Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, novembro 09, 2009

QUANTO VALE UM VOTO?

Estou certo que poucos serão os eleitores que sabem da existência de uma Lei de Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais que, no seu Artº 5º do Capítulo I, diz:

1- A cada partido que haja concorrido a acto eleitoral, ainda que em coligação, e que obtenha representação na Assembleia da República é concedida, nos termos dos números seguintes, uma subvenção anual, desde que a requeira ao Presidente da Assembleia da República.

2 - A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à fracção 1/135 do salário mínimo mensal nacional por cada voto obtido na mais recente eleição de deputados à Assembleia da República.

E serão ainda menos os cidadãos sabedores de quanto vale directa e indirectamente um voto. Pois bem, sendo o actual Salário mínimo mensal de 450 Euros, cada voto vale, directamente, 3,33 euros/ano aos partidos com assento na Assembleia da República.
Significa isto, que nos próximos 4 anos, do erário público, 27 milhões e 674 mil euros vão direitinhos para o PS; 22 milhões e 63 mil euros para o PSD; 7 milhões e 906 mil euros para o CDS; 7 milhões e 440 mil euros para o BE e 5 milhões e 959 mil euros para o PCP-PEV. Falamos assim de mais de 71 milhões de euros entregues de mão beijada aos principais partidos de um país economicamente indigente. Somando a isto o valor indirecto possível - as subvenções, ordenados, despesas de representação, carros, combustíveis, telemóveis, etc., inerentes aos cargos públicos, cujo preenchimento emana geralmente dos actos eleitorais, fica então a perceber-se que afinal um simples e único voto pode valer muito mais do que se possa imaginar.
Ora, neste momento dou comigo a pensar que todos os 3.830.355 cidadãos que não votaram no passado dia 27 de Setembro, mais os 99.161 que votaram em branco e somando ainda os 78.023 cujos votos foram anulados, prestaram um enorme serviço público ao país, uma vez que estes pouco mais que 4 milhões, traduzidos em votos úteis, provocariam a saída directa de mais 53 milhões e quatrocentos e trinta e três mil euros dos próximos Orçamentos Gerais do Estado, em favor dos 5 partidos mais votados. Assustador!
Confesso que nunca tinha pensado que um simples voto, válido ou em branco, estivesse intrinsecamente imbuído de toda esta carga monetária. Resta a cada um a opção de contribuir ou não para este circo, tendo do outro lado da balança os resultados das sucessivas governações. A minha (opção) está, há muito, tomada.

Sem comentários: