Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

terça-feira, junho 23, 2009

Dentro de pouco

tempo será formalmente apresentado o candidato à junta de freguesia de Canelas pela coligação PSD/CDS, a julgar por um sms/convite que acidentalmente me caiu no telemóvel ontem, cerca das 22h00. Digo acidentalmente porque há muito que esse tipo de notícia deixou de me interessar, e nem sequer se me aguça a curiosidade em saber quem é o dito cujo.
Desconhecendo por completo o nome que vai ser anunciado publicamente, não estarei longe da verdade se disser, antecipadamente, que se pretende uma pessoa que incomode o menos possível, para que tudo continue como dantes. E o "dantes" é simples de definir: continuará a Câmara Municipal a investir - bem ou mal - nas freguesias maiores do concelho e durante a maior parte do mandato para, em vésperas de eleições apenas, se lembrar das outras - as de mil e poucos eleitores. Sim, porque nestas alturas, todos os votos são importantes pois nunca se sabe... e é melhor jogar pelo seguro.
Para atestar isto, bastará olhar um pouco para o passado recente para ver que, durante os três anos deste mandato, a atenção da Câmara Municipal para com a freguesia de Canelas foi nula, limitando-se quase em exclusivo a transferir as verbas que a delegação de competências na junta de freguesia legalmente exige.
Finalmente, a meia dúzia de meses das eleições dignou-se, a Edilidade, aqui fazer uns arranjos na zona do Esteiro, para que a malta dela se lembre no dia de votar. Diz o povo naquela sua sabedoria secular que, com papas e bolos se enganam os tolos.
A atestar isto, releiam-se as entrevistas dos ainda presidentes das juntas do concelho que, pelo menos dessa vez, tiveram a coragem de publicamente referir a falta de apoio da Câmara Municipal de Estarreja, demonstrando a sua desilusão pela forma como decorreu o presente mandato. E não sou eu a dizer isto, foram eles os que, em resposta, o Sr. presidente da Câmara mandou trabalhar mais e falar menos.
Entendo que o lastimável estado político-administrativo do país teve a sua origem na falta de preparação dos políticos que nos têm vindo a governar. Na falta de preparação e de ética, obviamente.
Também acredito que essa responsabilidade começa a nível local, muito por culpa dos partidos que apenas se abeiram das populações em vésperas de eleições para, tal como anteriormente aqui se referiu, preencherem as listas a apresentar a sufrágio. Listas essas que, na sua generalidade são compostas por pessoas sem qualquer preparação ou conhecimento, e que se limitam a deixar correr o tempo, impelidas por uma inclassificável subserviência, que chega a ser confrangedora.
Aceitar pacificamente três anos consecutivos sem que uma única obra digna desse nome, seja sequer iniciada é, no mínimo, irresponsabilidade e desrespeito pelas populações, mas é o que, muito provavelmente, convém a muito boa gente. E, pior ainda, é a triste realidade.
Deseja-se que, quem quer que sejam os escolhidos, tenham a coragem de activamente fazerem a diferença, sem se deixarem enrolar pela conversa fiada dos mais ou menos bem falantes, a bem da freguesia.
É certo que, por vezes, isso tem um preço um pouco alto mas, no final, sairão de cabeça levantada enquanto outros o farão rastejando porque, perdida a coluna vertebral, jamais se conseguirão erguer. E, quem enfrenta estes desafios desinteressadamente e com o único objectivo de servir a freguesia, tem de ser persistente e incómodo, porque só assim conseguirá vencê-los (os desafios).

CURTA

O Sr. Presidente da República descobriu, em Londres, uma coisa mirabolante: "é extremamente negativo para Portugal se a AutoEuropa fechar."
É necessário chegar-se ao cargo mais alto da nação para se descobrirem estas coisas...

sábado, junho 13, 2009

A CAÇA NO BAIXO VOUGA

A permissão da caça na zona do Baixo Vouga Lagunar continua na ordem do dia e, mais agora, com o alargamento do Projecto Bioria.
De facto, tendo em conta os objectivos do espaço Bioria, que assentam sobretudo na preservação deste ecossistema tão sui generis e único, não se compreende que a actividade cinegética seja aqui bem-vinda, tanto mais que toda a área agrícola e florestal do concelho está transformada em zona de caça.
O poder local, por diversas vezes chamado a pronunciar-se sobre o assunto, mantém sobre o mesmo um silêncio esclarecedor, pelo que se crê que por aí a água nunca chegue ao moinho.
Ora, a Rádio Voz da Ria tem presentemente a decorrer um inquérito sobre se deve ou não ser proibida a caça nesta zona lagunar. Pode ser uma oportunidade excelente para se conhecer o que pensam os habitantes do concelho, assim ao jeito de um referendo local.
Para votar, basta clicar na imagem acima e, já no site da RVR, fazer a sua escolha. E, já agora, divulgue junto dos seus contactos. A Natureza agradece.

BIORIA II

É, de facto, com satisfação redobrada que se assiste à utilização dos novos percursos do Projecto Bioria. Como já se disse anteriormente, a Natureza tem aqui algo de sublime à espera uma merecida apreciação. A atmosfera relaxante, os sons, os cheiros, as cores, tudo se conjuga harmoniosa e perfeitamente.
Mas, se uns se preocuparam em dotar os percursos de equipamentos próprios e úteis para o desfrutar pleno de tudo isto, a escumalha da sociedade também já começou a fazer das suas.
A imagem fala por si.
Actos destes, quando presenciados por alguém, não merecem sequer a chamada das autoridades; o povo sabe muito bem como se resolvem.


segunda-feira, junho 08, 2009

ANÁLISE

Os resultados do acto eleitoral do passado domingo, as reacções e os discursos oficiais sobre os mesmos, espelham claramente a amplitude da cultura política do país.
Sempre tive a percepção de que cada eleição - das 4 com que, de quando em vez, a democracia nos presenteia - é um acto isolado e de características bem distintas.
Tomando por certo que a maioria dos votantes não ouviu uma única palavra sobre o que se propõe cada euro-deputado defender, fica sem perceber-se o motivo das eleições para o parlamento europeu. Talvez fosse preferível nomear os ditos embaixadores da lusa pátria em função dos resultados das legislativas. Se mais não fosse, pelo menos poupar-se-iam uns milhares de euros, e o resultado seria mais ou menos o mesmo. Afinal, mudam apenas as moscas.
As efusivas comemorações de vitória dos partidos A ou B ou a mea culpa dos derrotados, numa altura em que nenhum dos eleitos fez algo ainda, é o espelho da confusão que se faz entre esta eleição e as legislativas, por exemplo.
Ora, neste caso particular da eleição para o parlamento europeu, parece-me óbvio e desejável que o que está em jogo é a capacidade individual de defesa dos interesses do país perante as políticas europeias, que nem sempre nos são favoráveis, e não um qualquer programa partidário. Assim sendo, não parece que deva haver nesse aspecto grandes divergências.
É por isso que não se percebe o motivo das efusivas comemorações de vitória numa altura em que nada há ainda para festejar, a não ser que as mesmas se reportem ao alcançar do almejado "tacho".
No final do mandato, sim. Se os ditos ilustres euro-deputados o merecerem, então dever-se-ia festejar e reconhecer o trabalho desenvolvido. Mas não estamos a isso habituados.
No seguimento de tudo isto, facilmente se percebe que estas eleições serviram mais para julgar a actuação do governo de José Sócrates do que para eleger os deputados europeus que, tirando os cabeças de lista, continuam a ser para a grande maioria dos votantes, uns ilustres desconhecidos. Fica assim provado o esvaziamento de conteúdo da eleição e a sua consequente inutilidade, também patente no desinteresse dos partidos pela discussão pública do assunto "Europa", já que nem os candidatos deram a conhecer qualquer alinhamento de ideias acerca do que pretendem fazer, nem os partidos que lhes deram suporte. Talvez o objectivo seja mesmo assinar o ponto, como já se ouviu por ai.
Ora, esta confusão entre eleições europeias e legislativas é demonstrativa, como dizia no inicio, da pobre cultura política portuguesa em que se misturam alhos com bugalhos.
A falta de personalidade dos eleitores, faz com que, cíclicamente, ainda se vote na chaminé ou na mõozinha fechada, mesmo que se não saiba nada dos projectos que lhe estão apensos, numa alternância que tem levado o país para a mais baixa pobreza socio-económica. Mas, em bom rigor, quem se importará com isso, habituados que estamos ao sistemático incumprimento do que nos prometem?
Aqui chegados, falta ainda uma última nota, quiçá a mais importante conclusão a tirar destas eleições: o emergir de uma nova força política que parece querer dar que falar.
De facto, o BE vai impondo o seu rumo e conquistando o seu espaço, muito por custa de uma peculiar forma de cativar uma significativa faixa do eleitorado mais jovem.
A irreverência, firmeza e coerência do lider vem contagiando cada vez mais a juventude que se revê na força interventiva e na defesa de causas que os grandes partidos deixam na gaveta.
Ver-se-á, já nas proximas legislativas, a sua capacidade de resistência e consolidação no panorama político nacional mas, desde já, parece ser uma força emergente que começa a preocupar os maiores partidos.

domingo, junho 07, 2009

DIREITO E DEVER

Estou-me completamente nas tintas para o acto eleitoral de hoje. E como eu, provavelmente mais aproximadamente 65% dos eleitores.
Habituámo-nos a ouvir dizer que é um direito e um dever. Diria antes que é um direito apenas. Dever, sê-lo-ia se acreditássemos no prolongamento desse direito. Mas não; cada vez são mais os que, conscientemente, deixam de contribuir para que o circo não páre. A história recente o justifica.
E de nada vale ao Sr. presidente desta república apelar ao voto, retirando o direito de reclamar aos que ficam em casa.
Por esta altura, já deveria o Sr. presidente saber que os portugueses, tal como os espanhóis, os ingleses, os húngaros ou os holandeses deixaram de acreditar nesta europa que os senhores de Bruxelas querem vender a todo o custo. Uma europa que eles criaram com pés de barro e que rapida e facilmente se demoronou como um simples castelo de cartas.
A europa faz sentido para os 785 deputados que lá se sentam, dos quais 22 são cá do burgo. Para esses a europa é o oásis, a terra prometida. Cá fora, a Europa é outra. É a Europa do desemprego, do custo de vida insustentável, da degradação do ensino, da saúde e da justiça, das reformas de miséria, do encerramento das empresas, dos desfalques e das trafulhices, dos impostos incomportáveis, dos off-shores, etc.
E deveria o sr. presidente saber que são já muitos os que se não revêm nessa tal europa que nos querem vender. Basta olhar para os níveis que a abstenção vai ter.
A abstenção baixará sim, mas somente quando os eleitores voltarem a acreditar numa geração de políticos que não seja corrupta, que se dedique seriamente à causa pública, que se limite a ganhar o que tem direito e, acima de tudo, que dê exemplo nestas alturas de crise acentuada.
Logo, às 19h00 todos vão ganhar. Virão todos às varandas acenar aos pacóvios em discursos inflamados e de cartões na mão. Cartões amarelos e vermelhos ao governo e à oposição, escondendo e disfarçando o verdadeiro sentido deste acto eleitoral e da baixa adesão ao mesmo: um enorme cartão vermelho, mas a todos os que fazem parte do circo.
Mas, que importa? A hora é de festejar, como se a crise que se abate sobre a europa e o mundo desaparecesse como num passe de mágica.

terça-feira, junho 02, 2009

A MESMA COISA DE SEMPRE

No fim de mais uma campanha eleitoral para a eleição dos deputados ao Parlamento Europeu, ainda não se sabe o que pretende fazer cada candidato além [disto] (já em 2003 era assim!).
Confesso que este próximo acto eleitoral me traz completamente indiferente, mas o que é facto é que os senhores que pretendem andar pelos corredores de Bruxelas, se entretêm a dizer mal; os do governo, dos outros e os outros, do governo. Parece mesmo que se está em campanha para as eleições legislativas.
E é isto que fazem ao percorrer o país, de feira em feira ou de restaurante em restaurante, sem que dêem à luz uma única ideia que possa dar alguma justificação ao dinheiro que lá vão buscar.
Discute-se a governação cá do burgo e os casos mediáticos do BPN, BPP e outros, entre insultos e parvoíces. Tudo às custas do erário público, obviamente!
De propostas e ideias para o trabalho em Bruxelas, nada que se veja.
E ainda há pacóvios que vão na cantiga destes figurões.