Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, maio 31, 2009

BIORIA II


Foi ontem oficialmente inaugurado o Projecto Bioria II.
Composto por dois simpáticos percursos, um totalmente na freguesia de Canelas e outro dando as mãos à freguesia vizinha de Salreu, este Projecto vem contribuir grandemente para a divulgação desta magnífica zona do Baixo Vouga.
É justa, também por isso, uma palavra de satisfação e de reconhecimento à Câmara Municipal de Estarreja, pelo desejo e concretização do alargamento do Bioria a esta freguesia de Canelas.
Para quem se deixa absorver com frequência pelo que a natureza aqui tem, o momento é de regozijo, obviamente.
Os percursos, leves e frescos, fazem-se com facilidade e interesse. O diálogo perfeito entre a fauna e a flora, sente-se a cada passo.
Os visitantes, à medida que avançam nos percursos, vão deparando com uma atmosfera de magia, pulverizada com cheiros a fenos e a flores e salpicada com inúmeras cores que a natureza se encarrega de ir mudando ao longo do tempo.
É aqui, onde o silêncio é agradavelmente quebrado pelos trinados dos pássaros que saltitam alegremente de ramo em ramo, que outro elemento - a água - dá um toque de excelência a todo o quadro. Os enormes espelhos, nos quais a natureza se pinta e apresenta magnificamente, convidam à contemplação.

Não deveria caber aqui qualquer referência menos positiva, mas é impossível deixar de o fazer. Dizem os cartazes de introdução nos percursos - e bem - que devem os visitantes evitar o ruído para não perturbar toda esta harmonia paradisíaca.
Pois bem, será esta a altura certa para se discutir, sériamente, a oportunidade da caça que, por incrível que pareça, se pratica em toda esta zona.

quinta-feira, maio 21, 2009

E CHAMAM A ISTO DEMOCRACIA

De novo a mordaça saiu à rua.
Um enfermeiro, achando-se vítima de injustiça, escreve ao Chefe deste Estado e acaba com dois processos que, muito provavelmente, o levarão ao desemprego. Diz-se que difamou a gerência do hospital e, vai daí, processo em cima. Estava a lutar pelo que julgava ser os seus direitos.
E diz-se que Abril trouxe liberdade de expressão.

Há dias recebi um mail que apelava ao voto em branco como a forma mais legítima de protestar contra esta gente sem escrúpulos que deambula, de Câmara em Câmara, de governo em governo ou de cargo em cargo, mandato atrás de mandato, como se fossem insubstituíveis. Dizia o mesmo que, se a maioria dos votos entrados forem brancos, a eleição é nula e novas listas terão de ser feitas, mas com outros nomes. Seria o caos.
Desconheço a veracidade deste facto mas a realidade diz, claramente, que nos últimos actos eleitorais o povo deles se tem desinteressado. A abstenção e os votos em branco ultrapassaram já os 41%, chegando quase aos 64% nas eleições para o Parlamento Europeu de 2004. É sintomático. E, a avaliar pelo que se ouve todos os dias, este número irá subir, e muito.
É tempo de rever o rumo que a política tem levado em Portugal sob pena de que, em breve, quem quer que seja eleito fique com uma falsa legitimidade para exercer qualquer cargo.
E isso cabe inteiramente aos partidos políticos, já que é deles que parte a indicação dos nomes que se apresentam a sufrágio.
Mas não se pense que isto encaixa apenas nas eleições para o governo ou presidente da República. Tudo começa na escolha das listas para as autarquias às quais os partidos dão tão pouca importância que só aparecem junto da população quando é preciso arranjar dúzia e emia de nomes. É então que se anda de porta em porta a mendigar a anuência deste e daquele, a quem não foi dada qualquer formação, ainda que básica, sobre os direitos e deveres de um eleito.
E é assim que se esvazia o papel das Assembleias Municipais e de Freguesia onde, por vezes, a inoperância é tal que chega a meter dó.
Deveriam os partidos entender que é nas juntas e assembleias de freguesia que tem de começar a qualidade dos eleitos, para que a mesma se estenda às Câmaras, Assembleias Municipais e Governo. E, para isso, é necessário algum investimento naqueles que virão a ser a base do sistema político do país, ou seja: os autarcas.

sábado, maio 16, 2009

DIVULGAÇÃO

A Filarmónica de S. João de Areias (Viseu) vai apresentar-se amanhã, 17 de Maio, no Cine-Teatro de Estarreja, onde dará um concerto pelas 16h00. Aqui fica o pedido de divulgação solicitado pelos alunos da sua Escola de Música, e o convite para uma tarde de boa música em Estarreja.

sábado, maio 09, 2009

AS BRINCADEIRAS DO ESTADO

Assim mesmo! Um cêntimo é um cêntimo!
Ora, um país com um Estado sério e rigoroso tem destas coisas. Estamos, finalmente no bom caminho... para a bandalheira geral.
Já me imagino a observar a cara de quem teve o privilégio de passar o cheque.
Este país é mesmo uma anedota.

terça-feira, maio 05, 2009

AS ENTREVISTAS

- agora terminadas - aos presidentes das Juntas de freguesia do concelho, levadas a cabo pelo JE e RVR, vieram pôr a claro e a público, entre outras coisas, a falta de apoio da Câmara Municipal para com as freguesias mais pequenas do concelho. Muito embora as outras - as maiores - se tenham queixado também, estou certo de que essas o fazem por querer mais, enquanto as outras clamam apenas por alguma coisa.
E quando digo alguma coisa, estou a pensar um pouco mais além do que o alargamento de dois ou três caminhos, uma pintura na escola, ou o arranjo das Ribeiras. Sim, porque até este - o arranjo da zona do Esteiro de Canelas - se ficou apenas pelo alindamento da boca do Esteiro e pouco mais, o que faz com que se não se preveja tirar qualquer interesse futuro que não o de nos sentarmos ali a olhar para nada. E isto mercê da recusa da CME em dar seguimento a um projecto que foi apresentado na Assembleia de Freguesia e que a todos agradou. Terá alegado a edilidade o alto custo da obra. Mas, para uma freguesia que está há três anos sem ver nela investidos os dinheiros que lhe couberam nos Orçamentos da Câmara, parece estranho que se evoque ser essa a causa de se ter deixado na gaveta o projecto do arquitecto Vítor Ramos. E digo eu que, por uma vez, tínhamos aqui um projecto diferente, bem concebido e interessante. Não teria a Câmara de o executar de uma vez só, mas tinha o dever de o aprovar e de o implantar à medida das suas possibilidades. Afinal, o investimento nesta fregueisa, neste mandato, está claro nas palavras do Sr. presidente da Junta.
Mas adiante. O que pretendia com esta breve análise às entrevistas até agora acontecidas, era vincar o que afinal andei a dizer durante todo este mandato. E, lembrando-me das palavras do Sr. presidente há alguns meses atrás, nada mais me resta do que um leve sorriso pois afinal verifico mesmo que "lá tenho a minha razão..."
Uma razão que, pelos vistos se estende a Veiros, Salreu e até a Beduído, uma vez que em Fermelã parece estar tudo "sobre rodas"...!!!
Ao dar conta desta série de entrevistas, pensei vir a ler algo que desmentisse ou provasse o contrário do que pensava. Enganei-me, pois a maioria dos entrevistados reforçaram, e bem, a minha opinião.
Cansado de chamar a atenção para isso mesmo sem que tivesse sido levado a sério, usei do direito que a lei me conferia e apresentei o meu pedido de demissão de presidente da Assembleia de Freguesia de Canelas. Fi-lo porque entendo que quem se sujeita a sufrágio - e todos o fazem de livre vontade - deve corresponder aos anseios dos eleitores e a sua actuação deve ser por eles julgada. Como eleitor, sinto-me no direito de o fazer, da mesma forma que aceito que o façam de mim. Há quem não conviva muito bem com isso; quem queira apenas ter ao seu redor os que não chateiam, os que passam a vida a bater-lhes nas costas e que cumprem religiosamente os recados do "chefe", mesmo que isso se traduza numa apatia mórbida, que normalmente se traduz num acomodamento inútil.
Não abandonei, na altura, a Assembleia de Freguesia, porque foi o povo que me elegeu, sendo que o cargo de presidente da Assembleia é eleito dentro da própria Assembleia. São, por isso, deveres muito diferentes. Registei a solidariedade de todos os membros para comigo, e tudo fiz para que o órgão se mantivesse em funções, o que efectivamente aconteceu. Talvez tenha cometido aí um erro.
De facto, não é difícil reconhecer que as Assembleias de Freguesia são normalmente constituídas por cidadãos que, em muitos dos casos, parece nem saberem o que ali estão ou têm de fazer. E isto porque, antes alguns meses dos actos eleitorais, se anda de porta em porta a mendigar os nomes, para que seja possível apresentar uma lista de 19 elementos.
Encontrados os três primeiros, os que a priori formarão o executivo, os restantes não são tão difíceis de convencer pois "aquilo não dá trabalho nenhum", "são apenas quatro reuniões por ano e nem é preciso fazer nada." E por aqui se mede a importância das Assembleias de Freguesia... e, quando aparece alguém atento e disposto a executar as suas funções com isenção, interesse e objectividade, a bem da freguesia que representa, incomoda e o que há a fazer é não o levar a sério.
O mesmo se aplica a estas coisas dos blogues, que às vezes metem por aí umas areias nas engrenagens e dificultam o desenvolvimento das freguesias. Esses, são os verdadeiros culpados do pouco investimento e de tudo o que de mau tem acontecido: as lamas, a morte dos peixes, a pretensa compra dos terrenos a 1 euro / m2 (os mesmos que foram pagos a 6 e a mais pela EP para a A29), a construção da bacia de retenção paredes meias com as casas e com o parque de merendas da freguesia, etc.
Infelizmente, em muitos casos, esta é a única forma de lidar com determinados problemas, dando-lhe alguma visibilidade, porque quem o deveria fazer não faz.


CRISE, MAS QUAL CRISE?

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...
Guerra Junqueiro, em 1886.

Em Portugal, os deputados ganham 3708 euros de salário-base, o que corresponde a 50% do vencimento do presidente da República. Os subsídios de férias e de Natal são pagos em Junho e em Novembro e têm direito a 10% do salário para despesas de representação. Como também lhes são pagos abonos de transporte entre a residência e São Bento uma vez por semana, e por cada deslocação semanal ao círculo de eleição, um deputado do Porto, por exemplo, pode receber mais dois mil euros, além do ordenado.
São casas, carros, motoristas, telemóveis, subvenções, abonos, pensões vitalícias, viagens, ajudas de custo, etc,.
O escândalo continua [aqui].

domingo, maio 03, 2009

FINANCIAMENTOS

A Lei de financiamento dos partidos políticos, recentemente alterada e aprovada em tempo record, constitui mais um acto vergonhoso e indecente desta governação a que alguns ainda chamam de democrática.
Enquanto assuntos de importância fundamental se arrastam ad eternum nos corredores da Assembleia da República à espera de oportunidade para serem discutidos, os senhores deputados até prescindiram da apreciação e discussão das propostas relativas a este assunto., assinando de cruz a sua aprovação. E deve ter sido este um momento histórico na vida política deste reino. É que a dita Lei foi aprovada por unanimidade de todas as bancadas, exceptuando-se apenas o socialista A. J. Seguro. Honra lhe seja feita.
À miséria matreira que se vai instalando por todo o país, respondem os senhores deputados, com uma Lei que permite a injecção de 1.257.660 euros nos partidos políticos, uma verba 55 vezes superior à permitida até aqui.
Produzissem os senhores algum trabalho que se visse e poderia então justificar-se a actualização mas, contrariamente ao desejado, 35 anos de "democracia" serviram apenas para atirar o país para o precipício financeiro. E a culpa é de quem???
O vocabulário luso poderia ficar um pouco mais curto pois aconselhava-se a retirada de uma palavra do dicionário: vergonha. Efectivamente, está em vias de extinção.