Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, novembro 30, 2009

CLARIVIDÊNCIA

Aqui está uma parte da justificação da proposta de aumento de 1% dos salários da Função Pública para 2010.
Num país cuja economia cresce, em alguns anos, zero vírgula qualquer coisa e noutros decresce um, dois ou três por cento - e que se arrasta nisto há pelo menos trinta anos - é reconfortante para o comum cidadão começar o dia com a leitura de uma notícia destas.
Pergunta-se:
- Que moralidade consubstancia os sucesivos "assaltos" à bolsa da classe média/média baixa, perpetrados por governantes sem escrúpulos, sem princípios e sem responsabilidade social, em nome de uma Educação que não existe, de uma Saúde cada vez mais enferma, de uma Justiça assustada ou de uma recuperação Económica jamais conseguida?
Exige-se a responsabilidade e responsabilização dos detentores - todos - de cargos públicos, a começar pelos membros dos governos - que devem responder civil e criminalmente pelo resultado da gestão que produzem - como se deveria exigir a reposição de milhões e milhões que directa e indirectamente, são sacados do erário público em circunstâncias que se vão descobrindo mas que a nada levam.
É incompreensível que governações desastrosas terminem sempre na promoção dos "artistas", enquanto o país se enterra a olhos vistos.

quarta-feira, novembro 25, 2009

A VERGONHA DA (IN)JUSTIÇA PORTUGUESA

Completam-se hoje 5 anos sobre o início do julgamento do caso Casa Pia. Não fosse a televisão e os jornais a lembrar o facto e ninguém se lembraria da triste efeméride.
De facto, passaram já 2.555 dias ou, se quisermos, 61.320 horas desde o dia 25 de Novembro de 2002, data da detenção de Carlos Silvino, após a denúncia de abuso sexual de menores feita pelo jormal "Expresso" em 23/11/2002.
O processo remonta já ao longínquo ano de 1982, data em que duas crianças, tidas como fugidas da Casa Pia, são encontradas no apartamento do embaixador Jorge Ritto, frequentado habitualmente por Carlos Cruz.
Parece-me evidente que há provas de culpabilidade inequívocas pelo que não se compreende que mais de 61 mil horas não sejam suficientes para o apuramento da verdade. O adiamento ad aeternum do fim desta vergonhosa situação não parece ter outra finalidade do que dar todo o tempo do mundo aos presumíveis culpados, para que urdam os mais diversos alibis, com vista à sua total ilibação.
Todo o país sente, à semelhança de tantos outros casos mediáticos, que a impunidade é a auréola que protege os grandes, pelo que ninguém se pode espantar com o aumento da criminalidade doutorada.
Estou certo que o primeiro juíz deste caso, o magistrado Rui Teixeira, teria há muito concluído este processo, não tivesse dele sido afastado. E foi-o, porque importa não se chegar ao fim...

segunda-feira, novembro 16, 2009

VISITA DE SUA EXª, O SR. PRESIDENTE

Ao que parece, e segundo noticia a RVR, vamos ter entre nós o Sr. presidente da República, já no próximo sábado.
O programa da visita a Estarreja permanece ainda no segredo dos deuses mas, como é apanágio dos pequenos núcleos populacionais, rapidamente se descobre o que se pretende esconder.
Assim, e enquanto a Câmara de Estarreja parece querer guardar o dito itinerário até ao último momento, já toda a gente do sul do concelho o conhece de cor.
Para que conste, aqui fica, com as devidas correcções:

- Visita ao Eco-Parque empresarial seguida de
- Visita à Quinta da Malafaia;
- Visita às obras resultantes das contrapartidas pela construção da A29, em Canelas e Fermelã (fotos acima);
- Colóquio à luz da vela na Estação Viva - Canelas;
- Visita em TT aos Percursos BioriaII - (Fotos infra);
- Lanche no recentemente inaugurado Parque de Merendas de Canelas (Foto infra);
- Sessão de Encerramento, no Salão Nobre da CME
- Jantar ao ar livre no Centro Cívico de Pardilhó.

Desejamos a S. Exª, o Sr. Presidente, uma boa estadia.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Z(onas) O(ficialmente) N(obres)

Aqui em Canelas somos:

- 10,2 Km2.
- 32,87 Km de rede viária.

- 1486 habitantes – 777 mulheres e 709 homens.

Temos:

- o mais alto índice de envelhecimento do concelho.
- o segundo mais alto índice de dependência de idosos.
- o segundo mais alto índice de dependência total.
- uma taxa de desemprego de 8,8%.

Temos ainda:
- 1 Igreja
- 1 Posto médico

- 1 Escola
- 1 Centro Social

- 1 Associação Desportiva
- 1 Banda
- 1 Agrupamento de Escuteiros
- 1 Grupo Vicentino


E ainda:

- 2 percursos Bioria

- O Esteiro
- Uma Estação Viva

- 2 auto-estradas
- 1 Estrada Nacional
- Caminho de ferro - tudo aqui, sem falhar.

Se podíamos viver sem isto:

Poder, podíamos... mas não era a mesma coisa!

segunda-feira, novembro 09, 2009

QUANTO VALE UM VOTO?

Estou certo que poucos serão os eleitores que sabem da existência de uma Lei de Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais que, no seu Artº 5º do Capítulo I, diz:

1- A cada partido que haja concorrido a acto eleitoral, ainda que em coligação, e que obtenha representação na Assembleia da República é concedida, nos termos dos números seguintes, uma subvenção anual, desde que a requeira ao Presidente da Assembleia da República.

2 - A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à fracção 1/135 do salário mínimo mensal nacional por cada voto obtido na mais recente eleição de deputados à Assembleia da República.

E serão ainda menos os cidadãos sabedores de quanto vale directa e indirectamente um voto. Pois bem, sendo o actual Salário mínimo mensal de 450 Euros, cada voto vale, directamente, 3,33 euros/ano aos partidos com assento na Assembleia da República.
Significa isto, que nos próximos 4 anos, do erário público, 27 milhões e 674 mil euros vão direitinhos para o PS; 22 milhões e 63 mil euros para o PSD; 7 milhões e 906 mil euros para o CDS; 7 milhões e 440 mil euros para o BE e 5 milhões e 959 mil euros para o PCP-PEV. Falamos assim de mais de 71 milhões de euros entregues de mão beijada aos principais partidos de um país economicamente indigente. Somando a isto o valor indirecto possível - as subvenções, ordenados, despesas de representação, carros, combustíveis, telemóveis, etc., inerentes aos cargos públicos, cujo preenchimento emana geralmente dos actos eleitorais, fica então a perceber-se que afinal um simples e único voto pode valer muito mais do que se possa imaginar.
Ora, neste momento dou comigo a pensar que todos os 3.830.355 cidadãos que não votaram no passado dia 27 de Setembro, mais os 99.161 que votaram em branco e somando ainda os 78.023 cujos votos foram anulados, prestaram um enorme serviço público ao país, uma vez que estes pouco mais que 4 milhões, traduzidos em votos úteis, provocariam a saída directa de mais 53 milhões e quatrocentos e trinta e três mil euros dos próximos Orçamentos Gerais do Estado, em favor dos 5 partidos mais votados. Assustador!
Confesso que nunca tinha pensado que um simples voto, válido ou em branco, estivesse intrinsecamente imbuído de toda esta carga monetária. Resta a cada um a opção de contribuir ou não para este circo, tendo do outro lado da balança os resultados das sucessivas governações. A minha (opção) está, há muito, tomada.

domingo, novembro 08, 2009

DIRECTO AO ASSUNTO

Portugal tem vindo a tornar-se num exímio produtor de longas metragens de qualidade superior, e os portugueses assistem na plateia serenamente ao desenrolar da acção. Na sua maior parte, os actores são principescamente pagos pelo Estado que se assume também como principal realizador.
Faltará apenas os Óscares para que "Camarate", "Casa Pia", "Apito Dourado", "Fátima & Felgueiras", "Freeport", "Isaltino & Cª", "Os Submarinos", "Operação Furacão", "Onde param os milhões da CEE?", "Assalto ao BPN", "Aconteceu no BPP", "A Face Oculta", etc., tenham o reconhecimento internacional devido.
Habituado que está o povo, a ser ciclicamente entretido pela cinematografia contemporânea, pouco importa que em nenhum dos filmes apareça a palavra "FIM", até porque, normalmente, a meio de um se inicia a rodagem de outro.
E é este o triste fado de um país e da sociedade que o compõe. Um país onde o crime compensa, e de que maneira!
Poucos se importarão actualmente com o clima de impunidade que se vai instalando, tal a sua normalidade e aceitação por parte da sociedade de um país que vai perdendo a identidade. Um país que aceita naturalmente ser governado por gente que se envolve nas mais sórdidas negociatas. Um país que pune os que o desgovernam com os melhores cargos nas empresas públicas. Um país que não pede responsabilidade a quem é responsável pelo desastre das contas públicas. Um país que não se interessa pela reposição dos milhões do erário público que engrossam contas particulares. Um país que distribui computadores ao preço da chuva, mesmo a quem aufere rendimentos brutais. Um país que subsidia a construção de 10 estádios de futebol e assiste à derrocada financeira dos clubes. Um país onde uns andam 12 anos a estudar para ter o 12º ano e outros o tiram em dois ou três anos. Um país que gasta milhões numa ligação de alta velocidade entre Lisboa e o Porto, cujo resultado prático se traduz na redução do tempo de viagem em alguns minutos apenas. Um país que protege os bandidos e pune os cidadãos normalmente cumpridores. Um país que suga, literalmente, a sua classe média. Um país que não larga quem lhe deve 10 Euros mas fecha os olhos aos que devem ou desviam milhões. Um país que pune os professores sempre que estes, por necessidade, imponham respeito nas salas de aula.
No fundo, Portugal é hoje um país apático, amorfo e descaracterizado, tomado de assalto por uma classe política impreparada e doentia que, na sua maioria, apenas tem contribuído para o seu afundamento socio-económico. Mas o que mais dói, é que o fazem legítima , devida e sucessivamente mandatados.

quarta-feira, novembro 04, 2009

OS INTOCÁVEIS

Mário Crespo in J N - 02Nov2009

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa. Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça. O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport. Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

segunda-feira, novembro 02, 2009

DRAMAS DE HOJE

"O que mais preocupa não é o grito dos violentos,
nem dos corruptos, nem dos desonestos,
nem dos sem ética. O que mais preocupa
é o silêncio dos bons."

Martin Luther King

Depois da [notícia], fica o silêncio...

domingo, novembro 01, 2009

DIA DE TODOS OS SANTOS

É hoje o grande, majestoso dia
Dos cidadãos do Céu de excelsa glória!
Que no salão do Empíreo, por memória
Celebra toda a Augusta Gerarquia.

Ao banquete da Eterna Eucaristia,
Os Celícolas todos, sem vanglória,
Que triunfaram da vida transitória,
Assistem, convidados por Maria!...

Ali, com grande pompa, Deus festeja
Os escolhidos seus co'a caridade
Que no seu trono divinal lampeja.

Deste Augusto festim da eternidade
Nutro em minha alma uma Divina inveja
De comer desse pão da Divindade.

Francisco Joaquim Bingre - 1852