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terça-feira, janeiro 12, 2010

NA ORDEM DO DIA

Numa altura de profunda crise económica, o país entretém-se a discutir o casamentos entre homossexuais, como se fosse esse um assunto de capital importância para a generalidade da sociedade portuguesa.
Não me perturba minimanemte a forma como cada um quer viver a sua vida mas, legislar de ânimo leve sobre assuntos que invertem valores em que assentam as sociedades, é de alguma forma, preocupante. No mínimo, este tema seria merecedor de consulta popular.
O jornalista Portuense João Pereira Coutinho, escreveu no Expresso, o melhor e mais elucidativo texto que já li sobre o assunto.
CASAMENTO GAY

Uma agressão somente à religião Católica? Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhuma religião).
Uma agressão somente à Civilização Ocidental? Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhuma civilização).
Uma agressão somente à humanidade? Não (não existem casamentos entre indivíduos do mesmo sexo em nenhum grupo de humanos).
Uma agressão à Natureza? Certamente não há no Reino Animal situações de acasalamento entre indivíduos do mesmo sexo.

Abomino histerias. E o casamento "gay" é histeria. Segundo dizem, recusar o casamento a pessoas do mesmo sexo é uma "discriminação". As pessoas dizem a palavra - "discriminação" - e esperam que eu me comova. Não me comovo. Claro que é uma discriminação. E daí? Todos os dias, a todas as horas, sobre as mais variadas personagens, a sociedade exerce as suas "discriminações".
Se, por mera hipótese, eu pretendesse casar com duas mulheres, estaria impedido pela força da lei. Não será isto uma "discriminação"?
Por que motivo o Estado impede que três adultos que se amam possam construir uma família em conjunto? Arrisco hipótese: porque a sociedade estabeleceu os seus códigos de conduta, os seus símbolos, as suas "instituições". São estes códigos, estes símbolos, estas "instituições" que sustentam a vida em sociedade e não vale a pena questioná-los por cálculo racionalista. Acabamos por chegar a conclusões francamente lunáticas. Se o casamento passasse a ser um mero contrato baseado no afecto (a visão sentimental da tribo), não haveria nenhuma razão substancial para impedir todas as formas possíveis de casamento: entre pais e filhos; entre irmãos; entre duas mulheres e um homem; entre uma mulher e vários homens; etc.
É justo que duas pessoas do mesmo sexo que partilham uma vida em comum possam assegurar certos direitos sucessórios ou fiscais. Não é justo desmontar o casamento tradicional para acomodar o capricho de uns quantos. Pior: o gesto apenas abriria uma nova forma de "discriminação" sobre todos os outros - pais e filhos; irmãos; duas mulheres e um homem; uma mulher e vários homens - que são deixados injustamente à porta do matrimónio. Tenham juízo e, já agora, portem-se como homenzinhos.

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