Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quarta-feira, junho 30, 2010

O REGRESSO DA NAU

Era óbvio que a imprensa de hoje iria catapultar a derrota da selecção nacional para principal notícia do dia.
Todos os jornais diários emolduram a primeira página  com uma fotografia alusiva a tão grave acontecimento, e o "Público" pergunta mesmo: "Que fizemos nós para merecer isto?"
Pois fizemos tudo, meu caro jornalista. E o tudo começa logo no início quando de endeusa esta gente que se nega a representar o que quer que seja (o país) se não lhe pagarem quanto querem, e se não forem tratados como reis. 
Afinal, temos tudo, desde o(s) melhor(es) jogador(es) do mundo, um dos treinadores mais bem pagos da actualidade, apoio logístico ao mais alto nível, e na hora da verdade acabamos, como sempre, ou a fazer contas pelos dedos ou de joelhos, como ontem.
E depois, a eterna mania de que qualquer jogador que jogue no estrangeiro tem de ser convocado, é mal que nunca mais acaba. É vê-los - os melhores -  a passar completamente ao lado do(s)  jogo(s).
Para quem tanto abriu a boca com a palavra "campeões do mundo", está dada a lição. Em boa hora, convenhamos.
Cabe aqui uma referência a selecções cujo alojamento se ficou por 50 euros /dia...
Provavelmente ganharão tanto como a nossa, mas deixam, sem dúvida, uma imagem de seriedade e de honestidade para com os povos que lhes pagam, muito ao contrário da lusa embaixada.

segunda-feira, junho 28, 2010

Tenho saudades do futebol.

Daquele futebol-desporto, catarse de uma semana de trabalho. Estádios cheios, relva regada com o suor dos jogadores, muitos deles a troco da barriga cheia, ou nem isso.
Sim, tenho saudades desse tempo em que cada camisola tinha o peso de um clube inteiro ou de um país, e em que a maior parte das lesões se curavam durante o próprio jogo. Futebol a preto branco que enchia de cor tardes e noites de uma época em que a televisão era o expoente máximo da tecnologia a que o povo (algum) tinha acesso. O futebol era - como se dizia na altura - para homens de barba rija. 
Hoje, transformado em  estrela, a coqueluche  o futebolista tem equipamentos ultra-modernos, leves e absorventes, dispõe de centros médicos e de treino de excelência, tem ao seu dispor os melhores meios de transporte e é pago como se da sua prestação dependesse a economia de um país inteiro.
A ânsia do lucro fácil levou os clubes a transformar o futebol num negócio de loucos.
Mas deixemo-nos de tretas. O que eu quero dizer é que amanhã, quando entrarem em campo as selecções de Portugal e Espanha, estarão em cima daquele rectângulo verde 22  jogadores cujos ordenados mensais dariam para pagar a todos os trabalhadores por conta de outrem deste país, durante alguns anos. Sim, a esses que suportam diariamente o que resta da economia deste país, a troco de 500, 600 ou 1000 euros por mês. Esses que trabalham 8 ou mais horas, de noite, de dia e aos fins de semana e que têm de pagar a crise -  mais uma!
Ora, no seguimento das medidas de combate ao déficit impostas pelo governo ao povo português, registe-se o salário do seleccionador nacional: 1.350.000€ / ano, o que o torna no 7º treinador mais bem pago de todos os que estão presentes no Mundial de 2010.
Acresce dizer que, não obstante os vencimentos pagos pelos clubes que representam, os mercenários nossos heróis que se encontram de férias na África do Sul, auferem ainda 800€/dia cada um e, para que possam repousar jogar nas melhores condições, pernoitam em hotéis com diárias de 600€ por quarto. Tudo em nome de Portugal, obviamente!
Longe vai o tempo em que envergar a camisola das quinas era um orgulho para qualquer jogador; hoje a finalidade é só uma: a projecção própria com vista a transferências milionárias. 
Pois, é por o país ser representado por esta corja de mercenários que a vitória da Espanha, a acontecer, se traduz num acto de justiça para com o povo português.
E perguntavam-me há dias, num estabelecimento aqui da terra,  se a empresa onde trabalho não  ia dar aos seus colaboradores a possibilidade de ver o jogo Portugal-Brasil... às 15h00.

segunda-feira, junho 21, 2010

sexta-feira, junho 18, 2010

PERCEBEM?

Thomas Jefferson - 1802

quarta-feira, junho 16, 2010

ORA TOMA!

Quando este homem fala fico com medo porque, geralmente, o que ele diz é o contrário da realidade.

PEDIDO DE DIVULGAÇÃO

quinta-feira, junho 10, 2010

quarta-feira, junho 09, 2010

LEMBRAR... A PROPÓSITO

"Posso dizer que o nosso relacionamento com as Juntas de Freguesia é excelente. No início do primeiro mandato, as coisas não foram logo assim, mas com o passar do tempo foram melhorando e hoje posso dizer que trabalhamos muito bem em cooperação com todas as Juntas de Freguesia do concelho. Sem excepção. A Câmara Municipal é eleita através de uma determinada lista e a Junta de Freguesia é eleita noutra lista, mas qualquer um de nós tem responsabilidades junto da população que nos escolheu. Qualquer um de nós deve, por isso mesmo, mobilizar e disponibilizar os seus meios para resolvelr os problemas que são de todos. Esta é a postura da Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia entenderam a mensagem. E diga-se em abono da verdade, têm trabalhado com a Câmara de uma forma muito positiva. (...) Claro que eu fui  eleito pelo Partido Socialista e seis das sete Juntas são lideradas pelo Partido Social Democrata mas, qual é o problema?"
(Vladimiro Silva, presidente da Câmara Municipal de Estarreja, Fevereiro de 2000, no final do 2º mandato).

"(...)só posso dizer o que os camionistas têm nas placas dos camiões "se tens inveja do meu viver, trabalha malandro". Não me parece que esta opção possa ser criticada. Quem quiser estar a tempo inteiro, também pode estar. Se quiserem trabalhar, fazendo paredes ou massa, podem fazê-lo. É uma questão de opção. Não me parece que a Câmara seja responsável pelas decisões dos executivos. Há uns que querem fazer mais que outros. Há quem não aceite fazer ruas ou passeios. Para queixarem-se que a Câmara é que não faz, convém começar por olhar para eles próprios. Passado que é o período eleitoral, continuamos a ter a mesma relação de abertura com cada um deles, independentemente da relação pessoal ou partidária. Eu tenho que trabalhar mais que os outros que estão ao meu lado. Em vez de as pessoas andarem a dar entrevistas e a dizer mal, deviam concentrar-se em trabalhar, que é o que importa. Há um tempo para trabalhar e outro para falar."
(José Eduardo de Matos, presidente da Câmara Municipal de Estarreja, 14 de Maio de 2009, no final do 2º mandato).

terça-feira, junho 08, 2010

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA

Na próxima segunda-feira, 14 de Junho, haverá sessão da Assembleia de Freguesia de Canelas para apreciação e votação do Protocolo de Delegação de Competências da Câmara Municipal de Estarreja na Junta de Freguesia.
A pedido da oposição irá ser incluído na Ordem de Trabalhos um novo ponto, a saber:
- Posto Médico de Canelas - Análise da situação actual.
Não direi que o assunto da Delegação de Competências diga algo à maior parte da população, mas a questão do Posto Médico merece a comparência, o seguimento e a preocupação de todos.

domingo, junho 06, 2010

NOTAS DE FIM DE SEMANA

José Sócrates congratulou-se ontem, em Trancoso, por ter sido o obreiro do encerramento de 2.500 escolas por este país fora. Mais 900 se seguirão, em nome do combate ao insucesso escolar, numa estúpida relação causa-efeito em que, quanto menos escolas, maior  a taxa de sucesso.
Justifica-se assim e por isso, que os alunos com 15 anos passem do 8º para o 10º ano, desde que façam os exames do 9º. Para que servem então as escolas? Fechem-se, claro!
Será o mesmo princípio aplicado à saúde e teremos assim que, menos Unidades de Saúde significarão melhor saúde.
Percebe-se que a reforma da Educação consiste então no encerramento de escolas, como a da Saúde no  de Postos Médicos e Hospitais. Estamos esclarecidos. Completamente!
Quando é que este país acorda?

POR CÁ
1- A decisão de atribuir a Medalha de Mérito Municipal a Vladimiro Silva - o homem que pouco ou nada fez, alcunhado de arrogante e prepotente, que não mereceu sequer estar presente na inauguração das obras que deixou projectadas, a concurso ou a decorrer - numa altura em que passaram já 9 anos após ter deixado a Câmara, incomoda e faz pensar... que princípios têm esta gente.

2- A nuvem negra que silenciosamente paira sobre a Unidade de Saúde de Canelas, Estarreja, sem que oficialmente alguém tenha vindo a terreiro dizer o que se passa, é sinal de preocupação. Exige-se informação e acção, sem demora, sobre este assunto com o qual já  anteriormente [aqui] e [aqui] dava mostras de séria preocupação. Estávamos então em 2008...

sexta-feira, junho 04, 2010

AGORA O POSTO MÉDICO!

No post anterior vaticinava o encerramento de Postos Médicos e Centros de Saúde num futuro próximo. Mal sabia que, nessa altura, pelos vistos, a Unidade de Saúde de Canelas, tinha já o destino traçado.
Hoje, o comentário do Falcão Peregrino nesse post, não veio aliviar nada essa premonição e, qual não foi o meu espanto ao ver na caixa de correio o link e o pedido de assinatura de uma petição on line pela Manutenção dos cuidados de Saúde na Unidade de Saúde de Canelas - Estarreja.
Fui, de imediato, ver a lista de subscritores e devo dizer aqui que fiquei ainda mais - muito mais -  preocupado, já que parece ser um dado adquirido que o Posto Médico de Canelas vai mesmo fechar, tal como alertei há cerca de 2 anos numa sessão da Assembleia de Freguesia, o que me valeu ser apelidado de profeta da desgraça.
Não vou comentar a lista de subscritores mas,  não obstante a boa vontade dos agora 19, amanhã 30 ou no próximo mês 150, devo dizer que não é com petições on line que o Posto Médico de Canelas irá sobreviver. Uma Petição destas, a favor de uma freguesia desta dimensão,  não passará de um microscópio grão de pó na engrenagem deste governo.
Baixemos à terra! Cabe em primeiro lugar ao Poder Local, a divulgação  do que se está a passar,  e a determinação na definição de linhas de acção que possam inverter o rumo dos acontecimentos, arrastando a população para as lutas necessárias. É sua a responsabilidade primeira pelo que se venha ou não a seguir.
De qualquer modo, aqui fica o link da Petição já assinada.
 É importante termos presente que só se está vencido quando se deixa de lutar. Mas há que fazer mais. Muito mais!

quarta-feira, junho 02, 2010

AS ESCOLAS

O Jornal da tarde anunciava hoje o encerramento de 900 escolas até ao fim do próximo ano. Em nome da qualidade do ensino - dizia-se - já que os alunos passarão a ter as melhores condições possíveis e imaginárias, em instalações ultra-modernas, onde não faltarão salas específicas para a aprendizagem de Inglês, Informática, etc. Tudo, em nome da tal qualidade do ensino.
Ora, qualquer cidadão deste país com 40 ou mais anos, dará conta que a qualidade das actuais instalações escolares nada tem a ver com a das escolas por onde andou, e ainda bem. 
Hoje a quase totalidade dos edifícios foram renovados e modernizados, e nem os equipamentos de climatização foram esquecidos. As salas têm uma maior luminosidade, o mobiliário é moderno, a internet chegou, etc.
Mas, e a tal qualidade do ensino? Alguém concorda que melhorou? Quantos dos tais ...entas, dão erros ortográficos como uma grande parte dos universitários de hoje? Ou quantos precisam de máquina de calcular para fazer uma conta, por mais difícil que seja?
Bem sei, que hoje o que importa é o Inglês (que terá salas específicas  nos novos centros escolares); bem sei que para as contas há as máquinas de calcular; bem sei que o que importa no mundo de hoje é ter o mundo num ecrã de computador; bem sei que hoje tá-se bem pois o Word tem corrector ortográfico,  o que é bué da fixe, e por aí fora...
No futuro, não serão necessárias escolas; bastará a qualquer cidadão trazer no bolso o seu computador e puxar dele para tudo o que for necessário. Até para falar. 
Meter as coisas na cabeça é queimar neurónios. Mas, será isto a tal qualidade do ensino?
A qualidade  faz-se com uma reformulação da política da Educação e não com encerramento das escolas, que apenas acontecem por questões económicas e não por outras. E é preciso dizer isto. 
É óbvio que o país necessita de uma contenção na despesa, mas há sectores que nunca deveriam ser penalizados porque são a base da vida de um povo. Estou a falar da Educação e da Saúde, onde o investimento, por mais que seja, é sempre pouco.
Aceita-se e deseja-se a contenção nos grandes investimentos. Adiá-los não é, neste momento, sinal de fraqueza mas de   rigor e de honestidade para com os portugueses (a Espanha, por exemplo,  acaba de adiar, sem data, a ligação do TGV a Portugal). 
Adiá-los ou redefini-los para que as contas públicas se equilibrem e não, por exemplo,  para que os senhores deputados tenham mais dinheiro para transportes e viagens, como se lê [aqui].
É por isto que as medidas de agravamento fiscal geram revolta, e deveriam ser declaradas inconstitucionais até que o exemplo venha de cima. 
Espremido o orçamento do Ensino e, tendo em conta que o da Saúde lhe segue as pisadas, espera-se o encerramento de Postos Médicos, Centros de Saúde e Hospitais. Querem apostar?
O país é hoje uma enorme tenda de circo onde uns brincam e os outros pagam a brincadeira.