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sexta-feira, janeiro 13, 2012

RESTO ZERO

A julgar por [esta entrevista] e para contentamento de todos os Estarrejenses e tranquilidade do próximo presidente da Câmara, no final de 2013, não ficarão facturas por pagar. Acaba-se, finalmente, o velho e estafado argumento de  quem entra, de andar pelo menos um ano a pagar o que os outros deixaram.
De facto, outra coisa não seria de esperar, uma vez que a julgar pelas obras  realizadas ou a realizar e pelo discurso do sr. presidente, nada justifica que fiquem contas por saldar no final do mandato.
Vai a meio a procissão, o mesmo é dizer, mandato, e aqui pela parte sul do concelho, tudo continua na mesma.
Vai-se fazendo umas coisitas, na medida das posses da junta de Freguesia, que tem assumido, tal como as outras do concelho, algumas intervenções acoberto do que convém designar por delegação de competências - protocolos urdidos unilateralmente e sem que, na verdade, cumpram com as regras que lhe são inerentes.
De resto, foi necessário esperar um pouco mais de dois anos para que aqui se visse a primeira intervenção assumida pela CME, constante  nas GOP para 2011:  a beneficiação do caminho do Areal que custará à volta de 40.000 euros, segundo reza a placa da obra mas que transita para 2012.
2011, apenas deu à luz o melhoramento da viela Banda Bingre, intervencionada pela junta, a qual provável e pacientemente aguarda o financiamento da dita.
Motivos de saúde impediram-me de estar presente na última sessão da Assembleia de Freguesia que ocorreu no final do mês de Dezembro e de mostrar, uma vez mais e a quem interesse, os motivos porque já não há paciência para aturar a política camarária que continua a ignorar por completo a existência desta freguesia.
É certo que uma grande parte desta gente passa ao largo de tudo o que se não faz, saíndo à rua apenas para arejar as bandeiras do partido por alturas das eleições.
Esses, provavelmente não mereceriam outro tratamento. Mas há os outros, os que continuam a querer, os que se mostram interessados, os que apresentam propostas diferentes, os que não se conformam com o definhar desta terra, os que, por muito pouco que saibam ou possam, se disponibilizam sem hesitações para defender o que ainda por aqui resta.
Os discursos de circunstância enganam quem enganam, mas enganam, de facto muita gente.
Apregoa-se por aí que Estarreja é referência nisto ou naquilo. Podia de facto ser, se  engenho houvesse para desenvolver projectos com "P" e uma linha orientadora de aplicação do valor da Receita com base no que é prioritário para as 7 freguesias. Referências, em bom rigor, aponta-as o sr. presidente: Albergaria e Mealhada. E direi eu que, se quisermos referenciar um concelho totalmente transfigurado no seu aspecto, bastará olharmos para a vizinha Murtosa e para o investimento conseguido na última década, aplicado com bom gosto e supostamente com Orçamentos bem mais apertados dada a substancial menor dimensão territorial e populacional.
Referência será, provavelmente o desperdício de cerca de 500.000 euros no mamarracho que está a ser feito por cima do Antuã, ferindo uma zona verde e amena da periferia da cidade.
A caminho de mais um final de mandato, resta a esta terra a consolação de que terá contribuído, e muito, para que a situação financeira da Câmara Municipal de Estarreja apresente um saldo marcadamente positivo daqui a cerca de dois anos, tal como é pretensão do sr. presidente. Percebe-se pelo valor do investimento projectado anualmente - já de si ridículo - mas, e sobretudo, porque nem esse por aqui se vê realizado. Como sempre.

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