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sexta-feira, dezembro 10, 2010

TEMOS DE MUDAR DE VIDA

Do Diário de Aveiro: 
Estarreja: “Vamos ter de mudar de vida”, avisa presidente da Câmara.
 (ler aqui).
Eu diria que já devíamos de ter mudado de vida há tempo suficiente para que se pudesse aproveitar o que ainda é possível.
Aproximamo-nos do fim dos QREN's (que novidade!),  o mesmo é dizer, das candidaturas aos Fundos Europeus que permitiriam a aplicação de apoios comunitários em Projectos de desenvolvimento local e/ou regional.
No entender do Sr. presidente, "Estarreja  tem sido uma boa aluna" nesta matéria de captação de fundos. Pena é que os mesmos não tenham sido aplicados no que deveriam: nos tais Projectos   que pudessem trazer a  Estarreja ( e Estarreja são 7 freguesias, convém lembrar), as estruturas que levassem  ao progresso e desenvolvimento do concelho.
Os anos passam e vamos batendo palmas pela instalação de um punhado de pequenas empresas  num Eco-Parque último modelo, mas de onde têm fugido os grandes empregadores. Mas somos felizes assim.
Aqui por esta mui nobre, leal e serviçal Canelas, o único Projecto co-financiado  dado à luz por tão ilustre aluna, dá pelo nome  de Bioria, e traduz pela implantação de  cerca de uma dezena de painéis e  uma torre de observação,  ao longo de dois pequenos percursos existentes há séculos no  coração dos campos do Baixo Vouga Lagunar. E por aqui se ficou a aula, porque a seguir tocou para intervalo e não houve tempo para mais lições.
Canelas tem hoje inscritos no Recenseamento Eleitoral 1280 cidadãos, sendo que a realidade apontará apenas para pouco mais de mil. Não tenho grandes dúvidas de que, num futuro próximo, as freguesias com menos de 1000 eleitores perderão a sua independência administrativa, o mesmo é dizer que serão absorvidas por outras com maior população.
É por isso que tenho insistido na necessidade de desenvolvimento das pequenas freguesias, contrariando esta tendência estúpida de tudo concentrar na sede do concelho enquanto, sem que nos importemos, se vão perdendo as oportunidades que poderiam inverter a situação. E isto porque nos contentamos com uns arranjos de um ou outro caminho, uma ou outra festarola e uma pincelada de cal branca nos "muros" a caír de velhos.
Apetece-me, a propósito,  transcrever aqui e agora um poema de Maiakovski:
Na primeira noite, eles aproximam-se
e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam o nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.



 

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