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sábado, setembro 11, 2010

Aldeia de Canelas -1

 Um pouco de história...
A freguesia de Canelas, situa-se na parte sul do Concelho de Estarreja, e ocupa uma área de 10,2 Km2, sendo limitada a norte pelo rio Jardim e a sul pela ribeira do Ameal.
É atravessada pela EN 109, que durante muitas décadas foi uma das mais importantes vias de comunicação do país, pela A1 e pela A29, sendo também servida pela Linha do Norte dos Caminhos de Ferro, dispondo de um apeadeiro.
Daqui se avistam diversas outras freguesias tais como Fermelã, Angeja, Cacia, Salreu e Veiros. Em dias ou noites claros, facilmente o olhar descobre o farol da Barra ou nos leva até outras terras do litoral, tais como a Torreira ou S. Jacinto.
A origem do topónimo "Canelas", não é de fácil determinação. Parece consensual que o mesmo remonta aos primeiros anos do período Medieval e há quem defenda que terá derivado do substantivo "Canna" (Cana, junco),  e  o relacione com os vastos canaviais que por aqui terão existido. Outros há que o ligam às inúmeras fontes e cursos de água (canalis) aqui existentes e que com alguma facilidade se avistavam do mar, mercê do facto de a freguesia se pousar numa suave colina com vista para o Atlântico.
Canelas possui, ainda hoje, um braço navegável da ria de Aveiro, que em tempos terá tido um papel preponderante nas importações de vulto, como por exemplo a pedra de Ançã, cuja aplicação pode ser vista na igreja da freguesia. Esta pedra de calcário brando, originária da região de Cantanhede, era transportada em carros de bois até à ribeira de Ançã seguindo depois em barcaças até ao rio Mondego e deste até ao porto da Figueira da Foz donde seguia então para os diversos destinos no país e estrangeiro.
Esta priveligiada ligação ao mar terá facilitado também a deslocação a esta terra das tripulações dos barcos que passavam ao longo da costa, a fim de aqui se abastecerem de bens e essencialmente de água potável.
Os primeiros habitantes desta região terão, ao que tudo indica, sido pré-romanos. No entanto, os documentos mais antigos de que há conhecimento  e que se referem a Canelas, dizem respeito à larga doação, no ano de 1064, que Tristina Pinioliz fez à sua irmã Sancha e onde se inclui a Villa rustica de Canellas, que ela mesma tinha adquirido.
Outros documentos datados de 1077, fazem igualmente referência a Canellas, Riu Sicu e Fermellana.
Canelas pertenceu aos marqueses de Angeja, que tinham autoridade sobre os antigos concelhos de Angeja e Figueiredo (mais tarde Bemposta), tendo beneficiado do seu foral de 15 de Agosto de 1514.
Em 1527, por ordem e detarminação de D. João III, foi feito o primeiro censo em Portugal e Canelas é registada como pertencendo ao Concelho de Figueiredo.
A partir de 31 de Dezembro de 1853, com a extinção do Concelho de Angeja, passou a pertencer ao de Estarreja.
No contexto religioso, a freguesia de S. Tomé de Canelas era da apresentação do reitor de Fermelã, no termo da vila da Bemposta, passando mais tarde a reitoria.
Descrições do séc. XIX referem que "o pároco é cura apresentado pelo reitor de Fermelã, tem renda de 18 mil réis em dinheiro e 6 almudes de vinho, 6 alqueires de trigo que lhe dão as religiosas do Convento de Jesus de Aveiro, por serem senhores dos dízimos desta freguesia.
Os Censos de 1864 atribuiam à freguesia 1409  almas e a Fermelã 1709. Actualmente ambas têm sensivelmente o mesmo número de habitantes: 1486 vivem em Canelas e 1482 em Fermelã, segundo os Censos de 2001.

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