Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A BATER NO FUNDO

Não fosse a seriedade do assunto e começaria por dizer que Portugal é hoje o bobo da corte europeia.
Não me parece que seja necessário vir um Comissário Europeu dizer [aqui] o que qualquer cidadão responsável e minimamente atento há muito sabe. Mas nós portugueses somos assim; tem de vir alguém de fora colocar a chancela na nossa triste realidade para que acreditemos, pelo menos um pouco, que isto está mesmo mau. Está-nos na massa do sangue.
De facto, há muito que o país caminha para o abismo, muito embora ninguém pareça importar-se com isso.
Diz o tal Comissário que "Portugal perdeu competitividade desde que aderiu à Zona Euro". É óbvio! Que se espera quando se dão subsídios para que não se produza, para que não se pesque, para que não se trabalhe ou para adiar o encerramento de empresas por dois ou três meses? Sim, que esperar de um país que gasta milhões em rendimentos mínimos, ao invés de apostar forte na criação de emprego? Que esperar de um país que se endivida a cada dia que passa, mas que não abdica, por exemplo, de algumas obras públicas monstruosas e de interesse relativo? Que esperar de um país que vai sufocando o seu povo para que a classe alta mantenha o seu padrão de vida?
E quando é que vem aqui alguém dizer que os responsáveis por esta miserável situação económico-financeira têm nomes? Nomes que importa responsabilizar e afastar para sempre da gestão pública.
A verdade é que quando é o PS a "lixar-nos", o PSD entretém-se a ajudar à festa; quando a situação se inverte, é exactamente o mesmo. E disto não saímos.
O parlamento é hoje um palco onde se produz teatro com péssimos actores para o povo ver e aplaudir.
O país precisa urgentemente de uma nova geração de políticos mas precisa, sobretudo, de uma nova cultura política.
Uma cultura política assente em gente que tenha um verdadeiro sentido de Estado, e que não diga uma coisa quando está na oposição e faça o contrário quando chega ao poder.
Gente que entenda que é preciso:
- cortar drasticamente na despesa pública;
- acabar com mordomias mais mordomias, que elevam os salários base dos que mais ganham para mais do dobro;
- exigir rigor a si própria antes de o exigir ao resto do país;
- explicar conveniente e claramente onde vão parar os impostos que nos são cobrados;
- mostrar em que beneficiou o país com os biliões e biliões de Euros que a Europa aqui injectou até hoje;
- responsabilizar quem mal governa;
- deixar-se de Magalhães e de Novas Oportunidades, que apenas emburrecem o povo;
- apostar, sem reservas, no combate à criminalidade e à insegurança;
- exigir aos contribuintes - mas a todos - o cumprimento dos seus deveres;
- enfrentar seriamente o problema da fuga aos impostos e resolver todos os casos de corrupção que vão surgindo;
Gente que nos explique convenientemente e traga credibilidade aos casos: Casa Pia, Portucale, Operação Furacão, Cova da Beira, Herdade dos sobreiros, da morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa, da compra dos submarinos, das escutas ao primeiro-ministro, dos casos das Universidades Independente e Moderna, Apito dourado, dos terrenos do Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros, Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Isaltino Morais, da Braga parques, dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida, do processo Costa Freire / Zézé Beleza, do miúdo electrocutado no semáforo, do outro afogado num parque aquático algarvio, das crianças assassinadas na Madeira, do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico, do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal, dos crimes de evasão fiscal, dos negócios do grupo Carlyle, do médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência, etc, etc... Enfim, gente que nos tire deste lamaçal.
O problema é que, ao olhar em redor, não se vê ninguém capaz de o fazer.

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