Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, janeiro 31, 2010

FUTEBOL E POLÍTICA

Nunca a política e o futebol estiveram tão próximos um do outro.
No futebol, muda o treinador e logo traz atrás de si os amigos a equipa da sua confiança. Na política também.
No futebol, mesmo que a equipa jogue mal e os resultados sejam, na sua maioria negativos, o nosso clube é sempre o nosso clube; na política também.
No futebol, um adepto do Porto nunca aceita que o Benfica tenha feito um bom jogo; na política passa-se o mesmo.
No futebol, o nosso clube é sempre o melhor; na política também.
No futebol, quando as coisas correm mal, corre-se com o treinador, não sem antes lhe ter enchido bem os bolsos; na política é exactamente o mesmo.
No futebol, criam-se ódios aqueles que são de outros clubes; na política também.
No futebol há aqueles adeptos ferrenhos que defendem o clube com unhas e dentes (mesmo sem saberem o que defendem), que se zangam e que por vezes são mal educados e desordeiros; na política também.
No futebol há campeões que o são porque nem sempre jogam limpo; na política também.
No futebol, há muita gente que apenas quer o "seu", e que pouco se importa com os resultados; na política também.
No futebol, há os que se fartaram de ver maus jogos e que deixaram de ir aos jogos; na política também.
Obviamente que há também os adeptos que reconhecem quando o seu clube joga mal e que sabem aplaudir o adversário quando este o merece. Serão, contudo, poucos e cada vez mais raros.
A política é assim, hoje e em grande parte, um mero acto de paixão. Uma cega paixão clubística, para melhor exemplo, geradora de ódios pessoais e em que o exercício da razão está relegado para segundo plano. O adepto não pensa; apoia cegamente o que os dirigentes do seu clube determinam, mesmo que os mesmos venham a conduzir o clube para o abismo.
A política futebolizou-se.

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