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sexta-feira, junho 03, 2011

A campanha eleitoral

que hoje (finalmente) termina, custará ao país, pelo menos 6,7 milhões de euros. Coisa pouca, se pensarmos que a campanha para a eleição similar de 2009, custou aos cofres do estado/contribuintes   qualquer coisa como 15 milhões de euros.
O certo é que torrados os tais 6,7 milhões de euros, o que fica são apenas insultos de um lado e de outro, sem que se tenha dado a conhecer qualquer linha de orientação governativa.
Sabe-se que qualquer que seja o governo, terá estendidos os carris marca CE/BCE/FMI para os próximos dois mandatos, pelo menos, daí que não se perceba a euforia.
No entanto, aos eleitores, ser-lhes-ia devida a apresentação de algumas linhas de orientação que viessem minimizar o impacto das duras medidas que irão ser uma realidade já a partir do próximo mês.
Nenhum partido o fez até ao momento, e a campanha mais não tem servido  para outra coisa senão para o país assistir a uma espécie de divertimento contínuo, e a tiradas mais ou menos infelizes dos principais líderes partidários.
O país vive um clima de festa e  euforia, sem parar para pensar que esta gente nada tem para oferecer além de conversa fiada. Tudo se passa com a maior das normalidades, como se o país não dependesse dos milhões que aí vêm e como se se visse alguma forma de os pagar dentro ou fora dos prazos estipulados.
O que se passou nesta campanha eleitoral é bem o sinal de que a crise e a austeridade não é para todos.

5 RAZÕES PARA UM VOTO EM BRANCO

1 - PS - Jamais poderia aceitar uma recandidatura ao cargo de primeiro ministro de uma pessoa que falhou - em toda a linha - as promessas eleitorais anteriores, desde o aumento (150.000) de postos de trabalho, ao controlo do déficit, passando pela diminuição da despesa pública ou pela racionalização dos orçamentos, redução de impostos, ou ainda pela melhoria do ensino ou da justiça. Nada! Temos hoje mais desemprego, mais impostos, um déficit incontrolado, mais despesa pública, menos justiça, pior ensino, etc.
Diz o ditado que "à mulher de César não basta ser séria, tem também de parecê-lo" e José Sócrates nem o foi nem o pareceu. Basta passar os olhos pela internet  (youtube, por exemplo) para recordar  rodos de episódios de contradições,  arrogância,  mentiras,  descontrolo e descoordenação entre ele e os seus ministros que atestam e testemunham 6 anos de constantes trapalhadas sempre com prejuízo do país. Ficará para a história, e com muito má memória.
A falta de humildade e de vergonha, aliadas à ânsia desmedida de poder - que ele diz ser dos outros - e a uma vaidade tão efémera como estúpida chega a roçar o ridículo.
Apenas o poderão salvar todos aqueles a quem cegamente concedeu o Rendimento Mínimo ou subsídios de desemprego - que têm um efeito gratificante imediato - ao invés da fomentação do emprego que daria sustentabilidade à economia.
2 - PSD - Fez uma péssima campanha. É certo que a maior parte da culpa do estado caótico do país se deve ao governo e a José Sócrates - já não é novidade para ninguém -  mas repeti-lo até à exaustão  todos os dias da campanha demonstra uma estratégia errada e personifica uma vazio de ideias.  O que o país precisava de ouvir era quais os trunfos que o PSD e Passos Coelho têm para relançar a economia, reduzir drasticamente a despesa do estado e definir as prioridades para os próximos anos, sem que isto implique a asfixia dos contribuintes das classes média e média-baixa, já que são estes, infelizmente, os alvos principais do estado-sanguessuga.  Também aqui, nada! Cumprir o acordo com a Troika e ir ainda mais além, mas à custa do sacrifício dos mesmos de sempre é o caminho mais fácil e transmite mais do mesmo: vulgaridade. Não revela arte e engenho e deixa muitas dúvidas. Além disso, Passos Coelho introduziu diversos temas na campanha que são de segunda, terceira ou quarta linha, o que revelou uma falta de focalização nas prioridades do país.
O momento exigia um pré-conhecimento do núcleo duro da equipa que, em caso de vitória, vai acompanhar Passos Coelho, porque também é sabido que um bom líder, se não tiver uma boa equipa não vai a lado algum. E, se o primeiro objectivo a que o PSD se propõe nestas eleições é impedir José Sócrates de voltar a chefiar o governo, como disse Ferreira Leite (que não veio trazer nada à campanha), o caminho teria de ter passado forçosamente por um acordo pré-eleitoral com o CDS. Não foi feito e o PSD corre o risco de não conseguir esse objectivo. A estratégia da campanha não convenceu, portanto.
3 - CDS - Não se compreende que um dos principais alvos das farpas que Portas foi lançando durante estes 15 dias tivesse sido o PSD.
É completamente impensável que o CDS ganhe as eleições ou por lá fique perto. Só um louco o pensaria. Ganhar mais um, dois ou três deputados também não resolve coisa nenhuma. E não creio que Paulo Portas seja governativamente sociável, dado o seu radicalismo, só comparável a Francisco Louçã, no lado político oposto, obviamente.
Baseou a sua campanha na acusação ao governo de Sócrates e na crítica ao discurso do PSD sem que desse a conhecer as suas linhas de força para a recuperação económica do país - porque tem de ser esse o primeiro e principal enfoque do novo governo, sob pena de se caír no incumprimento das obrigações assumidas pelo estado português.
Além disso, os casos Moderna, Braga Gonçalves, as fotocópias e a polémica compra dos submarinos na sua passagem pelo XV governo constitucional não são o seu melhor abono...
4 - BE - Apesar de considerar o líder do Bloco um dos políticos mais inteligentes da actualidade, de lhe reconhecer um domínio extraordinário de diversos dossiers e a fantástica memória cronológica dos momentos marcantes da política nacional, o seu radical extremismo choca de frente com conceitos e princípios  que mantenho.
Durante a campanha, Louçã apontou as armas contra o memorando da Troika sem, no entanto,  explicar como pode o país sobreviver nos próximos tempos sem a ajuda negociada. Quinze dias de fogo-de-artifício e nada mais. O Bloco jamais constituirá uma alternativa, pelo que resta apenas respeitar o espaço  que conseguiu na sociedade política portuguesa.
5 - CDU - Uma ideologia ultrapassada, sem ideias, cansada e por isso em queda,   a necessitar de uma revisão/actualização dos seus conceitos políticos. Jamais a tipologia do eleitorado nacional lhe concederá a veleidade de ser governo ou de nele participar,  pelo que o objectivo será apenas o de manter o número de deputados, o que dificilmente acontecerá. Jerónimo foi, nesta campanha, uma mera sombra de um líder do PCP.
Em resumo, no campo de jogo temos apenas e só duas equipas: de um lado o PS e do outro o PSD.
O CDS e o BE julgam-se os árbitros, com poder de influenciar o resultado final e os suplentes não têm qualidade para entrar no jogo.
O PS já mostrou do que é capaz (6 anos são mais que suficientes!); o PSD treinou muito mal e não se lhe conhece a táctica; os árbitros são tendenciosos e querem fazer apenas o jogo que lhes convém, sem se importarem com o resultado final.
Definitivamente não vou participar neste jogo.

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