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terça-feira, maio 05, 2009

AS ENTREVISTAS

- agora terminadas - aos presidentes das Juntas de freguesia do concelho, levadas a cabo pelo JE e RVR, vieram pôr a claro e a público, entre outras coisas, a falta de apoio da Câmara Municipal para com as freguesias mais pequenas do concelho. Muito embora as outras - as maiores - se tenham queixado também, estou certo de que essas o fazem por querer mais, enquanto as outras clamam apenas por alguma coisa.
E quando digo alguma coisa, estou a pensar um pouco mais além do que o alargamento de dois ou três caminhos, uma pintura na escola, ou o arranjo das Ribeiras. Sim, porque até este - o arranjo da zona do Esteiro de Canelas - se ficou apenas pelo alindamento da boca do Esteiro e pouco mais, o que faz com que se não se preveja tirar qualquer interesse futuro que não o de nos sentarmos ali a olhar para nada. E isto mercê da recusa da CME em dar seguimento a um projecto que foi apresentado na Assembleia de Freguesia e que a todos agradou. Terá alegado a edilidade o alto custo da obra. Mas, para uma freguesia que está há três anos sem ver nela investidos os dinheiros que lhe couberam nos Orçamentos da Câmara, parece estranho que se evoque ser essa a causa de se ter deixado na gaveta o projecto do arquitecto Vítor Ramos. E digo eu que, por uma vez, tínhamos aqui um projecto diferente, bem concebido e interessante. Não teria a Câmara de o executar de uma vez só, mas tinha o dever de o aprovar e de o implantar à medida das suas possibilidades. Afinal, o investimento nesta fregueisa, neste mandato, está claro nas palavras do Sr. presidente da Junta.
Mas adiante. O que pretendia com esta breve análise às entrevistas até agora acontecidas, era vincar o que afinal andei a dizer durante todo este mandato. E, lembrando-me das palavras do Sr. presidente há alguns meses atrás, nada mais me resta do que um leve sorriso pois afinal verifico mesmo que "lá tenho a minha razão..."
Uma razão que, pelos vistos se estende a Veiros, Salreu e até a Beduído, uma vez que em Fermelã parece estar tudo "sobre rodas"...!!!
Ao dar conta desta série de entrevistas, pensei vir a ler algo que desmentisse ou provasse o contrário do que pensava. Enganei-me, pois a maioria dos entrevistados reforçaram, e bem, a minha opinião.
Cansado de chamar a atenção para isso mesmo sem que tivesse sido levado a sério, usei do direito que a lei me conferia e apresentei o meu pedido de demissão de presidente da Assembleia de Freguesia de Canelas. Fi-lo porque entendo que quem se sujeita a sufrágio - e todos o fazem de livre vontade - deve corresponder aos anseios dos eleitores e a sua actuação deve ser por eles julgada. Como eleitor, sinto-me no direito de o fazer, da mesma forma que aceito que o façam de mim. Há quem não conviva muito bem com isso; quem queira apenas ter ao seu redor os que não chateiam, os que passam a vida a bater-lhes nas costas e que cumprem religiosamente os recados do "chefe", mesmo que isso se traduza numa apatia mórbida, que normalmente se traduz num acomodamento inútil.
Não abandonei, na altura, a Assembleia de Freguesia, porque foi o povo que me elegeu, sendo que o cargo de presidente da Assembleia é eleito dentro da própria Assembleia. São, por isso, deveres muito diferentes. Registei a solidariedade de todos os membros para comigo, e tudo fiz para que o órgão se mantivesse em funções, o que efectivamente aconteceu. Talvez tenha cometido aí um erro.
De facto, não é difícil reconhecer que as Assembleias de Freguesia são normalmente constituídas por cidadãos que, em muitos dos casos, parece nem saberem o que ali estão ou têm de fazer. E isto porque, antes alguns meses dos actos eleitorais, se anda de porta em porta a mendigar os nomes, para que seja possível apresentar uma lista de 19 elementos.
Encontrados os três primeiros, os que a priori formarão o executivo, os restantes não são tão difíceis de convencer pois "aquilo não dá trabalho nenhum", "são apenas quatro reuniões por ano e nem é preciso fazer nada." E por aqui se mede a importância das Assembleias de Freguesia... e, quando aparece alguém atento e disposto a executar as suas funções com isenção, interesse e objectividade, a bem da freguesia que representa, incomoda e o que há a fazer é não o levar a sério.
O mesmo se aplica a estas coisas dos blogues, que às vezes metem por aí umas areias nas engrenagens e dificultam o desenvolvimento das freguesias. Esses, são os verdadeiros culpados do pouco investimento e de tudo o que de mau tem acontecido: as lamas, a morte dos peixes, a pretensa compra dos terrenos a 1 euro / m2 (os mesmos que foram pagos a 6 e a mais pela EP para a A29), a construção da bacia de retenção paredes meias com as casas e com o parque de merendas da freguesia, etc.
Infelizmente, em muitos casos, esta é a única forma de lidar com determinados problemas, dando-lhe alguma visibilidade, porque quem o deveria fazer não faz.


2 comentários:

Fermelanidades Leite de Matos disse...

"Uma razão que, pelos vistos se estende a Veiros, Salreu e até a Beduído, uma vez que em Fermelã parece estar tudo "sobre rodas"...!!!"

Sobre rodas não diria que as rodas às vezes tambem patinam, mas sobre carris é capaz de estar. Fermelã só lhe falta o comboio porque de resto "tem tudo". E mesma essa falha na questão das ferrovias vai ser suprida assim que a futura estação do TGV se instalar em propriedades do Roxico, portanto, Fermelã tem tudo para exlodir a qualquer momento!!

Anónimo disse...

Como tem razão sobre as Assembleias de Freguesia. Em Pardilhó que só tem um elemento de cor diferente, é uma pasmaceira, só não dormem porque o presidente da junta a falar faz muito ruído. Num assunto que se encontra há anos para resolver( casa da Ti Ana), foi o presidente da Assembleia que chamou a atenção que as coisas que não se podiam resolver como o da junta queria, ele amuou e acusou-os de não o deixarem trabalhar...



JT