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quarta-feira, janeiro 25, 2012

SEM QUE SE PERCEBA

A julgar pela notícia do Expresso, Estarreja fica entre as Câmaras com endividamento excessivo. Diz-se que devido à alteração introduzida no OE para 2012. Não é verdade. Estarreja e as outras Câmaras estão nessa situação de grande endividamento,  por má gestão das Receitas de que dispõem anualmente.
Jamais se poderá apontar o dedo a uma Câmara que pratique com rigor o equilíbrio orçamental - aliás, deveria ser essa uma condição obrigatória, não só para as Câmaras mas para todos os organismos públicos. Não estaria o país no estado miserável em que está, certamente.
Mas, voltando ao tema,  nem é necessário ir muito longe para encontrarmos autarquias cumpridoras e exemplares.
O que não se percebe, à primeira vista, é o motivo pelo qual Estarreja faz parte do lote das 103.
Olhando para o município e para a obra feita, só mesmo  uma péssima gestão pode justificar o endividamento da Câmara, tanto mais que qualquer coisa que tenha sido realizada (mesmo que de utilidade discutível), recebeu em boa parte financiamento estatal ou outro.
Projectos de grande envergadura, ambiciosos, capazes de mudar a imagem do município e atrair gente para estas bandas... nem vê-los!
Somando a isso o total esquecimento da parte sul do concelho que, em termos de orçamento camarário, é como se não existisse, a coisa já começa a ficar preocupante... e valerá a pena perguntar o que anda esta Câmara a fazer  para (provavelmente) terminar um  mandato de 12 anos enterrada em dívidas.
É certo que as contas se fazem no fim mas olhando para trás, a única coisa que se vê é o folclore - esse sim, um símbolo deste concelho.
Folclore espelhado na entrevista do sr. presidente [aqui] que diz que os autarcas não podem hipotecar a vida das gerações futuras... Afinal podem.
O concelho perdeu, há cerca de dois anos, a oportunidade de ter um projecto de desenvolvimento transversal a todo o município, só pelo simples facto de que o mesmo tinha ao leme um homem de um partido com menos aceitação no município.
Fiz parte desse projecto, para mim, apartidário, e disso me orgulho muito mais do que ter sido eleito em listas de gente que pouco ou  nada trouxeram ao município e à minha freguesia.
De facto, muito poucas pessoas neste concelho conseguem ver nas pessoas certas as competências necessárias para virar o concelho não para a ria, que presentemente não nos leva a lado algum,  mas sim para o futuro. É que para isso, teriam de focar a visão um pouco mais longe do que o universo partidário, mas as vistas são demasiado curtas para tal.

2 comentários:

mfc disse...

O endividamento não pode ser olhado de forma isolada.
O importante é se produziu boa obra...!

aisongamonga disse...

Nem mais caro CR. Não existe visão, focalização e capacidade de elaborar projectos integrados de desenvolvimento. Este executivo sempre demonstrou ser um bluff.