Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sábado, abril 09, 2011

FEEF / FMI

Assisti ontem, a espaços, ao discurso de José Sócrates no congresso do PS e confesso que não compreendo como é que pode o delírio levar a tanto.
Quem não conhecesse o passado recente da governação do país diria que tinha chegado, finalmente, o salvador da pátria, o homem rigoroso, enérgico, sério e com ideias definidas, que tem estado na oposição à espera da sua oportunidade para mostrar o que vale.
A forma como quis vender a ideia de que a culpa do lastimoso estado em que o país se encontra é da oposição é, no mínimo, caricata, e uma ofensa para o comum cidadão. Mas, pior ainda, é darmos conta do apoio inequívoco dos congressistas que, em massa e em extase, afirmaram estar incondicionalmente com ele. Terão sufragado perante o país, as políticas de excelência por ele praticadas, mesmo que o resultado seja um dos  mais desastrosos de que há memória, como se pode ver por [este exemplo] do que a este respeito se escreve lá por fora.
Não creio, no entanto, que o povo   seja tão estúpido a ponto de se deixar levar por palavras bem colocadas mas sem qualquer fundo de verdade. E para atestar isto mesmo nem será necessário ressuscitar aqui e agora as inúmeras situações em que este chefe de governo e seus pares mentiram a todo o país. Bastará apenas lembrar que há cerca de uma semana apenas José Sócrates e o seu ministro da economia garantiam em todos os canais de televisão que o país não precisaria de apoios externos pois tinha mecanismos internos suficientes para lidar com a crise. Dias depois, seguiu a carta para Bruxelas oficializando o pedido...
Condutualmente, não há classificação que se possa atribuir a esta constante atracção pela mentira,  e o povo sabe disso.
Ora, o PS ao emoldurar douradamente os aspectos  negros de uma  governação Socrateana - uma das mais fracas, senão mesmo a pior que o país já conheceu -  não só está a querer perpetuá-la como a aceita e recomenda para o futuro. Prova disso é voltar a ter nele confiança  total e cega para, hipoteticamente, chefiar um novo governo. Entendo isso como um acto de suicídio político, como certamente veremos em 5 de Junho.
Alaranjando agora a conversa, a preocupação não diminui; antes pelo contrário.
Primeiro, porque me parece não estar o PSD preparado para ser governo, e depois, porque as suas  linhas de orientação governativa não serão muito diferentes do que temos tido - leia-se, baseadas no aumento de impostos -  podendo, num ou noutro aspecto, ser ainda mais penalizadoras dos contribuintes.
O país precisa de arranjar dinheiro - e muito - mas parece que a incompetência desta gente desemboca sempre no mesmo resultado: o aumento da carga fiscal.
É por isso que em 5 de Junho espero contribuir de novo para a redução da despesa pública não gastando tinta,  a não ser que os boletins de voto sejam semelhantes ao da figura abaixo,
Explico:
Face,
- ao descrédito que a actual classe política na sua generalidade me merece;
- à incompetência demonstrada pelos  governos que têm alternado no poder em fazer outra coisa que não aumentar impostos;
- à delapidação  de sucessivos Orçamentos de Estado sem que o país tenha qualquer sinal de recuparação económica ou social, antes pelo contrário;
- à falta de uma política de rigor e contenção da despesa pública;
- à pouca vergonha que emana descaradamente da proliferação das Parecrias Publico-Privadas que mais não são do que a instrumentalização oficial da corrupção, alinhada no princípio activo dos "jobs for the boys";
- a isto (*): 420.000,00 € - TAP -Administrador Fernando Pinto
371.000,00 € - CGD - Administrador Faria de Oliveira
365.000,00 € - PT - Administrador Henrique Granadeiro
250.040,00 € - RTP - Administrador Guilherme Costa
249.448,00 € - Banco Portugal - Administrador Vítor Constâncio
247.938,00 € - ISP administrador - Fernando Nogueira
245.552,00 € - CMVM - Presidente Carlos Tavares
233.857,00 € - ERSE - Administrador Vítor Santos
224.000,00 € - ANA COM - Administrador Amado da Silva
200.200,00 € - CTT - Presidente Mata da Costa
134.197,00 € - Parpublica - Administrador José Plácido Reis
133.000,00 € - ANA - Administrador Guilhermino Rodrigues
126.686,00 € - ADP - Administrador Pedro Serra
96.507,00 € - Metro Porto - Administrador António Oliveira Fonseca
89.299,00 € - LUSA - Administrador Afonso Camões
69.110,00 € - CP - Administrador Cardoso dos Reis
66.536,00 € - REFER - Administrador Luís Pardal
66.536,00 € - Metro Lisboa - Administrador Joaquim Reis
58.865,00 € - CARRIS - Administrador José Manuel Rodrigues
58.859,00 € - STCP - Administradora Fernanda Meneses
(*) - dados relativos a vencimentos mensais, a que  acrescem outras somas exorbitantes de prémios e ajudas de custo, que circulam na internet e que até agora parecem indesmentíveis.

E,  tendo ainda em conta que o país dependerá em absoluto e nos próximos anos, da ajuda que consiga  do Fundo de Equilíbrio Europeu e do Fundo Monetário Internacional, o mais natural seria perguntar aos portugueses se preferem, nos próximos 4 anos, um governo emanado dos partidos políticos nacionais, sabendo-se de antemão o que dele se espera, ou um governo nomeado pela CE, que venha aqui garantir a canalização da ajuda externa, onde ela deve ser efectivamente aplicada - na recuperação económica do país - e com a obrigatoriedade de anualmente prestar contas perante a CE.  E aqui, poderia justificar esta opção com a pergunta: o que foi feito dos biliões de euros de ajudas a fundo perdido que foram injectados no país deste, pelo menos, os governos de Cavaco Silva? Que retorno teve a economia do país na sua aplicação?
Pois bem, após tudo isto, não hesitaria um segundo em utilizar a que defini como última opção no boletim de voto acima.
E não me venham cá com crises políticas, perda de independência governativa, etc, etc., quando somos completamente dependentes e incapazes de sair de uma crise que há pouco mais de um ano nos diziam estar completamente fora do horizonte português. O que mudou então em tão pouco espaço de tempo? A realidade ou a mentira?

5 comentários:

Anónimo disse...

Sem rumo esta o PSD depois do Coellho ter de engolir o SAPO do PEC4.

CR disse...

Caro anónimo,
para mal de todos nós, sem rumo está o país.
E é esse o grande problema, pois o rumo do PSD (com ou sem ele), do PS, ou de qualquer outro partido, não me preocupa minimamente.
Cpts.

M&M disse...

Pois, mas neste país sem rumo cada vez mais vejo e ouço gente que não concorda com o actual estado da coisa e não vão votar ou gente que concorda e votarão PS. É que as mentes delirantes que pululam este rectângulo parecem-me ser muitas mais dos que as que estiveram em Matosinhos este fim-de-semana. E a possibilidade dum governo maioritário do PS mete-me medo.

António Aguiar disse...

Pois é Camilo,
na minha opinião não vai mudar!
Porque estes Senhores habituaram-se a estes salários e não os vão baixar!
Eles deviam era ganhar o salário minimo que era para eles aprenderem a fazer gestao!
Mas como isso nao vai acontecer ha que encher os bolsos para depois dar lugar a outros para esses os encher e assim continuar!!!
Quem nos levou para esta crise devia ser responsabilizado pela situação que temos!
Um Abraço
António Aguiar

aisongamonga disse...

Caro CR

Completamente de acordo.
O que mudou completamente foi obrigarem-nos a ver a realidade da mentira.
Começa também a parecer necessário que se responsabilize os politicos como acontece com qualquer gestor, de outra forma será como fita cola em dedo seco.
Venham de lá esses europeus (fazer pior é difícil), proporcionem-nos o exercício da real cidadania europeia, os ganhos serão mútuos.