Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

terça-feira, outubro 27, 2009

NA ORDEM DO DIA

Parece-me sem retorno a decisão de incluir a linha Aveiro-Salamanca, na Rede Europeia Ferroviária de Alta Velocidade. Pessoalmente, apesar de não gostar da ideia, acho-a mais rentável do que a ligação Lisboa-Porto.
Mas, goste-se ou não; necessária ou nem por isso; importante ou de utilidade diminuta, tenho por certo que o tempo de contestação está há muito esgotado, se é que o houve.
Tal como refere o Jornal de Negócios, trata-se de um compromisso entre países, assinado pelo governo de Durão Barroso e Paulo Portas, cujo incumprimento teria consequências (político-económicas) óbvias e incalculáveis, sobretudo para Portugal.
Sendo um projecto assumido igualmente pelos governos socialistas que sucederam a Durão Barroso, percebe-se que a contestação tenha aqui um espaço diminuto e efémero.
Assim, e tendo em vista os interesses do concelho, há que escolher entre a insistência na contestação e o aproveitamento do tempo para elaborar um caderno de contra-partidas devidamente fundamentado, a ser apresentado e negociado a seu tempo.
Estou certo de que isso poderá marcar a diferença e o futuro do concelho, pelo que é necessário avaliar seriamente, quanto antes, a opção a seguir.
Caberá à Câmara Municipal e às Juntas das Freguesias envolvidas no processo, um importantíssimo papel com vista ao máximo aproveitamento do impacto negativo que a referida construção vai ter no concelho.

6 comentários:

aisongamonga disse...

Caro CR

Desculpe-me a abordagem mas fiquei baralhado.
Esta linha que JNeg cita passa pela nossa zona? Ou passa apenas a de LX-Porto? Ou vai-se usar o mesmo traçado em duas funções?

CR disse...

Caro aisongamonga,

Serão dois traçados distintos: um ligará Lisboa e Porto, e outro atravessará o País transversalmente, unindo Aveiro a Salamanca,com a particularidade de que o primeiro terá uma Estação algures próximo do limite sul do concelho de Estarreja como se pode ler aqui: http://www.diarioaveiro.pt/main.php?srvacr=pages_13&mode=public&template=frontoffice&layout=layout&id_page=4229
Portanto, fazendo fé no que nos é dado a conhecer até à data, a obra terá um grande o impacto na nossa área, pelo que, legitimamente, haverá que ressarcir as zonas e as populações afectadas.

aisongamonga disse...

Obrigado. Entendi e é pertinente. A partir daí pode-se fazer umas coisas engraçadas em prol, esperemos que exista tenacidade e perseverança dos elencos governativos locais.
Fico a aguardar desenvolvimentos com expectativa.

Duque de Canelas disse...

Quem irá pagar o TGV? Não só a construção, mas os prejuízos anuais? 100 euros de Lisboa ao Porto é só para algumas (poucas) bolsas.
Vou dar um exemplo de um professor (que é considerado classe média) que ganhe mil euros por mês e esteja deslocado da família, se fizesse as viagens de TGV todos os fins-de-semana ida e volta, seriam 200 x 4 = 800 só sobrariam 200 euros para pagar a renda do quarto...
Acham que andaria de TGV?
Quem pagaria a manutenção e as despesas de funcionamento? O Sr. José Sócrates que nem em Portugal passa férias?

CR disse...

Caro Duque:

Todas as questões que coloca são pertinentes, mas estou certo que nada fará mudar o rumo das coisas, até porque todas as principais forças políticas do País deram o seu aval ao avanço da obra.
Acontece, com alguma frequência, querer-se uma coisa quando se é governo e estar-se contra a mesma coisa quando se é oposição, sendo que uma ou outra voz isolada que se levante, não trará qualquer entrave ao andamento do projecto.
É por isso que, mesmo não concordando com a ligação Lisboa-Porto, entendo estar na altura de partir para outra luta, quanto antes.
Cpts.

J Pinho disse...

De acordo caro Camilo.
O processo das contrapartidas já deveria estar em cima da mesa.
Esperamos - exigimos - que as contrapartidas a haver não esqueçam aqueles (pessoas e localidades) mais afectadas.
Não queremos ver repetida a vergonha das contrapartidas da A29 todas aplicadas no lado oposto a quem sofreu as consequências.
O apoio das autarquias (e autarcas) não pode/deve ficar só pelas palavras.