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sábado, fevereiro 06, 2010

OPINIÃO

O último número do Jornal de Estarreja, de 05 de Fevereiro traz, na sua segunda página, mais um artigo de Opinião de um conhecido e já habitual escriba que, com toda a certeza, se não importará que lhe dedique aqui algumas linhas, uma vez que estes abafos ou desabafos que por aqui se vão escrevendo, não têm público que se veja. Serão, portanto, coisas minhas apenas.
Deglutido (mal) o tal artigo, atrás referido, fiquei na dúvida se teria lido a mesma entrevista que o autor do dito, a tal que lhe terá flashado o pensamento por forma a produzir este escrito impregnado de uma corrosiva acidez. É que, da forma como se atirou à entrevistada, qual cão raivoso - perdoe-me a imagem - parece ter sido severamente sovado.
Confesso que tive de reler a entrevista em causa, para me certificar mesmo que um de nós estava a ver estrelinhas em pleno dia.
Não é minha intenção, nem teria sequer essa veleidade - nem disso se trata - defender aqui a entrevistada; ela, com o seu "autoritarismo e arrogância", saberá bem fazê-lo, certamente, se o quiser, tal como outros bem conhecidos da nossa praça.
Contudo, parece-me já completamente despropositada esta pretensão de querer manter o clima de guerrilha que foi tão criteriosamente instalado junto da opinião pública antes e durante a campanha eleitoral e a que este artigo parece dar continuidade.
E é como leitor anónimo que me refiro à entrevista da Marisa Macedo e ao artigo do José Matos, para dizer que, quanto à primeira, exceptuando algum exagero na comparação com a violência doméstica, considero-a realista, tendo em conta o enquadramento em que a mesma se dá.
Toca, ainda que ao de leve, nalguns aspectos (que podem explicar, em parte, o insucesso eleitoral) da realidade do concelho quando refere, por exemplo, a falta de ambição, o contentar-se com tão pouco, a escolha dos partidos em detrimento das pessoas, etc. E não é isso verdade? E será isso insultuoso para o povo, como se tem dito?
O que tem a entrevista que possa ser considerado "truques de linguagem, insinuações, descontextualização de frases, manipulação e deturpação de factos"?
O artigo do José Matos, começa mal ao voltar a referir-se pela enésima vez ao "desastre eleitoral de Outubro". Já começa a ter sabor a um certo e repudiante sadismo. Fica-lhe mal tanto ódio, enquanto cidadão com responsabilidades políticas, esvaziado que parece de qualquer conteúdo válido que não o servilismo partidário.
Ora, comparar o incomparável (as vitórias de Vladimiro Silva e José Eduardo Matos) é um exercício de clara manipulação. Veremos os resultados eleitorais quando a coligação se desfizer, e os concorrentes partirem assim lado a lado. E estou certo que não faltará muito para que tal aconteça. Só nessa altura saberemos quem tem "pedalada" para lá chegar. Aliás, não tenho qualquer dúvida que o CDS teria, por si só, conseguido alguns lugares nas Assembleias de Freguesia ou mesmo nos executivos, evitando as trapalhadas a que se sujeitou.
Por outro lado, a alusão feita à "ignorância dos eleitores", supostamente referida na entrevista, mas com o sentido que lhe pretende dar, não é uma atitude séria nem isenta. A não ser que se queira referir aqueles que votam sem saberem quem são os candidatos ou sem conhecerem uma linha sequer do que pretendem fazer, e são ainda muitos, infelizmente.
Por fim, a teoria de que a maioria tem sempre razão, como pretende fazer crer, não colhe da minha parte qualquer simpatia. E nem será necessário recuar muitos anos para perceber isso mesmo. Concordará o JM que o povo votou bem quando deu a maioria ao governo PS? Não me parece. No entanto foi uma escolha legítima, tal como em Estarreja, o que não significa que tenham sido as melhores escolhas.
As maiorias são sempre perigosas porque facilmente conduzem ao abuso do poder. Foi assim com Cavaco Silva (talvez o governo mais contestado até hoje, record de manifestações e greves), e foi assim com José Sócrates. É preferível assim, uma boa consertação entre os vários partidos e o governo, para ajudar a repôr as regras da democracia, e evitar os exageros. Mas, para isso é preciso que se abandone o tal "clubismo partidário" instalado na classe política, coisa que parece completamente impossível, mesmo a nível local.
Uma nota final para referir que a mistura de questões politico-partidárias com aspectos pessoais (referências a marido/mulher, etc.) é demonstrativa de alguma falta de decoro, e encerra um texto mau, que não traz qualquer novidade nem acrescenta nada de válido ao panorama político do concelho.

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