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sábado, outubro 15, 2011

O FUTURO

As loucuras impensadas e irresponsáveis de lesa-Pátria, cometidas por sucessivos governos -  e por todos conhecidas - desde o retalhar do país com centenas de estradas, auto-estradas, IP's, IC's, etc., passando pelas barbaridades protagonizadas pelo  Sector Empreasarial do Estado (sem esquecer os milionários salários das administrações das EP's e onde se incluem as PPP's), ou pelo financiamento da construção de campos de futebol e outras nulidades sem uma sombra de interesse nacional, ao financiamento desmedido de tudo e de nada, passando ainda pelo apoio à não produção e à não modernização dos sectores agrícola e das pescas e tantas outras, atiraram o país para um endividamento sem precedentes.
Ao longo de muitos anos, o país foi vivendo à sombra de sucessivos empréstimos sem arrepiar caminho no que diz respeito à despesa pública. Além de falido, perdeu o crédito e, do dia para a noite, viu-se confrontado com uma realidade que nunca ninguém quis aceitar.
De facto, nunca foi o povo que viveu acima das suas possibilidades, como por vezes se pretende inferir - e se o fosse, não seria o governo a pagar por isso - mas sim os governos. Os governos é que viveram todos estes anos muito acima das suas possibilidades, e o problema é que é o povo que tem de pagar por isso.
As medidas emanadas do OE para 2012, têm apenas um alcance externo e visam criar alguma confiança para que não sejam negados novos empréstimos. Todos os economistas ou analistas sérios, sabem que neste momento o país não tem forma de cumprir sequer com os seus compromissos internos sem continuar a recorrer ao crédito. Não se pense, por isso, que esta asfixia da classe média vai produzir alguma recuperação económica; antes pelo contrario! 
Ora, deveria o governo perceber que é esta classe o fiel da balança dessa recuperação, pelo que quanto mais a esmaga mais hipotecará a possibiliade de criar  uma dinâmica de crescimento económico que, aliada a um corte substancial na despesa pública,  seria o único meio de evitar a queda no abismo. Parece-me criminoso considerar 1.000€ um salário ou pensão de luxo, para que se lhe retirem os subsídios de Natal e de férias, por exemplo. 
Se os governos anteriores levaram as contas públicas ao estado em que estão, este novo governo mostra uma total incapacidade em perceber como se faz a recuperação do país enveredando por uma política de esmagamento social, sem precedentes, que visa, a qualquer preço, a injecção directa de dinheiro nos cofres do estado, sendo que, a maior parte dele será para continuar a patrocinar o despesismo público, que o próprio (governo) já deu mostras de não querer ou saber  controlar.
As  medidas que visam o aumento da receita são direccionadas, em catadupa, aos mesmos de sempre, pelo que nesta sua cavalgada desenfreada, o governo dispara unicamente contra os menos fortes, sem se importar com as consequências sociais da aplicação das medidas que preconiza. Será este o governo que provocará o colapso da classe média, pelo que  estão lançados os dados para o crescimento de uma  instabilidade social que se adivinha, e cujas consequências são imprevisíveis.

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