Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, fevereiro 28, 2010

QUE FUTURO?

Diariamente surgem notícias que engrossam o iceberg que envolve o primeiro ministro e alguns seus colaboradores mais ou menos chegados.
Os casos são muitos, desde o Freeport à Face Oculta, passando pela licenciatura e pelas tentativas de controlo de órgãos de informação.
É certo que até agora nada está provado (nem desmentido)e, mesmo que venha a estar, haverá sempre quem, por óbvia conveniência, se recuse a aceitar a realidade.
Mas, e se [tudo isto], [isto] e [isto] e muito mais, for verdade? O país continuará a fechar os olhos como se nada fosse?
A evidência é que hoje José Sócrates é um primeiro ministro fragilizado e encurralado nas políticas de castelos no ar que ele próprio criou, numa tentativa de esconder a realidade do país. Uma realidade que emana também da difícil conjuntura internacional, mas que o primeiro ministro quis esquecer, e para a qual não soube encontrar outra resposta que não tentar vender a ideia de que Portugal estaria imune aos ventos funestos que açoitavam o resto da Europa e do mundo. O resultado está à vista.
Parece-me que, nesta altura, apenas duas opções se afiguram como viáveis, sendo que nenhuma delas é solução para nada: a demissão do governo ou a substituição do Primeiro Ministro.
Ora, atendendo a que estamos a caminho de eleições Presidenciais, não se prevê que o Sr. Presidente da República corra com o governo porque isso iria custar-lhe alguns milhares de votos, como é facilmente perceptível. É também verdade que Cavaco Silva não é exactamente o protótipo do político coerente que tem o interesse do país acima dos seus próprios interesses. Caso contrário, teria já tomado uma posição pública de apoio ou de falta de confiança no governo, tal como o fez em relação a Santana Lopes. Percebe-se porquê: por um lado a prudência de não fazer ondas até às presidenciais e por outro, a necessidade de dar tempo ao PSD para se reorganizar, com vista a poder enfrentar o eleitorado.
Por outro lado, só uma questão de orgulho pessoal faz com que José Sócrates não tenha ainda decidido ir "pregar para outra freguesia". O próprio PS percebe que as trapalhadas são tantas que algo tem de ser feito, só que a única forma de tirar algum benefício da situação é atirar essa responsabilidade para cima do Presidente da República, esperando que o mesmo decida agir.
Por mim não tenho dúvida que, se as coisas se mantiverem até às eleições presidenciais e, caso o prof. Cavaco Silva ganhe o segundo mandato, como é provável, daí não passam e, ou o PS arranja até lá um novo primeiro ministro, ou teremos eleições legislativas antecipadas.

sábado, fevereiro 27, 2010

A ESCOLHA DA SEMANA



Uma brincadeira que aqui em Portugal daria, certamente, lugar a um chorrilho de insultos, na melhor das hipóteses.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

INICIATIVA INÉDITA (OU QUASE)

No próximo domingo irá ter lugar uma iniciativa sui generis, na estrada Avanca-Pardilhó, como se publicita através [desta] Convocatória.
Poder-se-ia dizer, a respeito, que o objectivo é "Tirar Pardilhó do Centro Cívico e virá-lo (também) para a Ria."
Olha se a moda pega!!!

CAMPANHA DE RECOLHA

de bens essenciais para envio para a Madeira.


Os CTT lançaram uma campanha nacional de recolha de bens essenciais para envio para a Madeira, no âmbito do seu Programa de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social, com aceitação em todas as 900 Estações de Correio do País. Basta a qualquer pessoa dirigir-se a uma Estação de Correios, pedir a caixa solidária grátis, enchê-la com os bens e marcar como destinatário a palavra MADEIRA.

Não é preciso selo nem completar a morada e o envio é grátis. Os CTT tratam de entregar os bens.

A Instituição destinatária será a Caritas da Madeira que já informou que estavam a precisar principalmente dos seguintes produtos/bens:

- Lençóis

- Cobertores

- Mantas- Almofadas

- Roupa interior (H/ S e criança)

- Roupa em geral

- Produtos de higiene

- Fraldas- Leite em pó

- Comida para bebé

- Enlatados

Toda a informação aqui.

As caixas são como estas da foto. Basta encher com alguns bens, levar a uma Estação de Correios e serão enviados.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

OLHAR EM FRENTE

É impossível ficar indiferente aos contecimentos recentes na Madeira. O brutal rasto de destruição fere profundamente as consciências e põe a claro a fragilidade da vida. De repente, tudo é nada.
Três dias depois da tragédia, os principais meios de comunicação continuam a fazer daquela gente e dos destroços das suas vidas os seus apetecidos pontos de referência. Imagens que já todos vimos mil vezes, perguntas estúpidas de alguns repórteres, tipo "o que está a sentir neste momento", directos e mais directos que nada acrescentam, continuam a ser o prato do dia de todos os canais de televisão.
O respeito pelos que morreram e por todos os que perderam tudo, impunha que o sensacionalismo, que tantas vezes está na base da informação, fosse muito mais comedido.

sábado, fevereiro 20, 2010

(IN)CONSTÂNCIAS







[Este post], sem sombra de dúvida, o escrito da semana.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

O EXEMPLO DE CIMA

Numa altura em que a crise interna do País serve até para tristes comparações com a Grécia, é interessante saber que, só a Assembleia da República e os seus ilustres inquilinos irão devorar, no corrente ano, mais de 38 milhões de contos.
Está tudo [aqui] e vale a pena perder 10 minutos a ler todas as rubricas.
E depois há quem se admire do estado de descredibilização da política...

Entrudo 2010 - 3

Sete minutos e treze segundos de fama no YouTube.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Entrudo 2010 - 2



Clicar na foto acima.

ENTRUDO / CANELAS - ESTARREJA

Aqui houve Entrudo Trapalhão, como manda a tradição.
(Clicar na foto acima para visualizar em Slideshow).
Para ver as miniaturas, clicar [aqui].

sábado, fevereiro 13, 2010

A ESCOLHA DA SEMANA

"Manuela Ferreira Leite diz ter cumprido todos os objectivos e que continuará deputada."
Ler mais «aqui».
Este cumprimento de todos os objectivos é, de facto, merecedor de uma, ainda que breve, análise.
É certo que, a ainda líder do PSD, não referiu quais foram os seus objectivos enquanto presidente do PSD, mas não será difícil apontá-los, numa perspectiva clara e séria
.
1.º - Ser governo.
Qualquer líder dos dois maiores partidos tem esse objectivo como legítimo e primeiro.
- Falhou. Nem só o PSD não foi governo com MFL, como a perda da maioria absoluta do PS se não deve ao PSD. Vd. quadro abaixo.

- Aumentar a votação nas eleições autárquicas.
Partindo da análise dos resultados obtidos pelo PSD sozinho, temos que no reinado de MFL o PSD baixou 5,8%, pelo que é mais um objectivo falhado.
3º - Unir o partido e relançá-lo.
Parece-me outro objectivo falhado. Muitas foram as vozes internas discordantes do discurso da líder, e o aparecimento de 3 candidatos em disputa pela liderança revela, claramente, que o partido se encontra dividido em vários grupos que chocam internamente.
4º - Ser oposição credível ao governo.
Apesar de ser um objectivo de recurso pelo facto de não ter chegado ao governo, era uma missão importante e mais uma vez o PSD falhou.
O partido nunca se afirmou como alternativa ao mau governo de José Sócrates e o eleitorado percebeu-o claramente. Crescer 0.4% ao fim de 4 anos é revelador da oportunidade perdida.

Estes seriam, na minha perspectiva, os objectivos naturais a alcançar por MFL e pelo PSD. É claro que a líder do partido poderia ter outros. Só ela o saberá.


sexta-feira, fevereiro 12, 2010

A QUEM POSSA INTERESSAR

TGV: Governo dá «luz verde» ao Aveiro-Gaia

O Ministério do Ambiente deu «luz verde» ao troço de alta velocidade Aveiro-Vila Nova de Gaia, que integra a futura linha Lisboa-Porto, impondo condicionantes, anunciou esta terça-feira a Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE).
Ler mais [aqui].

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

CANDIDATOS

São já 3, os candidatos à liderança do PSD.
É certo que o partido se afirma como democrático e, nessa base, podem surgir diversas candidaturas à sua presidência. Contudo, olhando para os últimos 10 ou 12 anos de vida interna do PSD, e para todos os que já foram candidatos a presidentes ou que lá chegaram (e já foram todos, ou quase todos os "ilustres"), fica-se com a ideia de que a principal preocupação tem sido queimar/substituir líderes.
Confesso que estava a seguir, com alguma expectativa, o envolvimento do Pedro Passos Coelho, que me parecia capaz de trazer uma lufada de ar fresco ao partido, se se conseguisse rodear de um núcleo duro forte, coeso e determinado a erguer o partido das cinzas em que se arrasta, cortando a direito aquilo que são os vícios da política actual.
Privei com o Pedro nos nossos tempos da "Jota." Foi nesses longínquos tempos em que, aqui por Canelas, havia um núcleo de cerca de 20 elementos, que seguiam de perto e com interesse a política nacional e local, e que reuniam assiduamente em minha casa que, pelo menos por duas vezes, lá esteve connosco.
O Pedro é, por isso, da minha geração ou seja: nem demasiado novo para ser inexperiente, nem demasiado velho para não ter a pujança suficiente.
O aparecimento de pelo menos mais dois candidatos, é sintomático da enfermidade que tomou conta do PSD nas últimas décadas, e que mostra que nenhum militante consegue aglutinar o partido em torno de si para conseguir, assim, uma liderança forte.
Ora, neste contexto, quem quer que seja o próximo presidente poderá, no dia seguinte à eleição, começar a contar os dias do seu reinado. E não será necessária intervenção externa para tal, pois os apoiantes dos perdedores encarregar-se-ão de o fazer com mestria.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

É óbvio

o abismo que existe entre mim e o autor do blog Terra Nostra a respeito do pensar a política e que está bem patente [neste] post. Embora respeite a sua forma de pensar/estar a este respeito, jamais poderia concordar com ela. E não se trata de situações pontuais mas de divergências de fundo. Ambos bebemos das linhas da Social-democracia mas com uma nuance que me parece significativa: é que eu nunca deixei de estar em desacordo quando achei que tinha motivos para isso nem de tomar as minhas opções, tenham sido elas a nível local ou nacional com base nessa liberdade que nunca deixei que me roubassem.
Mas, já que o José Matos quer falar de política, falemos então de política com base no seu penúltimo post.
Antes de mais, importa saber distinguir e aclarar que, e como já referi várias vezes, presentemente a política para mim reduz-se a este cantinho do distrito de Aveiro, designado de concelho de Estarreja, com particular incidência nesta minha freguesia de Canelas, porque a nível nacional, a desilusão é suficiente para que o desalento e o descrédito se tenham instalado há já alguns anos.
Mas passemos então a comentar:
1 - Desastre eleitoral
Fui, talvez, uma das primeiras pessoas a assumir a derrota. Escrevi-o [aqui] em 12 de Outubro e o Zé leu com toda a certeza. Continuar insistentemente a falar das eleições e dos resultados, sejam eles bons ou maus parece-me já doentio.
Quanto à líder do PS, nada tenho a ver com a tomada de posição que a mesma venha a tomar. O José Matos sabe perfeitamente os motivos que me levaram a entrar neste desafio (autárquico) e da minha distância relativamente a qualquer partido. A minha independência a todos os níveis foi a única condição imposta de parte a parte. Mas, se quer mesmo saber o que penso sobre este ponto – tal como diz – eu digo-lhe. Se há alguém com direito a exigir alguma tomada de posição, explicação ou assunção de culpa à Marisa Macedo, parecem-me ser os militantes do PS e não o José Matos. Não se percebe o porquê de tanto o incómodo com a organização interna do PS local. Persistir neste tipo de discurso é sintomático de uma atitude que refuto e da qual me distancio. O PSD perdeu 2 eleições legislativas consecutivas vindo de duas derrotas em eleições presidenciais e não vi por aqui tanta insistência em querer espezinhar quem quer que seja, nem o PS a pedir a cabeça do/a líder do PSD.
Nesta altura, passados 3 meses sobre as eleições, o tempo deve ser de trabalho e defesa dos interesses do concelho, e o José Matos deveria estar mais preocupado com isso do que com o PS.
Sabe, José Matos, até nas vitórias – e sobretudo nelas – é preciso ter dignidade e saber respeitar os que perdem. Lembre-se que um homem não está derrotado quando perde mas apenas quando deixa de lutar.
2 – Contas.
Quanto às contas, que o José Matos tanto gosta de fazer, a mim nada dizem e por uma simples razão: nunca em lado algum disse que o actual presidente da Câmara não fez obra durante os dois mandatos anteriores. Disse, e repito, que tinha ignorado as freguesias mais pequenas do concelho. Disse, e repito, que foram os próprios presidentes das juntas de freguesia do concelho que, quase em uníssono, apontaram o último mandato como sendo mau. E, no entanto, o Dr. JEM voltou a ganhar. Há que respeitar isso e eu respeito, o que não quer dizer que concorde.
Obviamente que há mérito do candidato mas é um mérito relativo. Todos sabemos que há ainda uma grande faixa do eleitorado que vota no partido independentemente de quem seja o candidato. Não fosse assim, pergunto como teria ganho o Dr. JEM as primeiras eleições, sendo na altura um quase ilustre desconhecido, no que diz respeito às andanças políticas. Das duas uma: ou as pessoas votaram no desconhecido ou votaram mesmo no partido. Quer queiramos quer não, a realidade (e a história) diz-nos que o peso partidário tem ainda uma relevância suficiente para influenciar o eleitorado. E isso tem até o seu quê de normalidade; o que não me parece normal é negá-lo.
As palhaçadas feitas aqui em Canelas, por exemplo, a dois meses das eleições, são manifestamente a prova provada de que o edifício tremeu. E tremeu porque nessa altura alguém se apercebeu que, de facto, havia razões de preocupação. Se as consciências estivessem tranquilas, tudo teria continuado como até então.
Dizer que há falta de ambição do eleitorado, tendo em contra os projectos que o Fernando Mendonça tinha para cada freguesia e para o concelho, parece-me claramente a expressão certa e não vejo nela qualquer ofensa para quem quer que seja.
Por outro lado, essas contas não são assim tão lineares. Sê-lo-ão quando cada candidato tiver atrás de si um único partido. Quando me referi a este aspecto fui claro ao dizer que o CDS, por si só, poderia ter metido (mais) elementos nas assembleias ou mesmo nas juntas de freguesia. Não me referi à Câmara Municipal.
3 – Manipulações
É o que o José Matos pretende fazer ao insistir que fui atrás de teorias de outrém "... como aquela da Ferreira Leite não querer construir o novo hospital em Estarreja já aqui discutida e na qual o Camilo alinhou sem ver ao certo o que é que MFL tinha dito na verdade".
Não vale a pena insistir, meu caro. Não trago atrás de mim nenhum partido nem ninguém a colocar-me palas nos olhos. E disso me prezo, pode crer.
Lamentavelmente, os link's não funcionam de igual modo em todos os PC's. Caso contrário, não deveriam restar dúvidas do que disse MFL pois bastaria clicar [
aqui] e procurar no 4º comentário os dois endereços que lá constam. De qualquer modo, e na esperança que o vídeo do youtube funcione para todos, aí fica o dito com o que MFL disse e com o que diz que não disse.

Em que ficamos? Claro que não falou em hospitais e muito menos em Estarreja, como não falou em coisa nenhuma sendo que o "todas" me parece claro demais. Obviamente que o Zé sabe que não era isso a senhora não queria dizer... mas nós não sabemos. Quanto ao que englobam as políticas económicas e sociais e, como nada foi referido em concreto além de "todas", no mínimo fica a dúvida...
Bom, mas para que, mesmo assim, não reste dúvida alguma, [
aqui] fica um dicionário da Língua Portuguesa onde se pode ler o significado de "rasgar", "romper" e "todas".
4 - "Chamou burros ou atrasados a quem não votou no PS."
Se há manipulação em algum lado, aqui está ela no seu estado puro. Percorri novamente toda a entrevista (você dá trabalho!!!), não fosse ter-me escapado alguma coisa, mas confirmei que, em lado algum, constam tais palavras. E a dúvida instalou-se-me: será que a entrevistada veio, mais tarde, dar uma de MFL e dizer que... afinal não disse? Francamente!
Eu sei que o JM tem um dom especial que lhe permite traduzir o pensamento dos outros, o que faz com que, quando convém, transforme o que outros dizem no que quer que eles digam. Mas, já agora, a quem [neste] post classifica, de uma assentada, milhões de portugueses de "ingénuos" pelo simples facto de jogarem no Euromilhões... ou se sente com direito de julgar como lixo o que outras pessoas escrevem, como refere no seu último post, não haverá muito mais a dizer.
E, também por isso, encerro aqui a minha "saga" com o amigo José Matos, na certeza de que vemos a realidade de formas completamente distintas.
Por vezes fico com a sensação que o meu caro ficaria bem consigo mesmo se ouvisse ou lesse da minha parte uma palavra de arrependimento pelas opções que tenho tomado, nomeadamente a respeito das últimas eleições autárquicas. Desengane-se. Estou de bem comigo mesmo e faria tudo de novo, pode crer, porque continuo a acreditar nos projectos e nos homens em que acreditei. E faço-o conscientemente.

sábado, fevereiro 06, 2010

A ESCOLHA DA SEMANA

Desta vez são dois os temas a merecer destaque:
- A liberdade de expressão e a Corrupção.
Não sabemos se, de facto, o assunto "Mário Crespo" foi mesmo [assim]. Coloco sempre algumas reservas quando a base de sustentação de uma acusação se situa em "conversas ouvidas nas mesas em redor", posteriormente transmitidas ao visado.
De qualquer modo, foi um tema que agitou a opinião pública e que merece alguma reflexão, quanto mais não seja, porque nos traz à memória vários outros casos.
Num outro plano, valerá a pena referir que a internet é hoje o expoente máximo da liberdade de expressão e da sua universalização.
Ora, o exercício dessa liberdade deveria assentar num código deontológico e não na ordinarice gratuita que emoldura tantos escritos, sobretudo através dos comentários aos mesmos. A divergência entre quem lê e quem escreve, não dá o direito a ninguém de usar de grosserias e insultos, pese embora se saiba ser essa é a única forma de certa gente se exprimir.
No que diz respeito ao segundo tema, o ex-ministro socialista, João Cravinho, não poderia ser mais conclusivo [nesta] sua participação no programa "Res Pública" da RR. Raras são as vezes que alguém coloca assim, desta maneira tão clara, o dedo na ferida. Para ouvir e meditar.

OPINIÃO

O último número do Jornal de Estarreja, de 05 de Fevereiro traz, na sua segunda página, mais um artigo de Opinião de um conhecido e já habitual escriba que, com toda a certeza, se não importará que lhe dedique aqui algumas linhas, uma vez que estes abafos ou desabafos que por aqui se vão escrevendo, não têm público que se veja. Serão, portanto, coisas minhas apenas.
Deglutido (mal) o tal artigo, atrás referido, fiquei na dúvida se teria lido a mesma entrevista que o autor do dito, a tal que lhe terá flashado o pensamento por forma a produzir este escrito impregnado de uma corrosiva acidez. É que, da forma como se atirou à entrevistada, qual cão raivoso - perdoe-me a imagem - parece ter sido severamente sovado.
Confesso que tive de reler a entrevista em causa, para me certificar mesmo que um de nós estava a ver estrelinhas em pleno dia.
Não é minha intenção, nem teria sequer essa veleidade - nem disso se trata - defender aqui a entrevistada; ela, com o seu "autoritarismo e arrogância", saberá bem fazê-lo, certamente, se o quiser, tal como outros bem conhecidos da nossa praça.
Contudo, parece-me já completamente despropositada esta pretensão de querer manter o clima de guerrilha que foi tão criteriosamente instalado junto da opinião pública antes e durante a campanha eleitoral e a que este artigo parece dar continuidade.
E é como leitor anónimo que me refiro à entrevista da Marisa Macedo e ao artigo do José Matos, para dizer que, quanto à primeira, exceptuando algum exagero na comparação com a violência doméstica, considero-a realista, tendo em conta o enquadramento em que a mesma se dá.
Toca, ainda que ao de leve, nalguns aspectos (que podem explicar, em parte, o insucesso eleitoral) da realidade do concelho quando refere, por exemplo, a falta de ambição, o contentar-se com tão pouco, a escolha dos partidos em detrimento das pessoas, etc. E não é isso verdade? E será isso insultuoso para o povo, como se tem dito?
O que tem a entrevista que possa ser considerado "truques de linguagem, insinuações, descontextualização de frases, manipulação e deturpação de factos"?
O artigo do José Matos, começa mal ao voltar a referir-se pela enésima vez ao "desastre eleitoral de Outubro". Já começa a ter sabor a um certo e repudiante sadismo. Fica-lhe mal tanto ódio, enquanto cidadão com responsabilidades políticas, esvaziado que parece de qualquer conteúdo válido que não o servilismo partidário.
Ora, comparar o incomparável (as vitórias de Vladimiro Silva e José Eduardo Matos) é um exercício de clara manipulação. Veremos os resultados eleitorais quando a coligação se desfizer, e os concorrentes partirem assim lado a lado. E estou certo que não faltará muito para que tal aconteça. Só nessa altura saberemos quem tem "pedalada" para lá chegar. Aliás, não tenho qualquer dúvida que o CDS teria, por si só, conseguido alguns lugares nas Assembleias de Freguesia ou mesmo nos executivos, evitando as trapalhadas a que se sujeitou.
Por outro lado, a alusão feita à "ignorância dos eleitores", supostamente referida na entrevista, mas com o sentido que lhe pretende dar, não é uma atitude séria nem isenta. A não ser que se queira referir aqueles que votam sem saberem quem são os candidatos ou sem conhecerem uma linha sequer do que pretendem fazer, e são ainda muitos, infelizmente.
Por fim, a teoria de que a maioria tem sempre razão, como pretende fazer crer, não colhe da minha parte qualquer simpatia. E nem será necessário recuar muitos anos para perceber isso mesmo. Concordará o JM que o povo votou bem quando deu a maioria ao governo PS? Não me parece. No entanto foi uma escolha legítima, tal como em Estarreja, o que não significa que tenham sido as melhores escolhas.
As maiorias são sempre perigosas porque facilmente conduzem ao abuso do poder. Foi assim com Cavaco Silva (talvez o governo mais contestado até hoje, record de manifestações e greves), e foi assim com José Sócrates. É preferível assim, uma boa consertação entre os vários partidos e o governo, para ajudar a repôr as regras da democracia, e evitar os exageros. Mas, para isso é preciso que se abandone o tal "clubismo partidário" instalado na classe política, coisa que parece completamente impossível, mesmo a nível local.
Uma nota final para referir que a mistura de questões politico-partidárias com aspectos pessoais (referências a marido/mulher, etc.) é demonstrativa de alguma falta de decoro, e encerra um texto mau, que não traz qualquer novidade nem acrescenta nada de válido ao panorama político do concelho.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A BATER NO FUNDO

Não fosse a seriedade do assunto e começaria por dizer que Portugal é hoje o bobo da corte europeia.
Não me parece que seja necessário vir um Comissário Europeu dizer [aqui] o que qualquer cidadão responsável e minimamente atento há muito sabe. Mas nós portugueses somos assim; tem de vir alguém de fora colocar a chancela na nossa triste realidade para que acreditemos, pelo menos um pouco, que isto está mesmo mau. Está-nos na massa do sangue.
De facto, há muito que o país caminha para o abismo, muito embora ninguém pareça importar-se com isso.
Diz o tal Comissário que "Portugal perdeu competitividade desde que aderiu à Zona Euro". É óbvio! Que se espera quando se dão subsídios para que não se produza, para que não se pesque, para que não se trabalhe ou para adiar o encerramento de empresas por dois ou três meses? Sim, que esperar de um país que gasta milhões em rendimentos mínimos, ao invés de apostar forte na criação de emprego? Que esperar de um país que se endivida a cada dia que passa, mas que não abdica, por exemplo, de algumas obras públicas monstruosas e de interesse relativo? Que esperar de um país que vai sufocando o seu povo para que a classe alta mantenha o seu padrão de vida?
E quando é que vem aqui alguém dizer que os responsáveis por esta miserável situação económico-financeira têm nomes? Nomes que importa responsabilizar e afastar para sempre da gestão pública.
A verdade é que quando é o PS a "lixar-nos", o PSD entretém-se a ajudar à festa; quando a situação se inverte, é exactamente o mesmo. E disto não saímos.
O parlamento é hoje um palco onde se produz teatro com péssimos actores para o povo ver e aplaudir.
O país precisa urgentemente de uma nova geração de políticos mas precisa, sobretudo, de uma nova cultura política.
Uma cultura política assente em gente que tenha um verdadeiro sentido de Estado, e que não diga uma coisa quando está na oposição e faça o contrário quando chega ao poder.
Gente que entenda que é preciso:
- cortar drasticamente na despesa pública;
- acabar com mordomias mais mordomias, que elevam os salários base dos que mais ganham para mais do dobro;
- exigir rigor a si própria antes de o exigir ao resto do país;
- explicar conveniente e claramente onde vão parar os impostos que nos são cobrados;
- mostrar em que beneficiou o país com os biliões e biliões de Euros que a Europa aqui injectou até hoje;
- responsabilizar quem mal governa;
- deixar-se de Magalhães e de Novas Oportunidades, que apenas emburrecem o povo;
- apostar, sem reservas, no combate à criminalidade e à insegurança;
- exigir aos contribuintes - mas a todos - o cumprimento dos seus deveres;
- enfrentar seriamente o problema da fuga aos impostos e resolver todos os casos de corrupção que vão surgindo;
Gente que nos explique convenientemente e traga credibilidade aos casos: Casa Pia, Portucale, Operação Furacão, Cova da Beira, Herdade dos sobreiros, da morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa, da compra dos submarinos, das escutas ao primeiro-ministro, dos casos das Universidades Independente e Moderna, Apito dourado, dos terrenos do Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros, Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro, Isaltino Morais, da Braga parques, dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida, do processo Costa Freire / Zézé Beleza, do miúdo electrocutado no semáforo, do outro afogado num parque aquático algarvio, das crianças assassinadas na Madeira, do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico, do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal, dos crimes de evasão fiscal, dos negócios do grupo Carlyle, do médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência, etc, etc... Enfim, gente que nos tire deste lamaçal.
O problema é que, ao olhar em redor, não se vê ninguém capaz de o fazer.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

CARNAVAIS

Vem aí o Carnaval - já apelidado como "o maior evento de Estarreja"- e com ele a loucura repartida por três ou quatro dias de folia, alegria e excessos.
Faça-se festa - porque não? Haja alegria - pois então! - que a vida são dois dias...
Nada me move contra os festejos - mesmo que Câmara Municipal os subsidie com verbas que dariam muito jeito para outras coisas - mas adiante.
O que revolta é [isto], que nunca haverei de compreender.
O Centro de Saúde disponibiliza médicos e enfermeiros - neste período e durante 24 horas - para aturarem os excessos e as bebedeiras de quem se anda a divertir, enquanto que durante o resto do ano, a partir da meia noite, um cidadão com um qualquer problema de saúde, tem de se dirigir a Aveiro e esperar 4 ou 5 horas contorcendo-se de dores até ser atendido, porque não há um médico disponível em Estarreja.
Não se pense, por isto, que sou contra o Carnaval. Muito pelo contrário; a bem dos idosos e das crianças do concelho (os que mais necessitam de apoio médico fora de horas), a proposta vai no sentido de se oficializar o Carnaval de Estarreja durante todo o ano. Sim, porque o que falta é tão só a oficialização do mesmo...