Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quarta-feira, abril 25, 2012


Aqueles que estão na política de uma forma séria saberão sempre reconhecer os que têm valor. Pode estar-se em lados contrários, defender conceitos e princípios tão diferentes como opostos, mas jamais se poderá apagar da história a valentia, a frontalidade, a coragem, a dedicação, a coerência e a força de homens que dão mais do que podem por aquilo em que acreditam. 
Miguel Portas caíu ontem, porque a vida lhe foi roubada. Caíu de pé, como caem os grandes Homens.

sábado, abril 21, 2012

TRETAS

Na próxima quinta-feira, pelas 21h30 haverá  mais uma sessão da Assembleia de Freguesia de Canelas. Do ponto 4 da Ordem de Trabalhos consta a apreciação (e votação, assim se espera) da proposta dos acordos de colaboração da Câmara Municipal de Estarreja para as freguesias.
Esta coisa designada de acordos de colaboração não é outra coisa que a  pretensa delegação de competências da CME nas juntas de freguesia.
Se dos protocolos anteriores a ideia é péssima já que, além de mal arquitectados, não serviam de forma alguma os interesses da freguesia, o que vai estar em apreciação na próxima quinta-feira é algo que deveria envergonhar qualquer executivo, mas sobre isso falaremos oportunamente.
Há cerca de um ano solicitei a presença do sr. presidente da Câmara aquando da discussão dos protocolos para o corrente ano. Ao que julgo saber, o convite não chegou a ser feito pelo que não me resta outra coisa do que fazê-lo aqui, de uma forma pública.
Desejo e espero que o sr. presidente nos honre com a sua presença.

quarta-feira, abril 18, 2012

OS ASSASSINOS DO POVO

Por diversas vezes se abordou aqui o estado do país porque, como diz o povo, quem não se sente não é filho de boa gente. Uma dessas redacções resultou [neste texto} enviado ao Sr. primeiro ministro.
É facto consumado a miserabilidade económica do país; é óbvio que alguma coisa tinha de ser feita para se começar a inverter o desperdício dos dinheiros públicos e para controlar e fazer regredir  o endividamento do país;  mas é um acto suicida querer recuperar em 2 ou 3 anos o que foi desbaratado em mais de 30, por todos os  governo, sem excepção.
Este (governo) não olha a meios para atingir os fins. Insensível ao encerramento diário de dezenas de empresas, ao aumento do desemprego, ao crescimento gritante do número dos sem-abrigo, à fome que grassa por aí (e que muitas Instituições particulares procuram amenizar), aos doentes que deixam as receitas por aviar, etc, carrega de impostos directos e indirectos uma sociedade em decadência financeira, ao mesmo tempo que lhes retira os apoios sociais que por direito próprio conquistou, através de décadas de vida contributiva.
Um governo que ainda por cima nunca soube dar exemplo, tantos são já os casos de despesas evitáveis e de continuado desperdício, não merece crédito. 
De facto,  este governo, ao invés de desbravar soluções equilibradas para os problemas do  país, tem procurado, com uma gigantesca dose de orgulho próprio, mostrar que está  um passo à frente daquilo que é exigido pelo plano de ajuda externo, obrigando os portugueses - leia-se, classe média - a um esforço maior que o possível.  
É caso para dizer que não se morre da doença para se morrer da cura.
Chegará o dia em que Passos Coelho perceberá que atirou o país para os calabouços da indigência. Provavelmente será tarde demais para inverter o triste  rumo da história.
O país precisa, sem dúvida, de um plano de recuperação económica; não de ser degladiado em jogos de arena,  a belo prazer de um punhado de gente que está a colocar na sociedade portuguesa os grilhões da escravatura.
Como atrás se disse, não se recupera um país de desmandos e desvarios de 30 anos em dois ou três e, pior ainda, deixando impunes e bem de vida. todos os responsáveis.

Nicolau Santos, no Expresso de 6 de Março, escreve em letra de forma aquilo que por aqui tenho escrito em letra menor. 

(Coluna de opinião do Semanário Expresso)                               Nicolau Santos
 Terça-feira, 6 de Março de 2012
Senhor Primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes. Também eu, senhor Primeiro-ministro. Só me apetece rugir!...
O que o Senhor fez, foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País!
Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o déficite é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento.
O déficite já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transaccionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O déficite é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias.
E você é o herdeiro e o filho predilecto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus?
Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excepcional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado.
Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num déficite ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o déficite? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego?O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas! Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto.
Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes (!!!) superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro.
Outro exemplo: as parcerias público-privadas, grande sugadouro das finanças públicas.
Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V. Ex.ª cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal!
Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuína ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio da senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projecto para Portugal. O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter de Berlim.
Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.