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sábado, maio 15, 2010

UM MAU COMEÇO

Começa mal o novo líder do PSD.
Ao ceder, neste volte face caricato do governo, no que diz respeito ao aumento da carga fiscal sobre os contribuintes como meio para atingir a redução do déficit, demonstra não ser alternativa a este governo. E não seria difícil sê-lo, sobretudo nesta altura em que naturalmente se reconhece que uma grande parte  da responsabilidade - a principal - deste desnorte recai sobre o executivo de José Sócrates.
Dir-se-á que ainda não teve tempo, mas quem se candidata ao mais alto cargo do principal partido da oposição, e que mais cedo ou mais tarde acabará por ser governo, terá de ter trunfos para, desde o início, demonstrar que é, de facto, alternativa. E o momento exige-o!
Este estender de mão ao aumento dos impostos decretado pelo governo é preocupante. E mais preocupante se torna quando o novo líder do PSD  parece não perceber que o país vive, desde há muito, sob um verdadeiro flagelo fiscal que tem levado ao desespero e pobreza de muitas famílias, enquanto outra parte da sociedade vive douradamente, alheia a todas as dificuldades.
As [novas medidas] de agravamento tributário sufocarão de vez essas famílias mais carenciadas, abrindo brechas na justiça social, que mais não é do que um chavão deste executivo, nada preocupado com questões de justiça ou falta dela. E se o governo, cego pela determinação do abaixamento do déficit, não consegue ver o inevitável esfrangalhamento da sociedade que está a provocar, exigia-se ao PSD outra postura, outra visão e outras soluções a negociar nesta altura.
O aumento de impostos, a redução de salários, a diminuição das deduções fiscais e outras medidas do género, retirarão aos portugueses poder de compra e funcionarão como redutoras do desenvolvimento económico. Parece óbvio!
Mas, para quem governa, este é o caminho mais curto e fácil e, se tudo correr bem, daqui a 2 ou três anos, aí os teremos a bajular-se com o feito histórico jamais  alcançado. Pelo caminho ficam os destroços de uma parte da sociedade a viver miseravelmente, sem emprego e economicamente sugada. E o PSD terá aqui a sua quota parte de culpa.
Exige-se rigor e este tem de começar por cima. Esta gente que levou o país à situação em que se encontra, e que foi e continua a ser paga e bem paga -como se estivesse a fazer um bom trabalho - e que agora nos obriga a todos a sacrifícios violentos deveria, no mínimo, deixar de receber qualquer cêntimo até à estabilização da economia. E nem assim pagariam pelos os estragos que provocaram. Retirar-lhes 4 ou 5% do vencimento traduz-se em meras e ridículas comichões...

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