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terça-feira, novembro 23, 2010

A propósito

 da greve geral marcada para amanhã, adivinha-se uma paralização quase completa de diversos sectores,  os mesmos de sempre a responderem à chamada das centrais sindicais.
Importa referir que entendo por justos os motivos de mobilização da sociedade portuguesa que vê, na  generalidade, a sua qualidade de vida baixar drasticamente e muito por culpa das medidas a que está a ser submetida por este governo enquanto, por outro lado, a despesa pública continua a aumentar.
E, se quisermos ilustrar o desnorte, a  falta de rigor e o abuso de poder perpetrados por esta gente, encontraremos um nunca mais acabar de situações. Bastaria até lembrar o recente caso dos blindados comprados (com carimbo de urgência, que terá sido motivo para evitar o "obrigatório" concurso público) para segurança da cimeira da NATO e que chegaram... depois da dita ter terminado.
Pois bem, apesar de todos os que decidirem aderir à greve estarem a fazer uso de um direito consignado na Constituição Portuguesa (artº 57º), bem como da justiça dos princípios inerentes à dita (greve), parece-me, neste momento um acto irreflectido e irresponsável, porquanto se adivinham sérias repercussões nos sectores económicos do país, já de si tão debilitados.
De facto, se é justa a manifestação de desagrado, o mesmo não se poderá dizer do impacto que possa vir a ter uma acção do género havendo, por certo, outras formas de o demonstrar. E, uma delas, é certamente o uso de um outro direito ao dispor de todos os cidadãos com 18 ou mais anos de idade: o voto.
Se a memória não me falha, a última greve geral aconteceu em Maio de 2007, contra as políticas deste mesmo governo. Passados dois anos, a maioria do povo português voltou a confiar-lhe o destino do país. A isto chamaria eu de imaturidade da democracia. Uma imaturidade que tem produzido os efeitos que estão à vista de todos - os de cá e os de fora.
Por outro lado, valerá a pena pensarmos que a greve geral não vem resolver coisa alguma. O manancial de medidas, asfixiantes da classe média, vai mesmo cair sobre ela  e o seu impacto hostil será uma realidade, como real é a grave situação  do país.
Mas, pior ainda, é o facto de pouca gente acreditar que, mesmo com todas essas medidas, se consiga alcançar algum equilíbrio das contas públicas, tal a falta de racionalidade das opções que o governo vai tomando pois, apesar da completa dependência externa em que o país se encontra, continua a insistir em projectos desajustados para o momento actual.
Para finalizar, a acontecer uma paralização geral, parecia-me mais justa na altura em que se começaram a cozinhar as trapalhadas que nos levaram ao actual estado de coisas. E estou certo de que muita gente sabia - ou tinha a obrigação de saber - o caminho que estava a ser trilhado. 
Assim, para a história ficará apenas o registo de mais uma greve que, por maior adesão que tenha, não produzirá qualquer efeito prático e de melhoria no futuro dos portugueses. E é por isso que se luta, ou não?

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