Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sábado, janeiro 15, 2011

HISTÓRIAS E MEMÓRIAS

A vertiginosa passagem do tempo afasta-nos rapidamente de um  passado ainda recente, tão característico desta zona lagunar beijada pela ria de Aveiro.
Falo, obviamente, da actividade agrícola de uma época em que o acesso aos campos do Baixo Vouga se fazia, quase em exclusivo, através dos Esteiros e das valas, em embarcações de maior ou menor porte, que em grande quantidade povoavam os esteiros e valas da região: as caçadeiras, também conhecidas por rascas e as bateiras. 
Dessas embarcações, guardadas ainda intactas na memória de muitos de nós, apenas restam alguns vagos resquícios -  insuficientes já para  caracterizar a actividade laboriosa a que estiveram intrinsecamente ligadas porque os homens as não  souberam preservar.
Canelas tinha um riquíssimo património neste campo, mas que em poucos anos desapareceu quase por completo. A abertura de caminhos e a proliferação de tractores e máquinas agrícolas ditou o destino das bateiras. Destas, apenas um único exemplar sobreviveu, mas  nem a freguesia nem o concelho o souberam ou quiseram valorizar e preservar. E há-de ser assim com tudo o resto no que diz respeito às artes que por aqui se faziam e cujos instrumentos, alfaias, moldes, projectos, etc., vão desaparecendo... para sempre. Infelizmente, a história também morre quando se apaga da nossa vida.
Hoje deixo aqui um excelente trabalho sobre a Bateira Erveira de Canelas, retirado do blog Marintimidades e que, por certo,  agradará a todos aqueles que se orgulham desse passado atrás citado - que implacavelmente se vai distanciando de nós. Por vezes a internet parece ser a única forma de o perpetuar.
Com o devido e justo agradecimento à autora aqui fica:


2 comentários:

António Aguiar disse...

Olá Camilo.
Pois é muito triste muita gente não se lembrar ou não querer saber de tradições ou costumes; muitas pessoas também dizem que esse tempo já passou!
Mas que se lembrem que faz parte da nossa história e do nosso ser!
Eu sei que há muitos por ai que para eles é igual?
Eu acho muito triste ver a minha terra assim como ela esta!
Mas como tu dizes e bem o que nos resta é a memoria ou a internet!
Um Abração
António Aguiar

Alcides Rego disse...

Viva!
Obrigado por trazeres este post e os link's.
Saudades destas embarcações...
Em cada Bateira Erveira existe um pedaço de muitos de nós e da história desta gente de Canelas, Salreu e, por aí fora...
Quantas vezes ajudei o meu pai a conduzir a Bateira Erveira lá de casa. Ainda pequeno, no percurso para e das prais de arroz, à sirga, que saudades...
Obrigado!