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segunda-feira, janeiro 17, 2011

Há quem lhe chame sucesso

Numa altura em que o circo das presidenciais entra já na sua segunda parte, a grande epopeia da semana passada terá sido o "sucesso" do leilão que permitiu enterrar definitivamente o futuro das próximas gerações. Não serão necessários grandes conhecimentos de economia - e o país até tem um presidente licenciado nessa área - para se perceber a loucura cometida. 
Sendo certo que o país vive,  ano após ano ( e já lá vão trinta e tal), a tentar controlar o seu déficit sem que este alguma vez consiga chegar ao zero - o mesmo seria dizer que se conseguiria atingir o equilíbrio entre a despesa e a receita - hipotecar o país em certificados do tesouro inflacionados em 6 ou 7 % é um acto de suicídio que só esta espécie de  governo, que o país pacífica e alegremente atura, transforma em sucesso.
E se dúvidas houverem, vejam-se os artigos de opinião de credenciados economistas, como por exemplo o de Paul Krugman (Prémio Nobel da Economia em 2010). Ler [aqui].
A pergunta é óbvia: um país cuja economia não cresce, onde vai arranjar dinheiro para pagar uma taxa de juro de 6,7 % daqui a 5 ou 10 anos, quando os compradores da dívida quiserem o  seu pilim de volta mais os tais juros? 
Se a pergunta é óbvia, a resposta é também clara: impostos para cima e novos empréstimos - se alguém ou algum país  estiver ainda disposto a emprestar por essa altura.
É certo que daqui a 10 anos este governo já fará parte da história (e da má memória) e é provavelmente isso que o alenta nesta visão estúpida, baseada no princípio de que o que interessa é alinhavar o presente de qualquer forma nem que para isso se hipoteque o futuro, fazendo jus ao ditado de que quem vier atrás que feche a porta.
Regressando às presidenciais, valerá a pena ler o texto que se segue e... pensar antes de votar.

Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.
O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o.
Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.

Passou cinquenta anos da sua vida a defender uma sociedade mais justa.
Com 71 anos foi eleito Presidente da República.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar também do seu bolso.

Este SENHOR era Manuel de Arriaga e foi o primeiro Presidente da República Portuguesa.

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