Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, maio 16, 2010

A ESCOLHA DA SEMANA

A visita de Sua Santidade, o Papa, Bento XVI, marcou a semana política, social ou religiosa de todos os Portugueses.
O acontecimento serviu para tudo, mesmo até para, de uma ou outra forma, misturar a visita do Papa com os problemas económicos do país, como se também ele fosse co-responsável pelos mesmos.
Estou certo que não terá sido a permanência de Bento XVI por três dias entre nós que terá agravado as contas públicas a ponto de merecer o fel de alguns opinion maker's cá do burgo. Tão pouco terá servido para que os portugueses esqueçam a carga de impostos que aí vêm, como também se escreveu por aí. Os portugueses não esquecem ou não precisam esquecer, porque não têm  a verdadeira noção do descalabro actual. Esta parece-me ser a triste realidade.
Posso dizer aqui que não me impressionou a visita do Papa. Vejo-a, utilizando uma linguagem bíblica, como a de um pastor que visita o seu rebanho. E, mesmo não concordando com certos engalanamentos que marcaram o acontecimento, e lhe conferiram algum exagero desnecessário, nem por isso deixo de reconhecer que se tratou de um marco na vida de muita gente. Gente que tem Fé e que quis, de livre vontade, e a expensas suas, estar presente. Não me parece que, por isso, sejam seres menores ou envoltos em mediocridade.
Acredite-se ou não em Deus, na religião ou na igreja, parece-me revelador de falta de carácter o desrespeito pelo sentimento de milhares de cidadãos - crentes ou não - que quiseram comungar deste momento.
Uma coisa seria ignorar o acontecimento; outra é fazer dele  um incómodo tamanho, capaz de gerar ódios e crónicas patetas.
Houve, de facto, um sinal de hipocrisia, mas  partiu do governo que, por um lado, cria e aprova leis contra os mais básicos princípios da igreja e por outro, concede tolerância de ponto no dia 13 de Maio fazendo da visita do Papa um acontecimento  político do mais alto nível.
É esta dualidade que revela sinais de mediocridade e que se não compreende.

4 comentários:

Falcão Peregrino disse...

E Cavaco Silva?!... Durante 3 dias reverencia o papa por todo o lado, recebe-o em audiência privada à família, mostra uma face de católico irreprensível...
Dois dias depois do papa virar costas, promulga essa aberração anti-natura e anti-religião católica que é o casamento gay... Que incoerência, que hipocrisia... e é este senhor presidente da República!... Por mim, não vai voltar a ser, de políticos destes está Portugal cheio, mas a mim só me enganam uma vez...

CR disse...

Inteiramente de acordo, meu caro Falcão. Nem mais!
Um abraço.

Falcão Peregrino disse...

Caro CR
Primeiro, penitencio-me por ter escrito irreprensível em vez de irrepreensível. Para mim, escrever português correctamente ainda é importante e por isso fico, como se costuma dizer, pior que estragado quando constato que...meti água, ainda que neste caso não tenha sido por ignorância.
Segundo, como se percebe pelo meu comentário de ontem, fiquei indignado pelo PR ter promulgado a farsa. Apesar de alguns desencontros antigos e outros mais recentes, considerava Cavaco Silva num plano de carácter, ético e moral muito mais acima. Enganei-me e fiquei frustrado e desiludido. Neste ponto da situação, gostaria de clarificar que, não obstante considerar a homossexualidade um acidente da natureza, ela existe, é um facto, e portanto essas pessoas têm também direito à sua dignidade e à salvaguarda dos seus interesses materiais. Simplesmente... casamento é outra coisa, repugna-me chamar casamento à união de duas pessoas do mesmo sexo e nem vale a pena discorrer muito sobre isso,já muitos outros antes de mim o fizeram no mesmo sentido em que eu entendo a palavra casamento e o seu significado. Contrato, compromisso, união de facto, enfim, havia muitas outras designações aceitáveis, apropriadas e que não feriam a susceptibilidade de quem acredita firmemente que o casamento não é a união de duas pessoas do mesmo sexo.
Terceiro, hoje tive oportunidade de ouvir em diversas conversas aqui e ali o que pensam sobre a decisão do PR um conjunto de outras pessoas e a reprovação e a indignação foram unânimes, umas mais discretamente, outras mais açirradas. Desde a senhora empresária que sempre votou em Cavaco Silva desde a primeira maioria absoluta e que dizia "Acabou! Nesse senhor, nunca mais!" até ao grupo de jovens engravatados com ar de executivos que à hora do almoço tomavam gafé num dos quiosques do ForumCoimbra e discutiam ruidosa e apaixonadamente a questão e surravam severamente Cavaco Silva... em Coimbra, a suposta cidade progressista, do pensamento evoluído, de todas as tolerâncias e tendências...
Do que ouvi hoje, fiquei a imaginar o que vai por esse Portugal fora na cabeça dos portugueses que ainda a têm...Não vale de nada, o PR Cavaco Silva promulgou a aberração, o mal está feito, mas hoje, ao cair da noite, parece que já não sinto tanto a irritação insuportável de ontem, não que me tenha resignado, mas acredito que esta tarde funcionou para mim como um braço de conforto, como um manto de solidariedade...

CR disse...

Caro Falcão,
Congratulo-me pela forma como escreve e também pela comunhão de ideias que aqui vamos partilhando pontualmente.
Sobre a temática deste post, estamos em perfeita sintonia. Subscrevo e sublinho, se me permite, tudo o que disse nos dois comentários que aqui deixou.
Um abraço,

CR