Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, junho 07, 2009

DIREITO E DEVER

Estou-me completamente nas tintas para o acto eleitoral de hoje. E como eu, provavelmente mais aproximadamente 65% dos eleitores.
Habituámo-nos a ouvir dizer que é um direito e um dever. Diria antes que é um direito apenas. Dever, sê-lo-ia se acreditássemos no prolongamento desse direito. Mas não; cada vez são mais os que, conscientemente, deixam de contribuir para que o circo não páre. A história recente o justifica.
E de nada vale ao Sr. presidente desta república apelar ao voto, retirando o direito de reclamar aos que ficam em casa.
Por esta altura, já deveria o Sr. presidente saber que os portugueses, tal como os espanhóis, os ingleses, os húngaros ou os holandeses deixaram de acreditar nesta europa que os senhores de Bruxelas querem vender a todo o custo. Uma europa que eles criaram com pés de barro e que rapida e facilmente se demoronou como um simples castelo de cartas.
A europa faz sentido para os 785 deputados que lá se sentam, dos quais 22 são cá do burgo. Para esses a europa é o oásis, a terra prometida. Cá fora, a Europa é outra. É a Europa do desemprego, do custo de vida insustentável, da degradação do ensino, da saúde e da justiça, das reformas de miséria, do encerramento das empresas, dos desfalques e das trafulhices, dos impostos incomportáveis, dos off-shores, etc.
E deveria o sr. presidente saber que são já muitos os que se não revêm nessa tal europa que nos querem vender. Basta olhar para os níveis que a abstenção vai ter.
A abstenção baixará sim, mas somente quando os eleitores voltarem a acreditar numa geração de políticos que não seja corrupta, que se dedique seriamente à causa pública, que se limite a ganhar o que tem direito e, acima de tudo, que dê exemplo nestas alturas de crise acentuada.
Logo, às 19h00 todos vão ganhar. Virão todos às varandas acenar aos pacóvios em discursos inflamados e de cartões na mão. Cartões amarelos e vermelhos ao governo e à oposição, escondendo e disfarçando o verdadeiro sentido deste acto eleitoral e da baixa adesão ao mesmo: um enorme cartão vermelho, mas a todos os que fazem parte do circo.
Mas, que importa? A hora é de festejar, como se a crise que se abate sobre a europa e o mundo desaparecesse como num passe de mágica.

4 comentários:

Anónimo disse...

Fui lá apenas para castigar a política do Sócrates e sus muchachos, votando pela 1ª vez na vida no PSD. Pelos resultados se pode ver a seriedade das sondagens que há meses nos dão grandes vantagens do PS. Ou não fosse, pelo menos uma das mais importantes empresas dessas trafulhices, propriedade de um conhecido sindicalista militante socialista...

Anónimo disse...

...e que deixou mais uma (sondagem) para o povão ir analisando, contra-analisando... mas o que interessa são os factos e contra factos não há argumentos e, se os há, chegam a ser ridículos.
Que ideia "peregrina" de fazer uma sondagem para as legislativas 3 dias antes das europeias, sem pelo menos terem o cuidado de ver se tinham acertado na sondagem que tinham feito para estas!

Anónimo disse...

O objectivo das sondagens (encomendadas, pagas por quem as encomenda e com o objectivo de os resultados agradarem a quem as encomenda) pelo menos nos últimos anos, é sempre o mesmo: manter o Zé Povinho agarrado à ideia que a generalidade da imprensa escrita e falada criou e tem espalhado insistentementede de que o povo acha boa a governação do Sócrates, de que a oposição não tem força nem credibilidade e de que não há alternativa ao PS. As sondagens mentirosas são apenas mais uma peça da gigantesca campanha de auto-propaganda que o governo e o partido a que pertence têm feito todos os dias para disfarçar uma governação catastrófica e dar ao povo a ideia de que o país, apesar da crise (que já cá existia antes de vir de fora), está a ser bem conduzido e vai bem. Todos os governos procuram instrumentalizar a imprensa e as sondagens a seu favor, mas como este nunca tinha havido nada...e não fora duas excepções que têm resistido (mais a TVI, menos o Correio da Manhã), bem parecia mesmo que estava tudo bem...

Anónimo disse...

É sempre a mesma história.
Metem-nos na caixa-das-ideias, de que devemos eleger.
Eleger quem?!
Quem nos trama? Quem se aproveita de tudo e de todos para se satizfazer à base de mordomias, desvios, alambuzamentos, para se lhes tirar o chapéu? Para ter grunhos a rastejar depois para obterem um empurrãzinho naquele emprego, naquela lista de doentes no hospital, naquela licença de habitabilidade, naquela junta.

Sempre se dirá: "Uma mão lava a outra".

Sempre se baterá à porta da casa de alguem com o pé (porque as mãos estão ocupadas).


Votar para quê?

Alguem me elucide, que me mostre os prós, porque neste momento só vejo os contras.