Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quarta-feira, maio 19, 2010

Está na ordem do dia

o tema dos casamentos homosexuais. Já aqui referi há algum tempo que pouco me importa a orientação sexual de cada um. Deve ser respeitada, partindo do princípio de liberdade consignado na Constituição e, a partir daí, cada um que faça o que melhor lhe der jeito e nada mais. O que vai além disso é que me parece preocupante.
O diploma agora promulgado, não se fica pela alteração à lei - essa seria preocupação menor - mas altera um conceito milenar em que assentam as sociedades, envaziando por completo e em absoluto os conteúdos de casamento e família. Ora é nisto que discordo, por uma questão de princípio. Um dia destes, provavelmente, estaremos a ser confrontados com propostas de bigamia, legalização do incesto e sabe-se lá o que mais, pois nestes tristes pseudo-sinais de modernidade, o país esfalfa-se para estar sempre na linha da frente.
Por outro lado, a forma irritante como certa gente usa o argumento da igualdade de direitos numa tentativa de sustentação deste contrato, como se a justiça punisse quem quer que seja pelo facto de se assumir como homosexual, parece-me  abusiva Ora, por mais leis que se façam a dar cobertura a esta subversão contra-natura, os seus adeptos serão sempre considerados a excepção. Quer queiram ou não.
Reconheço que não será fácil para muitos a assumpção pública da homosexualidade e não é a lei que o vai tornar mais fácil, da mesma forma que a falta dela não inibe os que optam por se assumir. Estamos então perante a obrigatoriedade de impingir à sociedade um novo conceito social para o qual nem sequer houve a inteligência suficiente para  descobrir um termo que o defina, já que designá-lo de casamento é uma aberração.
Incompreensível é a atitude do Sr. Presidente da República que, mais uma vez,  promulga uma lei com a qual está em desacordo, dizendo que o que importa é não desviar a atenção do país para a necessidade de lutar contra a crise que o país atravessa. Disse ainda que " há momentos na vida de um país em que a ética da responsabilidade deve estar acima das convicções pessoais de cada um".
Resta dizer, em análise a estas palavras que, arrumado que está o assunto, já todos podemos concentrar-nos na recuperação económica do país - pelos vistos eram os homosexuais que estavam a desviar a atenção para o assunto.
A respeito das convicções pessoais (relegadas para segundo plano), bom seria que o Sr. presidente se lembrasse que muita gente votou nele precisamente por elas. O cargo que desempenha exige-lhe  verticalidade e coerência, coisas que com alguma frequência vai esquecendo.

Sem comentários: