Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sábado, julho 16, 2011

A DIMENSÃO DO SAQUE

Expresso revela que Passos Coelho admite um desvio de 2,3 mil milhões de euros. Ler [aqui].

A ser verdade estaremos, provavelmente, perante o maior descalabro das contas públicas de que  há memória.
São já habituais as heranças negativas deixadas pelos sucessivos governos do país, muito embora nada se  tenha, até agora, asseemelhado à dimensão deste saque aos conribuintes portugueses. Um saque que para ser resolvido, vem hipotecar por completo  o futuro desta e da próxima geração e limitar seriamente o investimento público. 
Ora, este acto, ou a sucessão deles que estão na génese  desta leviandade têm, na lingua portuguesa, um nome: CRIME. E, não consta que algum desses criminosos (autores efectivos e inequívocamente responsáveis) tenha entretanto falecido, pelo que  o seu lugar deveria ser na prisão, e por longos anos,  não vá acontecer que ainda voltem um dia ao poder.
A reforma da justiça deve começar por aí: mudando as leis que dão imunidade - e não raras vezes premeiam - os bandoleiros que, ao longo de décadas, têm aruinado o país.

domingo, julho 10, 2011

CRISE???

... e andam os parvos da europa e do mundo a meter aqui dinheiro para [isto].
É caso para perguntar  se as medidas da Troika não chegam às Câmaras Municipais e, por outro lado, que moralidade tem o governo para sacrificar cada vez mais os contribuintes, para depois os municípios andarem a torrar assim, desta e de outras formas similares.

sexta-feira, julho 08, 2011

O resultado está à vista

Na sua edição de hoje (08/07/2011), o Jornal de Estarreja chama à primeira página o resultado dos Censos 2011, referindo, em título, que a população do concelho diminuiu quatro por cento nos últimos 10 anos.
Não será caso único no país, certamente, mas é com toda a certeza um caso a merecer reflexão.
E nada melhor que reler o Sr. presidente da câmara por alturas do final do seu segundo mandato, em plena campanha eleitoral. Atente-se:

Caro Munícipe:
Foram oito anos de desafios e lutas. O resultado está à vista: as obras falam muito mais que mil palavras. Fizemos um esforço redobrado para fazer face aos desafios e para tornar Estarreja uma terra melhor. Temos um concelho agradável para viver e atractivo para pessoas e investidores. 

De facto, o resultado está (agora mais) à vista, muito embora só possa surpreender quem anda distraído. E infelizmente a maior parte da população deste concelho anda completamente distraída, o que não se pode dizer das tais "pessoas e investidores" que, pelos vistos, mudaram de ares.
E, por falar em ares, repare-se, por exemplo,  que até por alturas em que Estarreja era conotada como exemplo de poluição, a sua população cresceu.
Actualmente, pese embora se diga que o cenário mudou, o certo é que o município não conseguiu sequer manter a população, e todas as freguesias perderam habitantes. Importará referir em jeito de comparação que, aqui ao lado,  a Murtosa aumentou a sua população em 12%, o mesmo acontecendo em Ovar e Albergaria, embora estes concelhos em menor percentagem, segundo dados dos últimos Censos.
O que terá então acontecido em Estarreja?  Não se fez obra? Não houve investimento? Não houve projectos?
Obviamente que sim. Fez-se obra, investiu-se, projectou-se, gastou-se dinheiro. Mas o que verdadeiramente faltou aqui foram projectos, obras e investimento no futuro. Como diz o povo, não houve rasgo, e em 10 anos, 12 se quisermos, não fica em Estarreja um único projecto, uma única obra dignos desse nome,  que marquem a diferença e possam ser inequivocamente atractivos para quem aqui pretenda fixar-se. E quando aqui se refere o termo "obra" não se pretende restringir o seu significado a construções de tijolo e betão, mas a tudo o que possa contribuir para o desenvolvimento económico do concelho. 
Sendo este um concelho predominantemente agrícola, o pior erro que se pode cometer será desvirtuá-lo dessa característica. E não é com ideias fixas de virá-lo para a ria, com uns arranjos folclóricos  aqui  e ali e enterrando milhares de euros, sem qualquer retorno,  em zonas que em poucos meses ficam ao completo abandono,  que o concelho cresce. 
O concelho deve virar-se para ele mesmo e para as suas potencialidades e é dever da Câmara desenhar e apoiar projectos que possam galvanizar o sector económico do concelho.
É tempo de se deixar de considerar um feito o alcatroamento de uma rua que antes era de saibro, ou de celebrar a instalação de uma empresa no Eco-parque que garante apenas meia dúzia de postos de trabalho quando se deixam fugir outras que levam atrás de si centenas deles, ou ainda de embandeirar em arco as festas e carnavais que se vão produzindo um pouco por todo o lado à custa do erário público.
A vitalidade de uma terra mede-se pelo crescimento da sua população e não pelas frases feitas em conversas ou eventos de circunstância. E o que é facto é que Estarreja regrediu, como o demonstra o resultado dos Censos deste ano, muito embora pouca gente neste concelho com isso se preocupe. Infelizmente.

segunda-feira, julho 04, 2011

O outro lado

Não fui eu que escrevi mas subscrevo, apesar do respeito que me merece a perda de uma vida.
Angélico Vieira não resistiu ao brutal acidente de viação que sofreu e acabou de falecer. A geração "Morangos com Açúcar" já tem o seu mártir. 
Para o caso não interessa nada que o carro circulasse na via pública sem seguro, ou que a maioria dos ocupantes não tivesse colocado o cinto de segurança.
Também parece não interessar a ninguém saber a que velocidade ia a viatura ou se condutor  apresentava excesso de álcool ou drogas no sangue. Ninguém falou disso. A comunicação social em peso preferiu a exploração do efeito emocional e ficou por aí. 
Mais ou menos na mesma altura morreu o empresário Salvador Caetano. É verdade que o senhor tinha 85 anos e estava doente, mas a histeria mediática à volta do desaparecimento do jovem artista Angélico Vieira, por contraste com a discrição da notícia da morte do empresário nos órgãos de informação
dá-nos um excelente retrato da ordem de valores da sociedade actual. 
Por aqui se vê que um jovem cantor e actor é muito mais importante do que um homem que subiu na vida a pulso, construiu um império industrial, contribuiu para a produção da riqueza nacional e deu emprego a milhares de pessoas. 
Por aqui se vê que para muita gente é mais importante uma novela de duvidosa qualidade, com adolescentes, do que construir fábricas, criar empregos no país e dar pão a inúmeras famílias. 
Apesar de tudo entendo muito bem a reacção dos adolescentes neste caso. A culpa desta inversão de valores nem sequer é deles. É da geração anterior, dos pais, que os educaram assim. Para a diversão e não para o trabalho.

(Recebido por mail ).