Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quarta-feira, junho 02, 2010

AS ESCOLAS

O Jornal da tarde anunciava hoje o encerramento de 900 escolas até ao fim do próximo ano. Em nome da qualidade do ensino - dizia-se - já que os alunos passarão a ter as melhores condições possíveis e imaginárias, em instalações ultra-modernas, onde não faltarão salas específicas para a aprendizagem de Inglês, Informática, etc. Tudo, em nome da tal qualidade do ensino.
Ora, qualquer cidadão deste país com 40 ou mais anos, dará conta que a qualidade das actuais instalações escolares nada tem a ver com a das escolas por onde andou, e ainda bem. 
Hoje a quase totalidade dos edifícios foram renovados e modernizados, e nem os equipamentos de climatização foram esquecidos. As salas têm uma maior luminosidade, o mobiliário é moderno, a internet chegou, etc.
Mas, e a tal qualidade do ensino? Alguém concorda que melhorou? Quantos dos tais ...entas, dão erros ortográficos como uma grande parte dos universitários de hoje? Ou quantos precisam de máquina de calcular para fazer uma conta, por mais difícil que seja?
Bem sei, que hoje o que importa é o Inglês (que terá salas específicas  nos novos centros escolares); bem sei que para as contas há as máquinas de calcular; bem sei que o que importa no mundo de hoje é ter o mundo num ecrã de computador; bem sei que hoje tá-se bem pois o Word tem corrector ortográfico,  o que é bué da fixe, e por aí fora...
No futuro, não serão necessárias escolas; bastará a qualquer cidadão trazer no bolso o seu computador e puxar dele para tudo o que for necessário. Até para falar. 
Meter as coisas na cabeça é queimar neurónios. Mas, será isto a tal qualidade do ensino?
A qualidade  faz-se com uma reformulação da política da Educação e não com encerramento das escolas, que apenas acontecem por questões económicas e não por outras. E é preciso dizer isto. 
É óbvio que o país necessita de uma contenção na despesa, mas há sectores que nunca deveriam ser penalizados porque são a base da vida de um povo. Estou a falar da Educação e da Saúde, onde o investimento, por mais que seja, é sempre pouco.
Aceita-se e deseja-se a contenção nos grandes investimentos. Adiá-los não é, neste momento, sinal de fraqueza mas de   rigor e de honestidade para com os portugueses (a Espanha, por exemplo,  acaba de adiar, sem data, a ligação do TGV a Portugal). 
Adiá-los ou redefini-los para que as contas públicas se equilibrem e não, por exemplo,  para que os senhores deputados tenham mais dinheiro para transportes e viagens, como se lê [aqui].
É por isto que as medidas de agravamento fiscal geram revolta, e deveriam ser declaradas inconstitucionais até que o exemplo venha de cima. 
Espremido o orçamento do Ensino e, tendo em conta que o da Saúde lhe segue as pisadas, espera-se o encerramento de Postos Médicos, Centros de Saúde e Hospitais. Querem apostar?
O país é hoje uma enorme tenda de circo onde uns brincam e os outros pagam a brincadeira.


3 comentários:

Falcão Peregrino disse...

Pois... a propósito de encerramento de postos médicos, Canelas está na 1ª fila para ficar sem médico. O governo anunciou recentemente não permitir que os médicos reformados acumulem a reforma com o vencimento que auferem por estar a trabalhar. Como os médicos não são tolos, estão todos a mandar o governo dar uma volta ao bilhar grande e a rescindir os contratos com o Ministério da Saúde. É evidente para quem tenha dois dedos de testa que esta medida governamental absolutamente inaceitável para os médicos, mais não é do que a criação de um pretexto para encerrar postos médicos. Canelas está nessas condições, vai ficar sem médico dentro de pouco tempo. Alguém já protestou?...Alguém já fez alguma coisa contra mais esse atropelo do governo às populações ?... As autarquias, a Junta e a Câmara, já acordaram para o grave problema?... Não, claro...deixem andar e depois queixem-se!...

CR disse...

CAro Falcão:

Voltarei ao tema do Posto Médico em breve pois ontem mesmo tive conhecimento de rumores que correm por aí sobre o seu encerramento. Estou a tentar apurar a veracidade dos mesmos. Depois falaremos. Recordo que já há mais de 2 anos que digo aqui e nas Assembleias de Freguesia que esse será um cenário que nos querão impôr mais cedo ou mais tarde. É por isso também que sempre defendi o desenvolvimento da freguesia por forma a que o seu número de habitantes possa aumentar, o que ajudará, pelo menos, a manter vivas as infraestruturas existentes. Não tenho visto muito mais gente preocupada com isto.
Cpts.

Falcão Peregrino disse...

Julgo saber que, por sua parte, (infelizmente) prega no deserto e que a freguesia ainda não acordou do torpôr em que vive há bastantes anos no que respeita à sua capacidade de reivindicar e de reclamar pelo atropelo aos seus direitos. As últimas eleições foram ilucidativas de que a freguesia prefere o marasmo e o deixa-andar em vez do entusiasmo, do dinamismo e da capacidade de lutar pelo seu progresso e este caso da futura falta de médicos no posto já está a ser esclarecedor. Se me permite voltar ao tema, posso assegurar-lhe que não se trata de simples rumores. Neste caso, posso afirmar isso de fonte segura. Aliás, a Ordem dos Médicos através do seu bastonário, no princípio desta semana, referiu-se publicamente ao assunto, acentuou que o abandono do Serviço Nacional de Saúde por parte dos médicos poderia pôr em risco a existência do mesmo e nesse sentido apelou à contenção para que isso não acontecesse. Simplesmente e entrando no domínio das coisas reais e concretas, claro que os João Semana já não existem, o mundo mudou e é preciso que todos tenhamos consciência disso atempadamente e os médicos não estão dispostos a trabalhar de borla ou a prescindir da sua reforma como os iluminados do nosso (des)governo pretendem e portanto vão mesmo abandonar o serviço. Claro também que o senhor 1ª ministro, o Teixeira das finanças e a ministra da saúde também não são loucos, lá incompetentes a meu ver são muito mais do que seria admissível, mas loucos não são, sabem muito bem o que andam a fazer e como é que se acaba com um serviço básico para as populações criando alibis que lhes possam permitir disfarçar a marosca das responsabilidades deles no encerramento dos postos de saúde. Isto também porque sabem bem o povo que têm, claro, e em terra de cegos quem tem olho é rei, já há muito se sabe que é assim...O que é de lamentar é que a população e quem a devia defender assistam impávidos e serenos à perda de um serviço fundamental, não se mobilizando desde já e fortemente para tentar impedir o que está à vista, à falta dos médicos segue-se o encerramento do posto. E não sou eu, que não habito em Canelas, que vou fazer abaixo-asinados ou cortar a 109...