Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

terça-feira, março 09, 2010

P(ois) E(stamos) C(ondenados)

Apresentado ontem ao país o Plano de Instabilidade Estabilidade e Crescimento, nenhuma novidade daí advém; será, mais uma vez, a classe média a "pagar as favas".
Desde já, estima-se que 2,5 milhões de contribuintes irão ver o seu IRS agravado, directa ou indirectamente. E este é tão só o início da bola de neve que se adivinha avassaladora nos próximos tempos.
O fantasma do déficit veio para ficar. Nenhum desgoverno conseguiu até hoje um exercício positivo que culminasse com o equilíbrio das contas públicas e com o fim da  desproporção entre o deve e o haver. Todos os Orçamentos  têm nascido enfermos desta debilidade traduzida na supremacia das despesas sobre as receitas.  Traduzindo à letra, significa isto que o Estado gasta mais do que consegue arrecadar, ou seja, o endividamento e a dependência de outrem tem sido constante.
Depois, quando a situação dá mostras de começar a ser incontrolável, o que há a fazer é esmagar  vergonhosamente os contribuintes, sobretudo os da classe média que sempre foram a base das receitas do Estado. É a forma mais fácil e com  resultados imediatos.
E que tal se o PEC ao invés de congelar os aumentos na Função Pública por exemplo,  começasse pela redução do número de deputados da Assembleia da República para 150, ou seja, cerca de 2/3 do número actual? 
E, se  reduzisse para metade as mordomias dos que restassem,  quanto se pouparia?
E se se acabasse com a acumulação de reformas milionárias? 
E se combatesse verdadeiramente a fuga ao fisco de milhares de profissionais liberais e outros?
E se se banissem os paraísos fiscais?
E se acabasse com as promoções dos incompetentes amigos para os mais altos cargos das empresas públicas?
E se os milhões indevida e mensalmente pagos   por conta do Rendimento Mínimo e outros fossem substituídos por emprego ou se se obrigasse quem os recebe, a trabalhar para o bem público, nas autarquias, por exemplo?
E se se responsabilizassem todos os que produzem  as habituais derrapagens financeiras dos investimentos públicos?
Pois... é bem mais fácil congelar aumentos salariais e retirar benefícios fiscais - que se traduzem indirectamente no aumento da carga fiscal - mesmo a quem ganha, por mês, pouco mais de 500 euros!
Não é o povo que governa o país, logo não é o povo o responsável por este estado de coisas. Então porque é que tem de ser o povo a pagar sempre pelas sucessivas más governações do país, enquanto os responsáveis passam completamente à margem das dificuldades e vão engrossando constantemente o seu pecúlio?
Quando é que todos percebemos isto?




1 comentário:

aisongamonga disse...

Mais própriamente, quando é que cessa a responsabilização política e se inicia a responsabilização criminal?