Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

É óbvio

o abismo que existe entre mim e o autor do blog Terra Nostra a respeito do pensar a política e que está bem patente [neste] post. Embora respeite a sua forma de pensar/estar a este respeito, jamais poderia concordar com ela. E não se trata de situações pontuais mas de divergências de fundo. Ambos bebemos das linhas da Social-democracia mas com uma nuance que me parece significativa: é que eu nunca deixei de estar em desacordo quando achei que tinha motivos para isso nem de tomar as minhas opções, tenham sido elas a nível local ou nacional com base nessa liberdade que nunca deixei que me roubassem.
Mas, já que o José Matos quer falar de política, falemos então de política com base no seu penúltimo post.
Antes de mais, importa saber distinguir e aclarar que, e como já referi várias vezes, presentemente a política para mim reduz-se a este cantinho do distrito de Aveiro, designado de concelho de Estarreja, com particular incidência nesta minha freguesia de Canelas, porque a nível nacional, a desilusão é suficiente para que o desalento e o descrédito se tenham instalado há já alguns anos.
Mas passemos então a comentar:
1 - Desastre eleitoral
Fui, talvez, uma das primeiras pessoas a assumir a derrota. Escrevi-o [aqui] em 12 de Outubro e o Zé leu com toda a certeza. Continuar insistentemente a falar das eleições e dos resultados, sejam eles bons ou maus parece-me já doentio.
Quanto à líder do PS, nada tenho a ver com a tomada de posição que a mesma venha a tomar. O José Matos sabe perfeitamente os motivos que me levaram a entrar neste desafio (autárquico) e da minha distância relativamente a qualquer partido. A minha independência a todos os níveis foi a única condição imposta de parte a parte. Mas, se quer mesmo saber o que penso sobre este ponto – tal como diz – eu digo-lhe. Se há alguém com direito a exigir alguma tomada de posição, explicação ou assunção de culpa à Marisa Macedo, parecem-me ser os militantes do PS e não o José Matos. Não se percebe o porquê de tanto o incómodo com a organização interna do PS local. Persistir neste tipo de discurso é sintomático de uma atitude que refuto e da qual me distancio. O PSD perdeu 2 eleições legislativas consecutivas vindo de duas derrotas em eleições presidenciais e não vi por aqui tanta insistência em querer espezinhar quem quer que seja, nem o PS a pedir a cabeça do/a líder do PSD.
Nesta altura, passados 3 meses sobre as eleições, o tempo deve ser de trabalho e defesa dos interesses do concelho, e o José Matos deveria estar mais preocupado com isso do que com o PS.
Sabe, José Matos, até nas vitórias – e sobretudo nelas – é preciso ter dignidade e saber respeitar os que perdem. Lembre-se que um homem não está derrotado quando perde mas apenas quando deixa de lutar.
2 – Contas.
Quanto às contas, que o José Matos tanto gosta de fazer, a mim nada dizem e por uma simples razão: nunca em lado algum disse que o actual presidente da Câmara não fez obra durante os dois mandatos anteriores. Disse, e repito, que tinha ignorado as freguesias mais pequenas do concelho. Disse, e repito, que foram os próprios presidentes das juntas de freguesia do concelho que, quase em uníssono, apontaram o último mandato como sendo mau. E, no entanto, o Dr. JEM voltou a ganhar. Há que respeitar isso e eu respeito, o que não quer dizer que concorde.
Obviamente que há mérito do candidato mas é um mérito relativo. Todos sabemos que há ainda uma grande faixa do eleitorado que vota no partido independentemente de quem seja o candidato. Não fosse assim, pergunto como teria ganho o Dr. JEM as primeiras eleições, sendo na altura um quase ilustre desconhecido, no que diz respeito às andanças políticas. Das duas uma: ou as pessoas votaram no desconhecido ou votaram mesmo no partido. Quer queiramos quer não, a realidade (e a história) diz-nos que o peso partidário tem ainda uma relevância suficiente para influenciar o eleitorado. E isso tem até o seu quê de normalidade; o que não me parece normal é negá-lo.
As palhaçadas feitas aqui em Canelas, por exemplo, a dois meses das eleições, são manifestamente a prova provada de que o edifício tremeu. E tremeu porque nessa altura alguém se apercebeu que, de facto, havia razões de preocupação. Se as consciências estivessem tranquilas, tudo teria continuado como até então.
Dizer que há falta de ambição do eleitorado, tendo em contra os projectos que o Fernando Mendonça tinha para cada freguesia e para o concelho, parece-me claramente a expressão certa e não vejo nela qualquer ofensa para quem quer que seja.
Por outro lado, essas contas não são assim tão lineares. Sê-lo-ão quando cada candidato tiver atrás de si um único partido. Quando me referi a este aspecto fui claro ao dizer que o CDS, por si só, poderia ter metido (mais) elementos nas assembleias ou mesmo nas juntas de freguesia. Não me referi à Câmara Municipal.
3 – Manipulações
É o que o José Matos pretende fazer ao insistir que fui atrás de teorias de outrém "... como aquela da Ferreira Leite não querer construir o novo hospital em Estarreja já aqui discutida e na qual o Camilo alinhou sem ver ao certo o que é que MFL tinha dito na verdade".
Não vale a pena insistir, meu caro. Não trago atrás de mim nenhum partido nem ninguém a colocar-me palas nos olhos. E disso me prezo, pode crer.
Lamentavelmente, os link's não funcionam de igual modo em todos os PC's. Caso contrário, não deveriam restar dúvidas do que disse MFL pois bastaria clicar [
aqui] e procurar no 4º comentário os dois endereços que lá constam. De qualquer modo, e na esperança que o vídeo do youtube funcione para todos, aí fica o dito com o que MFL disse e com o que diz que não disse.

Em que ficamos? Claro que não falou em hospitais e muito menos em Estarreja, como não falou em coisa nenhuma sendo que o "todas" me parece claro demais. Obviamente que o Zé sabe que não era isso a senhora não queria dizer... mas nós não sabemos. Quanto ao que englobam as políticas económicas e sociais e, como nada foi referido em concreto além de "todas", no mínimo fica a dúvida...
Bom, mas para que, mesmo assim, não reste dúvida alguma, [
aqui] fica um dicionário da Língua Portuguesa onde se pode ler o significado de "rasgar", "romper" e "todas".
4 - "Chamou burros ou atrasados a quem não votou no PS."
Se há manipulação em algum lado, aqui está ela no seu estado puro. Percorri novamente toda a entrevista (você dá trabalho!!!), não fosse ter-me escapado alguma coisa, mas confirmei que, em lado algum, constam tais palavras. E a dúvida instalou-se-me: será que a entrevistada veio, mais tarde, dar uma de MFL e dizer que... afinal não disse? Francamente!
Eu sei que o JM tem um dom especial que lhe permite traduzir o pensamento dos outros, o que faz com que, quando convém, transforme o que outros dizem no que quer que eles digam. Mas, já agora, a quem [neste] post classifica, de uma assentada, milhões de portugueses de "ingénuos" pelo simples facto de jogarem no Euromilhões... ou se sente com direito de julgar como lixo o que outras pessoas escrevem, como refere no seu último post, não haverá muito mais a dizer.
E, também por isso, encerro aqui a minha "saga" com o amigo José Matos, na certeza de que vemos a realidade de formas completamente distintas.
Por vezes fico com a sensação que o meu caro ficaria bem consigo mesmo se ouvisse ou lesse da minha parte uma palavra de arrependimento pelas opções que tenho tomado, nomeadamente a respeito das últimas eleições autárquicas. Desengane-se. Estou de bem comigo mesmo e faria tudo de novo, pode crer, porque continuo a acreditar nos projectos e nos homens em que acreditei. E faço-o conscientemente.

3 comentários:

Anónimo disse...

É uma resposta de grande nível, não há dúvida.

Anónimo disse...

lolololol... nao trazes partido atras? será a frente???

Anónimo disse...

Dá gosto pensar que em Estarreja há quem pense e escreva com esta clareza e com esta inteligência.
Parabéns!