Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quinta-feira, julho 22, 2010

Haverá quem pense

que José Sócrates caminha lentamente para o seu fim. Não o creio, e não será de espantar que este homem, alvo de sucessivos e constantes ataques - até de índole pessoal -  ligado  a tantas trapalhadas, desmentidos e confusões conduza o PS a nova vitória daqui a 3 anos. Quem teria resistido tanto  e a tanta coisa?
Por outro lado,  aquele élan de esperança que nasceu à volta de Pedro Passos Coelho, está a desvanecer-se e não tardará muito que o desencanto se instale nos eleitores, até porque se começa a perceber que o seu projecto de governo não divergirá muito do que temos actualmente. Certo, certo é que serão sempre os mesmos a pagar a recuperação económica do país, enquanto a compra de  mansões, iates  e  carros de luxo continua em alta.
Mesmo assim, José Sócrates resolve com alguma facilidade as coisas a seu favor. As medidas anti-sociais como por exemplo o encerramento de urgências e escolas são por ele contornadas com o anúncio de novas escolas e novos hospitais.
As acusações da oposição acerca do PEC diluem-se no acordo conseguido com o PSD (que agora se quer desresponsabilizar dizendo que quem governa é o PS) e nas declarações da UE que o  dão (o PEC) como sério e no caminho certo para o combate ao déficit.
A argumentação fácil de má governação combate-a ele, com mestria, apontando exemplos e discursos de quando a oposição foi governo.
É certo que é sentimento geral que estamos a pagar por uma crise internacional que o governo sempre quis esconder, mas não é menos certo que, apesar de o executivo de José Sócrates não poder daí lavar as mãos, não lhe cabe a culpa por inteiro. 
Durante décadas nenhum governo fez dos noniliões de euros sacados aos contribuintes e dos concedidos pela UE, a mola impulsionadora do desenvolvimento do país e do seu equilíbrio financeiro.
Jamais se pode incentivar o crescimento económico quando, por exemplo,  se deixam encerrar empresas por falta de mão-de-obra. Ora, num país onde é permitido que o salário mínimo seja equiparado ao Rendimento Mínimo, quem tem de decidir entre trabalhar e ficar em casa ou passar o dia numa esplanada de um qualquer café e ganhar o mesmo, burro é se opta pelo trabalho. Que mais é isto senão um convite à castração da economia?  Distancie-se o salário mínimo dos subsídios sociais e certamente não haverão empresas a fechar por falta de trabalhadores. E ponha-se rigor na atribuição do Rendimento Mínimo, (actualmente serão perto de meio milhão de beneficiários que custam ao país mais de 500 milhões de euros) e dar-se-á um significativo salto para o relançamento da economia com base no trabalho.
Voltando a José Sócrates, não tenho dúvida alguma de que se tornou naquilo a que muitos definem como um verdadeiro "animal político", estatuto que vai consolidando também por culpa da (quase inexistente) oposição, que não apresenta alternativas.
Veja-se que até o presidente da República, se manifesta incomodado quando questionado pela oportunidade de demissão do governo - o mesmo presidente que, no tempo, foi promulgando leis contrárias aos seus princípios e ideias, e que por esta altura teria razões de sobra para arejar o Palácio de S. Bento.
Acredito que, com esta oposição, José Sócrates terá mais  fôlego do que aquele que lhe querem dar. Infelizmente - digo eu - porque a seriedade deveria ser a base de todo e qualquer político. Ora José Sócrates já provou que a sua principal arte é o malabarismo.
E o pior é que começamos a perceber que a escola de Pedro Passos Coelho é a mesma...

1 comentário:

aisongamonga disse...

Caro CR;

Restaria acrescentar que no actual contexto económico existe muita gente assustada e, diga-se, com alguma razão. Nessa ambiência de incerteza, com propostas como a de PPC, o sossego não aumenta, antes pelo contrário, o que se calhar até é bom para que não voltemos a encarar com um embrulho surpresa pior que o anterior.