Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quinta-feira, maio 31, 2012

AFINAL ERA A SÉRIO

Continua na ordem do dia a questão da redução de freguesias. 
Aqui por Estarreja, o desnorte é total, um pouco à semelhança do resto do país. As  juntas e assembleias de freguesia deram provas de não querer levar isto a sério e limitaram-se a redigir umas moções contra a reorganização territorial, sem perceberem que após a publicação da  lei, o que veio a acontecer ontem, não terão tempo para coisa nenhuma.
Incompreensível é o papel da Câmara Municipal, ela que deveria ser a timoneira deste processo, colaborando com as juntas e assembleias na definição de um projecto o menos lesivo possível para o concelho.
Percebe-se porque não o faz. É que patrocinar uns passeios na ria ou a uma qualquer quinta de baile e caldo verde traz votos - ou pelo menos mantém-os - enquanto que projectar o novo mapa administrativo do concelho poderá ter um resultado inverso.
Acredito que não haja uma só alma no concelho que aceite de bom grado a estapafúrdia medida que em Estarreja vai levar à extinção de 3 ou 4 freguesias.Contudo, este assobiar para o lado por parte da CM nada mais é que política traiçoeira.
É certo que cabe à Assembleia Municipal a apresentação do projecto de reestruturação do concelho, mas nele se exige a participação de todos aqueles que aqui têm responsabilidades políticas. Daí que deveria ser a CM, como órgão máximo de gestão concelhia,  a primeira a chamar a si a responsabilidade de coordenar o que quer que venha a ser feito no concelho. Mas nada! Não se lhe ouve a voz.
Aliás, passados quase 3 anos sobre o último acto eleitoral para as autarquias, e volvidas mais de uma dúzia de sessões da Assembleia de Freguesia,  esta terra de Canelas, do concelho de Estarreja, não foi merecedora da presença do Sr. presidente da Câmara ou do sr vereador das  Freguesias numa única sessão daquele órgão, o que espelha bem a importância e o interesse que esta freguesia lhes merecem. Nada de espantar, obviamente, e disso só se pode queixar quem na verdade sente preocupação pelo futuro desta terra e procura acompanhar o que por aqui se (não) faz.
Também já aqui referi anteriormente que o caminho lógico e útil nesta trapalhada administrativa passaria pela fusão de municípios e não de freguesias, ou  não são os municípios que estão atolados em dívidas, algumas delas astronómicas? 
Dívidas, contraídas muitas vezes sem que se vejam obras de verdadeiro interesse público, e que governo e municípios entenderam  ser os cidadãos a pagar através da aplicação de taxas máximas do IMI, água, saneamento, lixo, etc.
Julgo que as assembleias de freguesia, ao se concentrarem na redacção de moções contra a fusão de freguesias, acabaram por perder uma oportunidade única de propôr   a redução de municípios.
Nada chocaria que por exemplo a fusão das  Câmaras de Estarreja e Murtosa, Albergaria e Estarreja, Estarreja e Ovar ou  Murtosa e Ovar, dando assim origem a novos  concelhos com claros benefícios económicos.
Este sim,  deveria ser o caminho a seguir. Manter-se-ia inalterada a identidade das freguesias, respeitando todos os aspectos socio-culturais dos seus cidadãos, além de se eliminar a causa raíz de despesas avultadas, fruto de gestões irresponsáveis e desgovernadas.
Só que mexer nas Câmaras é mexer em peixe graúdo e isso é complicado demais para que haja coragem política para o fazer (tal como a tão apregoada redução de deputados da Assembleia da República pelos que hoje são governo, quando eram oposição).
E, enquanto o povo puder pagar pelas barbaridades cometidas por governos e câmaras municipais, tá-se bem.

sexta-feira, maio 11, 2012

ATÉ A VERGONHA JÁ SE FOI

"CAVACO SILVA INSATISFEITO COM FALTA DE INVESTIMENTO NA ECONOMIA MARINHA E MARÍTIMA."
Mas não foi ele o percursor do abate de uma significativa parte da nossa frota pesqueira?


"PASSOS COELHO DIZ QUE DESEMPREGO NÃO TEM SE SER ENCARADO COMO NEGATIVO E PODE SER UMA OPORTUNIDADE PARA MUDAR DE VIDA".
Sem dúvida, Sr. primeiro ministro.
Pergunte aos que deixaram de poder pagar as suas casas, ou aos que deixam diariamente os medicamentos por aviar, ou aqueles que começam a ver as mesas vazias na hora das refeições, e a tantos outros que o sr. tem atirado para situações de miséria. Pergunte-lhes o que é mudar de vida... porque oportunidade para isso foi o que o sr. lhes deu.


"ISALTINO MORAIS JÁ NÃO PODE SER CONDENADO POR CORRUPÇÃO NO PROCESSO DAS CONTAS DA SUÍÇA, APESAR DESTE CRIME TER FICADO PROVADO".

Por outro lado, há três ou quatro semanas um jovem foi condenado por piratear 3 músicas na internet...


"BRUXELAS DIZ QUE PORTUGAL FALHA OBJECTIVOS PARA O DÉFICE."

Pior do que sermos esmagados com impostos e medidas de austeridade, que levam ao  empobrecimento da sociedade,  é termos a certeza de que nada disto vai resultar. E o governo continua a mentir aos portugueses desde o tempo em que era oposição.
Há que dizê-lo: as promessas feitas aos portugueses de outras soluções diferentes daquelas estabelecidas no PEC4, apenas serviram ao PSD/CDS para ganhar o poder. Uma vez alcançado, tudo de imediato se inverteu. Numa altura de reconhecida e superior dificuldade, quem se propõe governar deve saber onde se mete e deve, acima de tudo, falar verdade. E este governo mentiu, tal como os anteriores.
Pessoalmente, entendo que a única saída para o país é um Pacto de Estabilidade transversal a todos os partidos políticos, em que o sentido de Estado seja consensual e em nome dele seja desenvolvido um trabalho sério que resulte  em medidas justas, a serem implementadas em 10 anos, sob a vigilância da CE.
Esse deveria ser  o papel dos representantes da CE e não o de nos traçarem o caminho, fazendo do país uma bola de ping pong que jogam a seu belo prazer.
Só os loucos poderão pensar reerguer economicamente um país  cujo erário foi delapidado, das mais variadas formas, ao longo de mais de trinta anos.
Um país pode perder muita coisa mas quando perde a independência, seja ela administrativa, política ou económica, caminha a passos largos para uma morte anunciada. Portugal está, de facto, moribundo e nem sequer tem a capacidade de se governar.