Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

terça-feira, setembro 29, 2009

A campanha eleitoral

para as eleições autárquicas aí está, na máxima força. Muito se tem dito e escrito sobre os candidatos à Câmara Municipal e às Assembleias de Freguesia, em discursos normalmente pautados pelo insulto gratuito e por ataques pessoais, perpetrados por gente que nem altura tem para, olhos nos olhos, defender o que pensam. Gente irascível, cobarde e medíocre, que se julga no direito de julgar os outros pelos seus miseráveis níveis de educação.
Obviamente que, como diz o povo, vozes de burro não chegam ao céu, e todos os escritos assentes no anonimato me merecem o normal desvio para o cesto do lixo, onde se misturam com os seus autores.
Mas, de facto, estas eleições autárquicas têm tido coisas mirabolantes (falaremos delas noutra ocasião) desde que a freguesia de Canelas foi colocada no mapa político do concelho. Pena é que alguns inteligentes, na explanação das suas idiotices, demonstrem tão claramente o quanto afastados estão da realidade, confundindo até as funções de órgãos executivos - Juntas de Freguesia - com as de órgãos deliberativos, como é o caso das Assembleias de Freguesia. E, para esses, eu explico com prazer, que um órgão executivo, como o nome indica, tem o poder de execução, sendo o responsável pela gestão efectiva da freguesia. A talho de foice, cabe aqui dizer que, no primeiro debate da Rádio Voz da Ria dedicado às Autárquicas/2009, não raras vezes ouvimos o candidato da Coligação dizer que fez enquanto o Fernando Mendonça não fez. Ora, parece-me que começa aqui a confusão geral de certas pessoas que, estando nos órgãos Executivos, acham que são os outros - os que lá não estão - que devem fazer as coisas. Se a memória me não falha, parece-me que o Fernando Mendonça nunca foi responsável pela Câmara Municipal, da mesma forma que eu não fui também Presidente da Junta.
Mas, voltando ao passado recente, é pública a minha defesa pelo desenvolvimento ou, se quisermos, pela definição de um Programa que estabeleça e dote a freguesia daquilo que é, na minha opinião, prioritário para a vida dos cidadãos que aqui habitam. E foi essa a luta travada, sobretudo ao longo dos últimos 4 anos, contra aqueles que, com alguma argúcia e falinhas mansas iam conseguindo dar verdadeiros shows de hopnotismo colectivo. Só que, normalmente neste tipo de realizações, há sempre alguém que resiste, não adormece, e isso é que estraga o espectáculo.
No exercício do cargo de membro da Assembleia de Freguesia, procurei defender, intransigentemente, os interesses da freguesia, porque os soube colocar, em todos os momentos, acima de pressões ou disciplinas partidárias, que infelizmente ainda dominam a maior parte daqueles que estão nos cargos públicos. E isso incomodou, obviamente. Serve isto para dizer que no futuro, onde quer que esteja, continuarei a exigir para a minha freguesia, tratamento igual como o que foi dado a Pardilhó, Avanca, Beduído e Salreu, salvaguardando, naturalmente, a devida proporcionalidade.
É pena que a falta de argumentação leve certa gente a produzir os maiores disparates, pelo que se percebe que os digam sem nome. Dizer-se que um candidato a uma junta de freguesia em que executará o seu cargo em regime de não permanência, anda à procura de "tacho" é a prova provada da ignorância no seu estado mais puro. E nem havia necessidade disso pois bastaria perguntar ao actual presidente da junta que enriquecimento obteve das compensações que recebeu, apuradas as despesas não contabilizadas, pelo exercício do cargo desde 1997.
É bom lembrar também que não escrevi ou proferi, ainda, qualquer palavra em relação à actuação da junta enquanto cumpridora ou não das obras a que se propôs, pelo que, apesar de perceber a intenção dos disparos, não serão esses que me derrubam. O que tenho feito e farei sempre, é apontar o dedo para a realidade, o que qualquer cidadão pode comprovar com a maior das facilidades.
A preocupação permanente que tenho para com a freguesia levou-me a ter - há algum tempo já - um projecto perfeitamente definido, enquadrado com a realidade e com as necesidades do povo de Canelas. Apresentei as suas linhas mestras no dia 23 de Julho, integrando-o depois num folheto informativo que foi distribuído por todas as casas em finais de Agosto. Posteriormente, coloquei-o [aqui] no dia 16 de Setembro, agora de uma forma mais esquematizada e perceptível, estando presentemente a chegar a todos os habitantes de Canelas em formato impresso.
É tão só, um Programa simples, de prioridades concretas e definidas, que está a ser colocado à apreciação pública para que esta sobre ele se manifeste no dia 11 de Outubro, e é suportado por uma extraordinária equipa que é o garante da sua exequibilidade.
Esta é a diferença entre dizer disparates e falar verdade, entre estar fora dos temas e conhecê-los suficientemente bem para deles falar, entre vociferar ensinamentos sectários e dizer as coisas livremente, porque se é livre para tal. E, se dúvidas ainda existirem, terei todo o gosto em as esclarecer no próximo dia 8, na sessão pública que ocorrerá na Junta de Freguesia de Canelas, pelas 21h00.


quarta-feira, setembro 16, 2009

Antecipando

a impressão em papel, a seguir se dá a conhecer o que será o Programa da equipa que lidero, candidata à Assembleia de Freguesia de Canelas:

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS


» Abertura da Junta também em horário diurno
» Acesso gratuito à Internet
» Serviço de fotocópias e impressão
» Pagamento de vales de reforma
» Imposto Muncipal de Veículos (Selos dos carros)
» Formação gratuita em informática básica (Word, Excel, Power Poit, Outlook e Internet Explorer)
» Abertura das instalações da Junta a iniciativas particulares ou colectivas
EQUIPA DINAMIZADORA
Camilo Rego
Ana Simões
António Salgado
Paulo Viana

INFORMAÇÃO

» Criação e distribuição de um Folheto Informativo mensal
» Instalação de um Painel electrónico de Informação - em colaboração com a CME
» Criação do site da freguesia
» Reuniões da Junta abertas à população
» Caixa de sugestões

ACTIVIDADE SOCIO-CULTURAL

» Elaboração de Programas ocupacionais para jovens e 3ª Idade - em colaboração com a CME
» Dinamização de eventos culturais ao longo do ano
» Criação do Museu Etnográfico Municipal - em colaboração com a CME
» Criação de um Centro de Apoio Escolar nas instalações da Junta
» Apoio às Colectividades e Instituições
EQUIPA DINAMIZADORA
Pedro Silva
Angélica Nunes
Vera Patrícia
Marília Resende
Paulo Pereira
Paula Esteves
Patrícia Luz
Joaquim Rebelo
José Valente
INFRAESTRUTURAS

» Construção de um Lar e Centro de Dia - em colaboração com a CME
» Empenho na adaptação do PDM às necessidades da freguesia - em colaboração com a CME
» Requalificação de espaços urbanos e rurais - em colaboração com a CME
» Criação de espaço próprio para deposição de entulhos e monos
» Beneficiação da rede viária rural
» Requalificação do largo Campo da Cruz - em colaboração com a CME
» Estudar e insistir na resolução do problema do trânsito na rua Campo da Cruz - em colaboração com a CME


EQUIPA DINAMIZADORA DA REABILITAÇÃO URBANA E RURAL
José Manuel
António Fernando
António Andrade
Abel Silva
Reinaldo Vicente

Obviamente que não se esgotam aqui as intenções de uma equipa consciente e verdadeiramente interessada pelo futuro desta freguesia, e disposta a avaliar e discutir outras propostas. Contudo este será o documento base da sua actuação, caso mereça a confiança dos eleitores no dia 11 de Outubro. Não posso deixar de salientar dois grandes desafios: a construção do Lar e o Museu Etnográfico, exponenciado à escala Municipal que é, sem dúvida, uma oportunidade única de descentralização e de dizer que o concelho não é só Estarreja.

segunda-feira, setembro 14, 2009

COMICHÕES

Enquanto [isto] decorria, um autarca em exercício impedia a colocação de um outdoor junto ao Posto Médico da freguesia por, alegadamente, tapar a visibilidade de um busto de uma figura ilustre da terra - o Dr. Albino de Sá - insurgindo-se contra quem tentava realizar o trabalho.
Obviamente que não é um banal cartaz de propaganda política que ofusca a dedicação, a seriedade, e o profissionalismo que norteou a vida desse grande médico que foi o Dr. Albino, nem beliscaria sequer o carinho que o povo de Canelas por ele nutre. Tanto mais que em diversas outras campanhas, e no mesmo local, lá estiveram diversos outdoors. O Dr. Albino foi um Homem e um Médico cuja postura sempre esteve muito acima destas patetices e deste tipo de gente.
Passada esta pequena introdução e, tendo por base a notícia do Diário de Aveiro, é importante que se digam algumas coisas.
E desde já referir, em abono da verdade, que a notícia induz em erro quem a lê porquanto, ao que julgo saber, o candidato do PSD à Junta de Freguesia não terá feito parte dos oradores oficias do acto, pelo que se depreende que o mesmo terá sido entrevistado no final da dita inauguração.
É indiscutível que a zona intervencionada está mais aprazível, mais alindada e mais arejada e isso saúda-se, obviamente. Foi uma obra sob a responsabilidade da Câmara Municipal de Estarreja - a primeira digna desse nome deste mandato nesta freguesia e onde foram gastos cerca de 15 mil contos. Pelos vistos uma enormidade!
Ora, quem não conhece a zona e se fica pela [descrição técnica da intervenção], pensará que, de facto, se trata de um arrojado e gigantesco projecto que só o valor despendido promete ofuscar.
Pois bem, trata-se sim de um arranjo paisagístico de uma pequena zona com uma centena de metros de comprimento, já que o Projecto elaborado para a dita - esse sim, um projecto completo - não mereceu a aprovação da Câmara Municipal por ser demasiado dispendioso...
De uma forma simples se pode dizer que a CME pegou no projecto, rasgou-o pelo meio e concretizou uma das metades. E é esta forma de agir que irrita. Nem sequer se pedia à Câmara para realizar todas as obras de uma só vez, mas impunha-se a aprovação do projecto mesmo que a sua concretização fosse faseada. Não foi assim e, tivemos então a inauguração de uma meia obra.
Depois, mais importante que dizer que a zona está linda, bem arranjada e atraente (está à vista, obviamente!), seria ouvir da parte do Sr. Presidente que era frontalmente contra a instalação da tal bacia de retenção com que a SIMRIA quer "enfeitar" a zona. Uma coisa com uma já longa e obscura história que não vou aflorar agora pois o momento é de festa. Essa sim, seria a grande inauguração a que eu tiraria aqui o chapéu.
Para terminar, uma referência a um folheto hoje distribuído e que começa assim: "Há apenas umas décadas, o nome de Estarreja era associado a questões ambientais mal resolvidas". Hoje parece-me ser Canelas a freguesia com sérias questões ambientais mal resolvidas - basta atentar no que aqui se passou com toda a impunidade nestes dois ou três últimos anos - e estou certo que a culpa não é dos Canelenses.
E, por agora, por aqui me fico...

TGV

Sempre disse - e mantenho - que o país é pequeno demais para que possa tirar qualquer contrapartida da linha de alta velocidade entre Lisboa e o Porto. Parece-me que meia hora a menos é muito pouco para o investimento que o projecto envolve. Contudo, a ligação a Espanha é, sem dúvida, uma questão de bom senso e de responsabilidade política.
As recentes declarações de Manuela Ferreira Leite, fazem crer que, se for mandatada pelo povo Português para formar governo, mandará suspender de imediato o projecto do TGV em Portugal. Nesta fase, e dada a envolvência do País vizinho, Portugal só tem a lucrar com uma ligação a Espanha e parece-me quase um suicídio o discurso da Senhora Ferreira Leite.
Além disso, a linguagem utilizada no debate com José Sócrates a este respeito - e reporto-me apenas a este tema - foi infeliz. Muito infeliz.
Referir, publicamente, que Portugal não é uma província de Espanha é abrir uma brecha na fronteira que poderá ter sérios efeitos no futuro. E a isto chamo eu de falta de responsabilidade e de preparação. Há coisas que todos temos a liberdade de pensar mas não temos o direito de dizer, sobretudo quando há tanta coisa em jogo e quando do outro lado está um país que nos pode encostar às cordas se o desejar. Será que uma candidata a chefe de governo não sabe isso?

sexta-feira, setembro 11, 2009

LIBERDADE

Ser livre é querer ir e ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.


É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de pensar ir
ir e chegar ao fim.

(Armindo Rodrigues)
Alinhar ao centro

PARABÉNS!


Pedindo antecipadamente desculpa pela imodéstia, quero aplaudir, por razões óbvias que emanam da notícia [aqui], mas também com aquela pontinha de orgulho de poder dizer que a Inês é de família.
Parabéns, miúda!













Foto de "O Jornal de Estarreja"

HIPERACTIVIDADE

"Não se pode ir para uma junta ou uma câmara a pensar que vão os outros trabalhar por nós, não pode ser uma brincadeira"
(Teresa Lopes, 97 anos, candidata à Assembleia de Freguesia de Vila Franca da Beira). Para ler [aqui].


Aqui, nesta fregueisa de Canelas, um sono de pelo menos 3 anos e meio, parece ter dado lugar, de repente, a uma hiperactividade anormal, como se assim, dessa forma, fosse possível passar uma esponja pelo passado recente.
Há muitas formas de se chamar estúpido a um povo e esta é, seguramente, uma delas. Veremos se as gentes de Canelas se vão deixar influenciar por estes actos demagogos e que podem valer pela quantidade mas de qualidade pouco ou nada têm.
Após 35 anos de regime democrático em que os eleitores foram chamados a exercer o seu direito de escolha por 35 vezes, nunca por aqui se viu tamanha azáfama em vésperas de eleições. Pena que as haja só de 4 em 4 anos...

Mas, enquanto uns se entretêm a atirar areia aos olhos do povo, outros há que têm dedicado o seu tempo a insinuar, maldizer e até caluniar, tentando transformar a habitual pacatez do meio, numa espécie de guerrilha incompreensível, onde vagueia a suspeição e a mentira.Por mim, não o conseguirão.
Há pessoas para quem o simples, tradicional e educado gesto de dizer bom dia deixou de existir, deixando antever que foram envenenadas por um qualquer cão raivoso desses que, embora referenciados, continuam o seu vil trabalho de entoxicação colectiva, dando a cara apenas onde sentem algum apoio.
Os Períodos de pré-campanha e campanha eleitoral devem ser credibilizados, a bem das populações e do país. E não será difícil de o conseguir se cada candidato, quem os apoia e a população em geral, se centrarem na análise das propostas para o futuro que têm ou vão ter em mãos.
Aceita-se a discussão séria do passado e do presente, como base de fundamentação dos projectos futuros; pelo contrário, criticar gratuitamente, ou insurgir-se contra este ou aquele plano de trabalho, pelo simples facto que vem deste ou daquele lado, é demonstrativo de falta de inteligência, de capacidade e de respeito para com quem tem a coragem de os apresentar.
Mas, como dizia Shakespeare, os cobardes morrem várias vezes antes da sua morte, enquanto o homem corajoso experimenta a morte apenas uma única vez.


quarta-feira, setembro 09, 2009

CONSTATAÇÕES

ou as palavras dos outros.

(...)
Infelizmente mais um exemplo de má gestão de recursos é o de Estarreja. Com um jardim muito bem aproveitado em frente ao tribunal... ler mais.

domingo, setembro 06, 2009

FRASES

"A Calúnia e a injúria são as armas da ignorância."
(George Sand)

quinta-feira, setembro 03, 2009

Pois

A democracia permite, de facto, que cada cidadão exprima o seu pensamento das mais diversas formas. Há quem o saiba fazer com correcção, educação e frontalidade, e há os que desconhecem por completo essa forma civilizada de o fazer, e que mais não fazem do que partir para o insulto gratuito e para a mentira, traduzidos em discursos agressivos e venenosos. Os primeiros, mesmo que resguardados pelo anonimato, merecem-me, obviamente, admiração e respeito ainda que com eles possa estar em desacordo; os outros o desprezo em absoluto.
Farei aqui e agora uma excepção, que também serve para confirmar a regra, referindo-me aos comentários deixados no Terra Nostra acerca [deste] post.
Não me referirei ao conteúdo da prosa do José Matos, pois há coisas que são por demais evidentes, que só não vê mesmo quem não quer - quem o lê saberá fazer a devida análise -nem o farei em relação aos autores dos referidos comentários que, como já é habitual nos escritos do género, não têm sequer uma coisa que os homens, ainda que muito humildes ou até iletrados sabem ter: coragem para assumir o que dizem. Faço-o apenas e tão só, ao conteúdo dos mesmos, porque se trata de uma boa oportunidade que me é dada de esclarecer algumas mentes que parecem um pouco perturbadas ou, se quisermos ser claros, desesperadas.
"Pois"é pena que estes "discursos" que, pelos vistos, personalizam, escondem e representam um pequeno grupo de gente com ideias e projectos de grande utilidade para a freguesia, que sabe o que quer e que por isso provavelmente tem lutado, não tenha um rosto para se afirmar como alternativa aqueles que tresloucadamente vão a caminho do suicídio.
Pois... fico seriamente sensibilizado com a preocupação por eles demonstrada para com o meu futuro político.
E, nesse sentido, quero tranquilizar os "Velhos do Restelo" e lembrá-los do seguinte:
- Estou, de facto, há 16 anos ligado ao poder local: oito como secretário do órgão executivo, e oito na Assembleia de Freguesia.
- Até ao momento presente não efectuei, publicamente, qualquer crítica à actuação da Junta de Freguesia liderada pelo Sr. Simões Pinto, com quem continuam a existir, pelo menos pela minha parte, as melhores relações pessoais e institucionais. Nem o fiz no que diz respeito aos elementos das outras duas listas, pelo que a referência a tal é uma tentativa manhosa mas infrutífera.
- Centrei, conjuntamente com a Junta e Assembleia de Freguesia, as minhas atenções neste segundo mandato, na falta de obras realizadas em Canelas, tendo por base os Planos de Actividades da Câmara Municipal. Pois...está documentado nas actas da Assembleia de Freguesia, para que se saiba.
- Fui, e fomos, condescendentes com o primeiro mandato do actual Presidente da Câmara porque - e é prática corrente - sabemos que, quando se chega, a primeira pretensão é "arrumar a casa" ao nosso jeito; depois há todo um conjunto de prioridades que carecem da melhor atenção. Mesmo assim, entendemos que se foi fazendo, não o desejável mas o que foi sendo possível. E daí que não tive grande dificuldade em voltar a integrar uma lista que se identificava e contava com o apoio do mesmo líder camarário. Uma lista para a qual fui convidado pelo Sr. Simões Pinto e não por qualquer representante do PSD e na qual estive como independente. Parece que aí ninguém se incomodou com isso...
- Entendo que os segundos mandatos são a oportunidade de mostrar o que se vale. E, para que não restem dúvidas, aqui fica um pequeno "filme" dos últimos 4 anos:

(...)RVRIA: Estamos a terminar mais um mandato. Qual é o balanço que faz de toda a sua actividade?

SP: Nas obras da freguesia, da responsabilidade da Junta, estou convencido que está a correr bem, têm sido feitas algumas coisas. Na parte das obras da Câmara já não posso dizer o mesmo. As obras para Canelas são sempre muito poucas, tarde e a más horas, e não posso estar satisfeito com as obras que a autarquia tem feito. Canelas tem sido desprezada. O sector sul, Canelas e Fermelã, tem sido desprezado e eu já fiz um alerta "à navegação".(...)

JE: Volto a colocar-lhe a mesma questão. Qual é a grande obra projectada para Canelas?

SP: Nenhuma.

JE: Como são as relações entre a Junta de Canelas e a Câmara Municipal?

SP: As relações em si têm sido boas. Mas estou desiludido com as obras que têm sido projectadas para a freguesia. Por isso não estou muito satisfeito com a actuação da Câmara.

RVRIA: As obras que já enumerou são as que, na sua opinião, ficaram por fazer?

SP: Nos últimos três anos não se fizeram quase obras. Em 2006 andou-se a pagar as obras de 2005, altura de campanha eleitoral. Em ano de eleições há-de fazer-se mais alguma coisa. Os meus objectivos, desde que assumi os comandos da freguesia, eram dois: a construção de sede da Junta e a construção do cemitério. Cumpri os dois. O cemitério ainda não está na totalidade, mas já lançamos o concurso para fazer mais um talhão e espero que este mês se comece a construção.

(Excertos da entrevista do Sr.Presidente da Junta de Freguesia de Canelas à RVR e JE, em 30 de Abril de 2009).

Onde se lê "SP", de Simões Pinto, poderia ler-se "CR", de Camilo Rego, pois a sintonia é total, a este respeito.

- DePois é importante perceber as funções inerentes aos órgãos executivos e deliberativos, para que se não digam parvoíces.

Poderia ficar-me por aqui, mas falta ainda agradecer a preocupação com a carreira política, com a derrota eleitoral, com o suicídio e com o vira-casacas.

- A obsessão pela vitória não está do meu lado. Encarei este passo ponderadamente, com seriedade, naturalidade e coerência para com o que vim defendendo publicamente para a freguesia, em nome dela e não em nome de qualquer partido ou carreira política; predispus-me a elaborar um programa, que tenho como importante para o futuro de Canelas e da sua população - tal como outros o farão - e que submeterei à decisão eleitoral em 11 de Outubro; é apenas uma oportunidade de escolha que se não repetirá no futuro, pelo que, ao contrário do que se pretende insinuar, tem por base a análise de todos os cenários possíveis. Obviamente que, aqui chegados, faremos uso da estratégia que temos delineada para vencer, mas sem nunca descurar o respeito e lealdade por todos os "adversários".

- Serei, de facto, um vira-casacas, se isso representar o inconformismo; o querer mais para esta freguesia; a coragem de agir de acordo com o que digo e defendo; o dar a cara por aquilo que penso; o apresentar uma proposta que rompe com o passado; a escolha de um grupo que se sente interessado e imbuído de uma dinâmica capaz de ir mais longe.

Sim, serei orgulhosamente, um vira-casacas, se daqui a 4 anos tiver desenvolvido o meu Programa para Canelas, e para o que conto com o apoio, dedicação e confiança do Fernando Mendonça. Por enquanto, sou e serei um cidadão preocupado com o futuro da minha freguesia e com o desprezo que a mesma tem tido ultimamente por parte da CME.

- Continuo hoje, como ontem e como há 3 anos, a querer a mesma coisa e a pensar e a agir de acordo com o que pretendo. O que mudou foi apenas a fonte do apoio necessário, uma vez que a existente secou há pelo menos 4 anos, mesmo que constantemente abanada. Ficar sentado outros 4 à espera que a água volte a jorrar é, no mínimo, falta de responsabilidade e Canelas não é merecedora de tal atitude.

Quanto ao contrato de compra e venda, é precisamente o facto de não me ter vendido ao PSD, que incomoda. Há gente habituada a comprar tudo e todos e sente-se mal quando não fecha um negócio. E podem estar certos todos os Canelenses (atentos, desatentos, espertos ou que se armam em tal, os que sabem e os que hão-de saber) que, da mesma forma que não me vendi ao PSD, também não me venderei ao PS. E o PS sabe disso de antemão. Já cansa dizer que o que me liga ao PS é o apoio que tenho garantido do Fernando para realizar o Programa que desejo para a minha terra. E é aqui que reside a grande diferença que incomoda: é que, quer o Programa ,quer a equipa, foram da nossa inteira responsabilidade, com base nessa total liberdade e confiança que são os pilares deste Projecto que visa, apenas e tão só, mudar de caminho.

Mas, se há alguém com insónias por esse motivo, que procure adormecer a pensar que eu sou o líder concelhio ou distrital do PS. Nem me aquece nem me arrefece o que outros possam pensar a esse respeito. O que para mim conta, é registar que algumas pessoas de quem necessariamente me tenho aproximado ultimamente, são substancialmente diferentes quer como homens, quer pela dinâmica que demonstram, quer pela garantia e confiança que transmitem.

- Sei efectivamente qual é o melhor caminho para a minha terra, porque a areia que ultimamente conspurca os ares de Canelas não me entra nos olhos...

Pois termino dizendo que poderão tranquilizar-se os preocupados porque se ganhar, festejarei daqui a 4 anos, se tiver condições para desenvolver o meu Programa; se perder, a vida também é feita de derrotas e nem isso me fará ser diferente. Procurarei contribuir no próximo mandato, para que o Futuro desta terra possa ser substancialmente diferente, seja na Junta ou na Assembleia de Freguesia, e na certeza de que os abutres que vagueiam por aí, acabarão por se devorar uns aos outros, ávidos que estão de sangue.