Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, junho 26, 2011

Chegou o Verão

... e com ele as festas, festarolas, comemorações e celebrações por tudo o que é  canto deste país.
No actual contexto económico de Portugal, deveria ser considerado crime - passível de julgamento  e perda de mandato - o desperdício desenfreado de dinheiros públicos que se praticam neste âmbito por todo o país, e de que Estarreja é flagrante exemplo.
Em nome da cultura torram-se milhares de euros em programas e realizações que mais não são que meros actos de diversão, já que a dita cultura deles anda arredada anos-luz. Por aqui tudo serve para encher programas a que se chamam culturais, assim como quem enche chouriços.
Não fosse o país estar economicamente na completa dependência de terceiros, e até se poderia tolerar alguma desta fantochada. Contudo, numa altura em que o governo se prepara para começar a implementar duras medidas que possam conduzir à desejada recuperação económica do país, medidas essas que, uma vez mais,  cairão sobre os contribuintes, que direito têm os senhores autarcas de perder um único euro que seja em coisas que não o essencial para as populações?
Está claro - ou ainda não? -  que Portugal sobrevive, nesta altura, mercê dos empréstimos e da venda, a qualquer preço, da sua dívida. A hora de se devolver esses milhões e respectivos  juros vai chegar rapidamente, pelo que terá de haver muita seriedade e rigor nos gastos, a fim de que o país arranje a "massa" para que o futuro não seja pior que o presente.
É por isso incomportável que a gestão dos orçamentos municipais e locais continue a ser feita como se o país vivesse no maior dos desafogos financeiros. E depois é ver os senhores presidentes de Câmara gritar contra os cortes das transferências do Estado quando desbaratam milhares e milhares de euros em festas e carnavais. 
No mínimo, deveria o governo impôr, desde já, um limite na inclusão nos Orçamentos, de verbas afectas a operações de teatro que em nada resultam.

sábado, junho 18, 2011

AS COSTUMEIRAS VOZES DO RESTELO

Ainda o novo governo não vestiu sequer o fato, e já as vozes contra ele se levantam. 
De facto, esta é uma das características da lusa mentalidade, derrotista e ávida de protagonismo a qualquer preço.
Eu não votei em Pedro Passos Coelho por razões já antes explicadas, apesar de me parecer o candidato natural à sucessão de Sócrates e, no painel que se apresentou a concurso, o único que poderá mudar um pouco o rumo do país.
É necessário esperar para ver  e, tendo em conta o  quadro herdado, é certo que as dificuldades serão mais que muitas mas não é menos certo  que todas as crises são oportunidades que se abrem para os mais competentes. Veremos. O governo tem, de facto, tudo para mostrar o que vale.
Para já há aspectos positivos evidentes: o governo é curto, o que pressupõe desde já a ideia de rigor na despesa com os ministérios e os habituais saltimbancos ficaram de fora. Surpresa (ou não), a meu ver, foi apenas o facto de Paulo Portas não liderar um ministério mais influente na pretendida recuperação económica do país, como por exemplo o da Agricultura, ele que tanto propalou a necessidade de revitalização deste sector da economia portuguesa.
Pedro Passos Coelho parece querer impôr assim a sua determinação em fazer diferente. A seu tempo veremos se para melhor...

quarta-feira, junho 08, 2011

Sócrates já foi

e a história lembrar-se-á dele, da mesma forma que nós nos lembraremos certamente e por muito tempo, sempre que nos caia em cima qualquer medida resultante do acordo com o FMI/BCE/CE.
De facto, o homem teve tudo para governar bem: uma maioria, impostos directos e indirectos sempre a subir, a cumplicidade do presidente da república e a infinita paciência do povo. Deveria ter sido suficiente. Teve ainda oportunidades de evitar o descalabro total com a aprovação de 3 (!!!) PEC's. Falhou, e o povo não foi mais em cantigas; mandou-o embora. Sócrates deveria saber que quem o elege é quem corre com ele,  e a perda da maioria em 2009 era já um sinal claro de que o seu estado de graça caminhava para o fim.
A sua insistência na recandidatura foi um acto de suicídio político como escrevi [aqui], em 09 de Abril.  Era óbvio.
Não saberemos se o novo governo vai ser melhor mas sabemos que dificilmente poderá ser pior. Ficará para mais tarde esta análise.
Falava de José Sócrates para dizer que na hora da derrota, nos seus derradeiros minutos como protagonista do filme que ele próprio realizou, acabou por ser igual a si próprio: manipulador.
Perdida a glória, o seu discurso, contrariamente às análises que li/ouvi sobre o mesmo, mais não foi que  uma tentativa desesperada de sair com um resquício de honra, que acabou por se transformar num momento penoso, que ele prolongou até ao limite do aceitável.
A hora da derrota jamais deve servir para habilidosas tentativas de manipulação da opinião pública. E foi o que José Sócrates pretendeu, ao fazer um discurso em que provavelmente se esqueceu  (ou confundiu) que estava a falar,  não apenas  para o partido mas para o país inteiro. Discurso esse que  não deveria ter passado dos 2 ou 3 minutos. Bastar-lhe-iam 3 notas breves para saír com alguma dignidade:
1- Chamar a si a responsabilidade (óbvia) do resultado eleitoral - fê-lo e muito bem.
2 - Demitir-se da liderança do PS - fê-lo e muito bem.
3 - Assumir, por inteiro, que não cumpriu com o que prometeu e se propôs fazer.
E foi neste ponto 3 que Sócrates estragou tudo transformando o seu discurso em  mais um momento de hipocrisia tão ao seu jeito, em que procurou vitimizar-se ridiculamente. 
Ao invés de assumir o fracasso da sua gestão de 6 anos,  Sócrates usou da palavra (como mestre que é da oratória) como um verdadeiro estadista que, após ter prestado inegáveis serviços ao país, acaba por ser injustamente afastado de cena. Nada mais falso,  e até o facto de ter optado por recusar qualquer cargo partidário no futuro, para não influenciar nada nem ninguém,  denota a mania da superioridade que foi sempre sua companheira. Tal decisão  deveria ser comunicada aos órgãos partidários, em momento próprio, mas José Sócrates sempre preferiu as luzes da ribalta para ofuscar o conteúdo vão dos seus discursos.
De nada lhe valeu; saíu sem honra nem glória, ao contrário do que pretendia.  Só não perceberam os que ainda estão no estado de hipnose em que ele habilmente os colocou, e que durará apenas e tão só até ao momento do aparecimento de um novo líder. 
A página virou-se.  O novo governo tem até mais e melhores condições para trabalhar bem: uma maioria, um presidente da república da mesma cor, e uma oposição comprometida até dizer chega e que não tem legitimidade para passar o tempo a apontar o dedo gratuitamente, como sucede quase sempre.
Espera-se também que o passado não seja  a referência constante  e justificadora de todas as políticas do novo governo. Seria mau de mais e demonstrativo de falta de capacidade em fazer a diferença.
O primeiro desafio de Passos Coelho será conseguir manter o governo unido e a falar a uma só voz. Conhecendo Paulo Portas como se conhece, dificilmente haverá paz na governação,  pelo que veremos se temos efectivamente um governo para 4 anos...
Uma última nota para referir a afirmação do sr. presidente da república no dia antes das eleições.
Terá razão em dizer que quem se abstém de votar   perde o direito de criticar, na mesma medida em que quem é eleito é obrigado a cumprir com as suas obrigações de bem servir o estado, e a representar condignamente quem os elege. Enquanto tal não acontecer, não nos venha contar anedotas de mau gosto.
Perceba que quem se abstém ou vota em branco manifesta a sua vontade, tal como quem o faz através do X que coloca no quadrado do boletim de voto,  e que  traduz uma posição crítica em relação ao estado da política e aos actuais políticos e, tendo em conta a percentagem da abstenção e de votos brancos deveria - isso sim - a mesma passar a ser tida em linha de conta. 
Caber-lhe-á também a si, sr. presidente, convencer-me a mim e aos outros 148.057 que como eu votaram  em branco, bem como aos três milhões e oitocentos mil que se abstiveram (ainda que este número possa ser realmente inferior) e ainda aos 75.280 que anularam o boletim de voto,  a votar num dos partidos que venham a concorrer ao acto eleitoral de 2015. Vamos a isso!

sábado, junho 04, 2011

ASSEMBLEIA DE VOTO

A Assembleia de voto da freguesia de Canelas, Estarreja, que habitualmente era instalada na   Escola primária,  passa a ser no edifício da Junta de Freguesia, pelo que os cidadãos eleitores que pretendam exercer o seu diteito de voto devem fazê-lo neste novo local.

sexta-feira, junho 03, 2011

A campanha eleitoral

que hoje (finalmente) termina, custará ao país, pelo menos 6,7 milhões de euros. Coisa pouca, se pensarmos que a campanha para a eleição similar de 2009, custou aos cofres do estado/contribuintes   qualquer coisa como 15 milhões de euros.
O certo é que torrados os tais 6,7 milhões de euros, o que fica são apenas insultos de um lado e de outro, sem que se tenha dado a conhecer qualquer linha de orientação governativa.
Sabe-se que qualquer que seja o governo, terá estendidos os carris marca CE/BCE/FMI para os próximos dois mandatos, pelo menos, daí que não se perceba a euforia.
No entanto, aos eleitores, ser-lhes-ia devida a apresentação de algumas linhas de orientação que viessem minimizar o impacto das duras medidas que irão ser uma realidade já a partir do próximo mês.
Nenhum partido o fez até ao momento, e a campanha mais não tem servido  para outra coisa senão para o país assistir a uma espécie de divertimento contínuo, e a tiradas mais ou menos infelizes dos principais líderes partidários.
O país vive um clima de festa e  euforia, sem parar para pensar que esta gente nada tem para oferecer além de conversa fiada. Tudo se passa com a maior das normalidades, como se o país não dependesse dos milhões que aí vêm e como se se visse alguma forma de os pagar dentro ou fora dos prazos estipulados.
O que se passou nesta campanha eleitoral é bem o sinal de que a crise e a austeridade não é para todos.

5 RAZÕES PARA UM VOTO EM BRANCO

1 - PS - Jamais poderia aceitar uma recandidatura ao cargo de primeiro ministro de uma pessoa que falhou - em toda a linha - as promessas eleitorais anteriores, desde o aumento (150.000) de postos de trabalho, ao controlo do déficit, passando pela diminuição da despesa pública ou pela racionalização dos orçamentos, redução de impostos, ou ainda pela melhoria do ensino ou da justiça. Nada! Temos hoje mais desemprego, mais impostos, um déficit incontrolado, mais despesa pública, menos justiça, pior ensino, etc.
Diz o ditado que "à mulher de César não basta ser séria, tem também de parecê-lo" e José Sócrates nem o foi nem o pareceu. Basta passar os olhos pela internet  (youtube, por exemplo) para recordar  rodos de episódios de contradições,  arrogância,  mentiras,  descontrolo e descoordenação entre ele e os seus ministros que atestam e testemunham 6 anos de constantes trapalhadas sempre com prejuízo do país. Ficará para a história, e com muito má memória.
A falta de humildade e de vergonha, aliadas à ânsia desmedida de poder - que ele diz ser dos outros - e a uma vaidade tão efémera como estúpida chega a roçar o ridículo.
Apenas o poderão salvar todos aqueles a quem cegamente concedeu o Rendimento Mínimo ou subsídios de desemprego - que têm um efeito gratificante imediato - ao invés da fomentação do emprego que daria sustentabilidade à economia.
2 - PSD - Fez uma péssima campanha. É certo que a maior parte da culpa do estado caótico do país se deve ao governo e a José Sócrates - já não é novidade para ninguém -  mas repeti-lo até à exaustão  todos os dias da campanha demonstra uma estratégia errada e personifica uma vazio de ideias.  O que o país precisava de ouvir era quais os trunfos que o PSD e Passos Coelho têm para relançar a economia, reduzir drasticamente a despesa do estado e definir as prioridades para os próximos anos, sem que isto implique a asfixia dos contribuintes das classes média e média-baixa, já que são estes, infelizmente, os alvos principais do estado-sanguessuga.  Também aqui, nada! Cumprir o acordo com a Troika e ir ainda mais além, mas à custa do sacrifício dos mesmos de sempre é o caminho mais fácil e transmite mais do mesmo: vulgaridade. Não revela arte e engenho e deixa muitas dúvidas. Além disso, Passos Coelho introduziu diversos temas na campanha que são de segunda, terceira ou quarta linha, o que revelou uma falta de focalização nas prioridades do país.
O momento exigia um pré-conhecimento do núcleo duro da equipa que, em caso de vitória, vai acompanhar Passos Coelho, porque também é sabido que um bom líder, se não tiver uma boa equipa não vai a lado algum. E, se o primeiro objectivo a que o PSD se propõe nestas eleições é impedir José Sócrates de voltar a chefiar o governo, como disse Ferreira Leite (que não veio trazer nada à campanha), o caminho teria de ter passado forçosamente por um acordo pré-eleitoral com o CDS. Não foi feito e o PSD corre o risco de não conseguir esse objectivo. A estratégia da campanha não convenceu, portanto.
3 - CDS - Não se compreende que um dos principais alvos das farpas que Portas foi lançando durante estes 15 dias tivesse sido o PSD.
É completamente impensável que o CDS ganhe as eleições ou por lá fique perto. Só um louco o pensaria. Ganhar mais um, dois ou três deputados também não resolve coisa nenhuma. E não creio que Paulo Portas seja governativamente sociável, dado o seu radicalismo, só comparável a Francisco Louçã, no lado político oposto, obviamente.
Baseou a sua campanha na acusação ao governo de Sócrates e na crítica ao discurso do PSD sem que desse a conhecer as suas linhas de força para a recuperação económica do país - porque tem de ser esse o primeiro e principal enfoque do novo governo, sob pena de se caír no incumprimento das obrigações assumidas pelo estado português.
Além disso, os casos Moderna, Braga Gonçalves, as fotocópias e a polémica compra dos submarinos na sua passagem pelo XV governo constitucional não são o seu melhor abono...
4 - BE - Apesar de considerar o líder do Bloco um dos políticos mais inteligentes da actualidade, de lhe reconhecer um domínio extraordinário de diversos dossiers e a fantástica memória cronológica dos momentos marcantes da política nacional, o seu radical extremismo choca de frente com conceitos e princípios  que mantenho.
Durante a campanha, Louçã apontou as armas contra o memorando da Troika sem, no entanto,  explicar como pode o país sobreviver nos próximos tempos sem a ajuda negociada. Quinze dias de fogo-de-artifício e nada mais. O Bloco jamais constituirá uma alternativa, pelo que resta apenas respeitar o espaço  que conseguiu na sociedade política portuguesa.
5 - CDU - Uma ideologia ultrapassada, sem ideias, cansada e por isso em queda,   a necessitar de uma revisão/actualização dos seus conceitos políticos. Jamais a tipologia do eleitorado nacional lhe concederá a veleidade de ser governo ou de nele participar,  pelo que o objectivo será apenas o de manter o número de deputados, o que dificilmente acontecerá. Jerónimo foi, nesta campanha, uma mera sombra de um líder do PCP.
Em resumo, no campo de jogo temos apenas e só duas equipas: de um lado o PS e do outro o PSD.
O CDS e o BE julgam-se os árbitros, com poder de influenciar o resultado final e os suplentes não têm qualidade para entrar no jogo.
O PS já mostrou do que é capaz (6 anos são mais que suficientes!); o PSD treinou muito mal e não se lhe conhece a táctica; os árbitros são tendenciosos e querem fazer apenas o jogo que lhes convém, sem se importarem com o resultado final.
Definitivamente não vou participar neste jogo.

Mais precisamente,

 em jactos, cocktails, festas, suites e jóias da Tiffany's. O relatório elaborado por aquela instituição independente sem fins lucrativos analisou as contas da Comissão entre 2006 e 2010 e descobriu, entre outras coisas, que os comissários gastaram dezenas de milhares de euros em estadias em ‘resorts' de luxo nas visitas a Países como Papua Nova Guiné, Gana e Vietname... (Continuar a ler).

Tudo isto à custa de quem?