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sexta-feira, julho 08, 2011

O resultado está à vista

Na sua edição de hoje (08/07/2011), o Jornal de Estarreja chama à primeira página o resultado dos Censos 2011, referindo, em título, que a população do concelho diminuiu quatro por cento nos últimos 10 anos.
Não será caso único no país, certamente, mas é com toda a certeza um caso a merecer reflexão.
E nada melhor que reler o Sr. presidente da câmara por alturas do final do seu segundo mandato, em plena campanha eleitoral. Atente-se:

Caro Munícipe:
Foram oito anos de desafios e lutas. O resultado está à vista: as obras falam muito mais que mil palavras. Fizemos um esforço redobrado para fazer face aos desafios e para tornar Estarreja uma terra melhor. Temos um concelho agradável para viver e atractivo para pessoas e investidores. 

De facto, o resultado está (agora mais) à vista, muito embora só possa surpreender quem anda distraído. E infelizmente a maior parte da população deste concelho anda completamente distraída, o que não se pode dizer das tais "pessoas e investidores" que, pelos vistos, mudaram de ares.
E, por falar em ares, repare-se, por exemplo,  que até por alturas em que Estarreja era conotada como exemplo de poluição, a sua população cresceu.
Actualmente, pese embora se diga que o cenário mudou, o certo é que o município não conseguiu sequer manter a população, e todas as freguesias perderam habitantes. Importará referir em jeito de comparação que, aqui ao lado,  a Murtosa aumentou a sua população em 12%, o mesmo acontecendo em Ovar e Albergaria, embora estes concelhos em menor percentagem, segundo dados dos últimos Censos.
O que terá então acontecido em Estarreja?  Não se fez obra? Não houve investimento? Não houve projectos?
Obviamente que sim. Fez-se obra, investiu-se, projectou-se, gastou-se dinheiro. Mas o que verdadeiramente faltou aqui foram projectos, obras e investimento no futuro. Como diz o povo, não houve rasgo, e em 10 anos, 12 se quisermos, não fica em Estarreja um único projecto, uma única obra dignos desse nome,  que marquem a diferença e possam ser inequivocamente atractivos para quem aqui pretenda fixar-se. E quando aqui se refere o termo "obra" não se pretende restringir o seu significado a construções de tijolo e betão, mas a tudo o que possa contribuir para o desenvolvimento económico do concelho. 
Sendo este um concelho predominantemente agrícola, o pior erro que se pode cometer será desvirtuá-lo dessa característica. E não é com ideias fixas de virá-lo para a ria, com uns arranjos folclóricos  aqui  e ali e enterrando milhares de euros, sem qualquer retorno,  em zonas que em poucos meses ficam ao completo abandono,  que o concelho cresce. 
O concelho deve virar-se para ele mesmo e para as suas potencialidades e é dever da Câmara desenhar e apoiar projectos que possam galvanizar o sector económico do concelho.
É tempo de se deixar de considerar um feito o alcatroamento de uma rua que antes era de saibro, ou de celebrar a instalação de uma empresa no Eco-parque que garante apenas meia dúzia de postos de trabalho quando se deixam fugir outras que levam atrás de si centenas deles, ou ainda de embandeirar em arco as festas e carnavais que se vão produzindo um pouco por todo o lado à custa do erário público.
A vitalidade de uma terra mede-se pelo crescimento da sua população e não pelas frases feitas em conversas ou eventos de circunstância. E o que é facto é que Estarreja regrediu, como o demonstra o resultado dos Censos deste ano, muito embora pouca gente neste concelho com isso se preocupe. Infelizmente.

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