo, vemos  a "malta", na sua generalidade,  entretida com o seu próprio divertimento. Ele é tasquinhas em Salreu, tasquinhas em Pardilhó, tasquinhas em Canelas, carnavais em Julho, inaugurações, espectáculos, etc.
Estou certo que esta reforma, a ser levada por diante, levará mais  cedo ou mais tarde a uma reorganização no contexto religioso com a eliminação das paróquias que deixem de ser freguesias. Talvez nessa altura o povo, agora completamente despreocupado com estas coisas, perceba que o facto de se manter afastado daquilo que deveria ser tido como o mais importante,  traçou o seu próprio destino.

SUGESTÃO DE FIM DE SEMANA

O Parque Temático Molinológico de Ul, Oliveira de Azeméis, aqui a dois passos, costitui uma interessante oportunidade de contacto com um passado ligado à arte da moagem e da transformação dos cereais que foi, durante muitos anos, uma das principais formas de subsistência para as gentes de Ul e arredores.
O Parque é  composto por 15 moinhos, agrupados em 3 núcleos - o da Ponte da Igreja, o da Azevinheira e o do Crasto - impecavelmente recuperados pela Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, num exemplo inegável de bom gosto e sentido de oportunidade que resultou na recuperação desse passado tão fabuloso quanto árduo.
No primeiro núcleo,  um interessante espaço museológico preserva e honra a história escrita durante cerca de dois séculos, e testemunha a vida dura, rasgada por mãos ásperas que durante décadas souberam  moldar o destino desta gente.
Também neste núcleo  pode assistir-se à moagem e ao fabrico de pão e regueifas em forno a lenha, no total respeito pelos mais puros métodos artesanais, podendo o visitante adquirir estas verdadeiras e raras delícias.
Um bar e um parque de merendas completam a oferta para uma bela tarde onde o passado se funde agradavelmente com o presente.
Um percurso pedestre, de cerca de três quilómetros e de fácil acesso, permite visitar todos os moinhos que fazem parte deste belíssimo Parque.
Como referência para ponto de partida, o largo da igreja de UL (o núcleo principal - o da ponte da igreja - fica a cerca de 200 metros).
E assim fica a sugestão....
Mais informações [aqui].

sexta-feira, julho 06, 2012

Procissão

Imagens da procissão em honra de Santo António e S. Tomé