Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

terça-feira, setembro 28, 2010

Finalmente

Finalmente parece que o país começa a perceber, ainda que muito lentamente, o atoleiro económico em que se move, e que resulta numa total dependência do estrangeiro.
Numa altura em que todos os países com situação financeira difícil vêem a sua despesa pública baixar a olhos vistos, em Portugal a mesma dispara mais 3 ou 4 pontos percentuais, apesar do aumento da carga fiscal que, como sempre, penaliza o povo. A economia do país vivem em roda livre e, a cada dia que passa, a situação agrava-se sem que se vislumbre uma inversão.
É o preço que custa manter uma classe de oportunistas e irresponsáveis como se não vê em mais lado algum.
Neste momento, a responsabilidade por este estado de coisas ultrapassa o governo e o partido que o sustenta, assim como a oposição e tem um nome apenas: Cavaco Silva.
Economista de profissão e experiente na governação, tem o dever de conhecer e acompanhar de perto a situação financeira do país, e evitar o descalabro da economia que uma governação ao desbarato tem produzido.
Provada que está - há muito - a falta de credibilidade interna e externa deste governo e a sua incapacidade em resolver, ou pelo menos contribuir para o não agravamento da situação, cabe ao Presidente da República, tomar as necessárias medidas para evitar o que se adivinha para breve: uma situação de completa rotura económica. E já vai tarde!

sexta-feira, setembro 17, 2010

Aldeia de Canelas - 6

Quem passa pela rua Direita, não pode ficar indiferente aos belíssimos painéis de azulejo, pertença do Sr. Manuel Augusto da Silva Andrade, que perpetuam alguns dos locais mais emblemáticos desta freguesia de Canelas.
Beleza e nostalgia que trazem à memória recortes da vida de um povo e nos levam ao encontro da sua história.

quarta-feira, setembro 15, 2010

terça-feira, setembro 14, 2010

Aldeia de Canelas - 4

... do Património.
A igreja paroquial.
A data da sua construção perde-se nos tempos, muito embora se saiba que o templo foi edificado em substituição de uma capela que terá existido no mesmo local.
Presume-se que a primeira reconstrução,   tenha acontecido entre os séculos XVII e XVIII, devido ao número significativo de elementos de calcário Ançanense que remontam a esse período.
É tido como certo que o arco do flanco do corpo, à direita, remonta aos finais do séc. XVI, sendo o fronteiro de finais do séc. XVII.
Nessa reconstrução foi igualmente preservado o grande arco frontal do coro.
No séc. XIX o templo voltou a sofrer obras de reformulação com aproveitamento da arquitectura antiga. A última restauração é do séc. passado (1976) e aconteceu sob a orientação do Padre Ivo Fernandes da Silva. Apresenta actualmente paredes lisas em azulejo de século e apenas um retábulo frontal, tendo sido preservados quase todos os elementos de pedra Ançã.
Os altares laterais provenientes da reforma oitocentista, bem como o retábulo do arco da parede direita da nave, que datavam do séc. XVIII, foram (infelizmente) removidos, assim como o candelabro central em cristal, onde o azeite se abria em luz, e uma porta lateral aposta a sul.
Substituído foi também o grande Cristo Crucificado, que data igualmente do séc. XVIII, e que recentemente foi recuperado pelo actual pároco permanecendo numa das salas anexas.
As imagens que o templo ostenta, são em madeira, e datam de finais do séc. XVII. A do padroeiro, S. Tomé, do nicho alto da frontaria  é de calcário e pertence também ao séc. XVII.

Fazendo igualmente parte do património da freguesia, a Capela de Santo António ergue-se nos limites da Quinta com o mesmo nome. Trata-se de um edifício do séc. XIX, e foi construída para substituir uma outra existente um pouco mais a nascente, a mando do Padre António Domingues da Silva, tendo sido inaugurada em 1898.
Mais alta que o usual, ocupa um lugar sobranceiro sobre a rua da Aldeia. 
Em finais  do séc. passado, princípio do séc. XXI, foi totalmente  restaurada, apresentando hoje o aspecto magnífico que a foto documenta.

Fontes: Inventário Artístico do Distrito de Aveiro e outras.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Aldeia de Canelas - 3

ASSENTO DE BAPTISMO
Aos dezesete dias do mêz de Julho de mil setecentos e sessenta e três, baptizei a Francisco Joaquim, filho legítimo de Manuel Fernandes e de Ana Maria Hibingre, da Pedregosa, desta frequezia de S. Thomé de Canellas, bispado de Coimbra; neto paterno de Manuel Frernandes, e de sua mulher, Joanna Dias, d'esta freguezia de Canellas e materno do capitão Gaspar Hibingre e de Maria Catharina Hibingre, da cidade de Viena d'Austria. Nasceu aos nove do dito mêz e anno. Foram padrinhos Francisco da Silva Martins e Maria, donzella, filha de Manuel João de Figueiredo, da mesma freguezia, e testimunhas o M. R. P. António da Trindade, e Domingos Dias Henriques: do que tudo fiz este assento, que assignei. Era ut supra. O cura José dos Santos Barbosa Carrancho - P. António da Trindade - Domingos Dias Henriques.
 
Francisco Joaquim Bingre foi, porventura, o mais ilustre filho desta freguesia de Canelas. Um grande poeta, ao nível de Bocage - com quem fundou a Nova Arcádia -  que só não teve a projecção deste devido à sua persistente "mania" de querer passar despercebido.
Dispensar-me-ei de traçar novamente os seus dados biográficos que podem ser consultados [aqui]. 
A intenção é tão só trazer ao presente, uma vez mais, o poeta e a sua obra, porque nunca será demais fazê-lo.
[Aqui] podem ser lidos alguns dos mais belos sonetos que a sua pena produziu.
Em jeito de aguçar o apetite, abaixo ficam mais dois, talvez menos conhecidos, mas não menos notáveis.


Com a Fortuna não Perde o Ser de Besta
 
Na carreira veloz, a deusa cega
Lança às vezes a mão a um feio mono
E o sobe, num instante, a um coche, a um trono,
Onde a Virtude com trabalho chega.

Porém se, louca, num jumento pega,
Por mais que o erga não lhe dá abono:
Bem se vê que foi sonho de seu sono,
Quando a vara ou bastão ela lhe entrega.

Pouco importa adornar asno casmurro
Com jaezes reais, mantas de festa,
Se a conhecer se dá no rouco zurro.

Quem, no berço, por vil se manifesta,
Quem nele baixo foi, quem nace burro,
Co'a Fortuna não perde o ser de besta.

Francisco Joaquim Bingre, in 'Sonetos'


A Fúria Mais Fatal e Mais Medonha

Das Fúrias infernais foi sempre a Inveja
No mundo a mais fatal e a mais medonha,
Pois faz dos bens dos outros a peçonha
Com que a si mesma se envenena e peja.

Com ira e com furor, raivosa, arqueja,
Com vinganças, traições, com ódios sonha.
Onde quer que se encoste e os olhos ponha,
Tragar as ditas dos mortais deseja.

Mãe dos males fatais à Sociedade,
Vidas, honras destrói, cismas fomenta,
Nutrindo n'alma as serpes da Maldade.

O próprio coração que come a alenta,
Vive afogada em ondas de ansiedade,
Da frenética raiva se alimenta.

Francisco Joaquim Bingre, in 'Sonetos' 

domingo, setembro 12, 2010

Aldeia de Canelas - 2

A actual Quinta da Fonte, foi outrora igualmente conhecida por Quinta do Taborda, Quinta de Cima, Quinta do Morgado ou Quinta de Nossa Senhora das Dores.
Ao que consta, inicialmente a sua área abrangia também a Quinta do Calvário, pelo que as duas terão sido uma única propriedade que se estendia para sul incluindo uma área de fartas águas e densa mata onde predominavam castanheiros   cujo fruto,  como se sabe, juntamente com o trigo e o centeio, foi a base da alimentação do povo até ao século XVII.
Por volta de 1750, ter-se-á iniciado o desbravamento da mata, permitindo o seu atravessamento e daí terá nascido uma rua (rua da Mata), numa altura em que o povo começava também  a fazer passagem pela parte de cima da então Capela de S. Tomé - local da actual igreja paroquial - atravessando a Quinta da Fonte, pertença da Família Figueiredo. Este facto terá  provocado  a abertura de uma nova rua, designada de rua da Fonte.
A zona onde abundavam os castanheiros terá igualmente estado na origem da denominação "Castanheiro"  por que foi conhecida durante muitos anos, designação que o povo ainda recorda e identifica com os terrenos adjacentes à rua dos Maduros.
Consta que a família Figueiredo, terá procurado aumentar os limites da sua propriedade, o que foi conseguindo, para desagrado da população. Terá sido então um vizinho do Sr. Figueiredo e Carvalho, Gouveia de seu nome, que armado de uma foice o intimou a não se apossar de mais terrenos do povo, o que parece ter resultado.
A Quinta possui uma casa brasonada que terá sido mandada construir por Manuel João Figueiredo, algures entre os finais do séc. XVII e início do séc. XVIII.
O brasão foi atribuído a António José de Figueiredo e Carvalho, Capitão de Ordenanças do lugar de Canellas, termo da vila de Bemposta, filho de Manuel João Figueiredo e de D. Maria Esteves de Carvalho, conforme consta nos Registos de Cartório da Nobreza.
A Quinta da Fonte, embora propriedade privada e particular, é hoje considerada Património do Concelho dado o seu valor histórico intrinsecamente ligado à história de Canelas.


(Dados recolhidos da net).

sábado, setembro 11, 2010

Aldeia de Canelas -1

 Um pouco de história...
A freguesia de Canelas, situa-se na parte sul do Concelho de Estarreja, e ocupa uma área de 10,2 Km2, sendo limitada a norte pelo rio Jardim e a sul pela ribeira do Ameal.
É atravessada pela EN 109, que durante muitas décadas foi uma das mais importantes vias de comunicação do país, pela A1 e pela A29, sendo também servida pela Linha do Norte dos Caminhos de Ferro, dispondo de um apeadeiro.
Daqui se avistam diversas outras freguesias tais como Fermelã, Angeja, Cacia, Salreu e Veiros. Em dias ou noites claros, facilmente o olhar descobre o farol da Barra ou nos leva até outras terras do litoral, tais como a Torreira ou S. Jacinto.
A origem do topónimo "Canelas", não é de fácil determinação. Parece consensual que o mesmo remonta aos primeiros anos do período Medieval e há quem defenda que terá derivado do substantivo "Canna" (Cana, junco),  e  o relacione com os vastos canaviais que por aqui terão existido. Outros há que o ligam às inúmeras fontes e cursos de água (canalis) aqui existentes e que com alguma facilidade se avistavam do mar, mercê do facto de a freguesia se pousar numa suave colina com vista para o Atlântico.
Canelas possui, ainda hoje, um braço navegável da ria de Aveiro, que em tempos terá tido um papel preponderante nas importações de vulto, como por exemplo a pedra de Ançã, cuja aplicação pode ser vista na igreja da freguesia. Esta pedra de calcário brando, originária da região de Cantanhede, era transportada em carros de bois até à ribeira de Ançã seguindo depois em barcaças até ao rio Mondego e deste até ao porto da Figueira da Foz donde seguia então para os diversos destinos no país e estrangeiro.
Esta priveligiada ligação ao mar terá facilitado também a deslocação a esta terra das tripulações dos barcos que passavam ao longo da costa, a fim de aqui se abastecerem de bens e essencialmente de água potável.
Os primeiros habitantes desta região terão, ao que tudo indica, sido pré-romanos. No entanto, os documentos mais antigos de que há conhecimento  e que se referem a Canelas, dizem respeito à larga doação, no ano de 1064, que Tristina Pinioliz fez à sua irmã Sancha e onde se inclui a Villa rustica de Canellas, que ela mesma tinha adquirido.
Outros documentos datados de 1077, fazem igualmente referência a Canellas, Riu Sicu e Fermellana.
Canelas pertenceu aos marqueses de Angeja, que tinham autoridade sobre os antigos concelhos de Angeja e Figueiredo (mais tarde Bemposta), tendo beneficiado do seu foral de 15 de Agosto de 1514.
Em 1527, por ordem e detarminação de D. João III, foi feito o primeiro censo em Portugal e Canelas é registada como pertencendo ao Concelho de Figueiredo.
A partir de 31 de Dezembro de 1853, com a extinção do Concelho de Angeja, passou a pertencer ao de Estarreja.
No contexto religioso, a freguesia de S. Tomé de Canelas era da apresentação do reitor de Fermelã, no termo da vila da Bemposta, passando mais tarde a reitoria.
Descrições do séc. XIX referem que "o pároco é cura apresentado pelo reitor de Fermelã, tem renda de 18 mil réis em dinheiro e 6 almudes de vinho, 6 alqueires de trigo que lhe dão as religiosas do Convento de Jesus de Aveiro, por serem senhores dos dízimos desta freguesia.
Os Censos de 1864 atribuiam à freguesia 1409  almas e a Fermelã 1709. Actualmente ambas têm sensivelmente o mesmo número de habitantes: 1486 vivem em Canelas e 1482 em Fermelã, segundo os Censos de 2001.

sábado, setembro 04, 2010

ATÉ QUANDO?

Era inevitável que toda a imprensa  fizesse hoje eco do caso Casa Pia devido à leitura da sentença no dia de ontem, numa altura em que a revolta inicial, gerada aquando dos primeiros depoimentos, se encontrava já adormecida.
A condenação dos culpados parece trazer à sociedade uma dose de satisfação, sem darmos conta de que nenhuma condenação apaga da vida os longos dias de terror e sofrimento  passados por crianças amordaçadas e indefesas - hoje homens -  barbaramente  feridas e despojadas da sua dignidade.
Oito, dez, vinte ou cinquenta anos de prisão seriam, com toda a certeza, penas demasiado brandas para actos tão hediondos.
E, mesmo que os culpados venham a cumprir as penas de prisão a que agora foram condenados, sabemos que viverão esse tempo com  melhores condições do que alguns milhares de portugueses. Mas adivinham-se recursos e mais recursos, que adiarão ad aeternum o cumprimento de qualquer pena. O mais provável é que todos venham a ver as suas penas substancialmente reduzidas.
Enquanto isso, a maior parte da sociedade terá dificuldade em compreender que um caso que se arrasta pelos corredores dos tribunais há já 6 ou 7 anos, não seja dado por encerrado com a leitura do acórdão pois, de facto, se  os actos estão dados como provados, a interposição de qualquer recurso parece, só por si, fomentar a descridibilização do acórdão, em particular, e da justiça, em geral.
E depois, quando um advogado, literalmente ao berros,  quase insulta o colectivo de juízes, em directo e para todo o mundo, arrogando-se dono da verdade e certeza  absolutas, pouco mais restará esperar desta "justiça" adiada e moribunda que, vezes sem conta, se ajoelha perante figuras públicas, social e economicamente poderosas, mesmo que não passem de monstros asquerosos.

sexta-feira, setembro 03, 2010

CURIOSIDADES


.Clicar nas imagens. 
... há um ano...
... porque seria???
...  lá diz a sabedoria popular que "com papas e bolos..."