Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sábado, abril 18, 2009

NOTAS DE FIM DE SEMANA

1 - Esta tendência de enfiar tudo o que se assume como obra média/grande dentro da "cidade" parece-me hoje completamente desapropriada, mas enfim, são opções que, embora delas discordando, democraticamente respeito.
O problema é quando se lá quer meter o que se não deve. Vem isto a propósito do que aqui escrevi em 22 de Setembro de 2008 sobre a sugestão/proposta, então do PS local, de enfiar um hospital no Centro de Saúde de Estarreja.

"Ali, na Teixugueira, encostado ao quartel dos bombeiros, volta e meia as sirenes a tocar, quando nem sequer é permitido buzinar junto a estas unidades de saúde e, mais preocupante ainda, nas imediações do complexo químico?!...
Alguém explique aos autores da proposta como é que se evacua, em segurança, um hospital implantado a apenas umas dezenas de metros do complexo químico, no caso de uma qualquer situação de emergência, que todos sabemos poder vir a acontecer.
Aplauda-se a ideia de uma nova unidade, mas lembre-se que o concelho não é só Estarreja, e que há locais mais aprazíveis, tranquilos e bonitos para a sua localização".
in Sem Rumo, 22/09/2008

Pois bem, se naquela altura estas linhas pretendiam apenas chamar a atenção para o aspecto da segurança, hoje, ao voltar a escrevê-las, revelam já muita preocupação. Só um acto de loucura ou de irresponsabilidade pode levar a que se disponibilize ali o terreno para o novo Hospital.
É certo que o Complexo Químico não tem hoje o fulgor de outros tempos, mas a periculosidade e o factor de risco não parecem ter diminuído por forma a que toda aquela zona possa ser hoje considerada um oásis.
Não haverá neste concelho alguém - que seja levado a sério - que faça ver isso mesmo, enquanto é tempo?
Estava por aqui a pensar como será um simulacro de acidente químico, envolvendo doentes em camas, frascos de soro pendurados, ventiladores, etc., porque imaginar tudo isso num cenário real seria, no minimo, dantesco.
2 - Fez bem a Câmara Municipal de Estarreja em pedir a suspensão do processo de instalação da bacia de retenção em Canelas ou Fermelã.
É que, podemos não ter até muita (in)formação , mas não será necessário tirar qualquer curso para saber o que não queremos na nossa terra.
3 - A problemática das custas a pagar pelo processo de Entre-os-Rios é bem o espelho do que se tornou a (in)justiça neste país. A notícia é digna de figurar nos anais do que mais ridículo e miserável seja possível encontrar.
Então aquela gente, não bastasse terem ficado com as famílias destroçadas, estão na eminência de ter de pagar 57 mil euros por um processo que deveria ter sido o Estado a instaurar?
Impunha-se o apuramento da verdade, tanto mais que, na altura, apareceram relatórios e fotografias atestando o estado de degradação dos pilares da ponte. Era ao Estado que competia, de imediato, apurar a verdade e a responsabilidade pelo sucedido. Mas, como sempre acontece nesta gloriosa pátria, quando há "peixe grande" envolvido, a malha da rede é enorme...
O filme é sempre o mesmo!
E, como se isso não bastasse, ainda temos de ouvir o Sr. presidente desta espécie de república a dizer que não se pronuncia acerca de uma matéria que é da responsabilidade do governo. Não se pronuncia mas devia fazê-lo, ou estará já a jogar para o segundo mandato?

sexta-feira, abril 17, 2009

O PROMETIDO É DEVIDO

O momento político

aconselha alguma moderação. O descrédito na classe é grande e as perspectivas de credibilização são cada vez menores. Daí que a ridícula euforia que se vive aqui em Estarreja pelo anúncio da construção de um novo Hospital, não seja de levar muito a sério.
Preferível será esperar para ver, o mesmo é dizer que, mais vale uma palavra no momento da inauguração do que um milhão delas por agora.
Continua por cumprir o protocolo assinado com a CME aquando do encerramento das urgências do Hospital Visconde de Salreu. Este facto não deverá ser disfarçado ou esfumado através do anúncio da construção de um novo Hospital, pelo que Câmara Municipal e todas as forças políticas representadas no concelho deverão concentrar os seus esforços na exigência do seu cumprimento.
Quanto ao novo Hospital, espera-se que venha a ser uma realidade mas dê-se tempo ao tempo. Há quem tenha a memória curta mas bastaria recordar, por exemplo, o caso da construção do IC1 ou A29.
Depois de quase uma década de luta pelo traçado a poente da linha do caminho de ferro (era então presiden seu anúncio oficial, em Fermelã, pelo governo PSD, veio o executivo PS e mudou tudo.
De qualquer forma, tanto PS como PSD deveriam ter a humildade suficiente para perceber que quem ganha com a construção desse equipamento é o povo de Estarreja. E isso é muito mais importante do que discutir quem influenciou o quê. Esta postura mendicista de recolha de louros para orgulho próprio, não é própria de quem está na política para servir, mas de quem se quer dela servir.
Ora, não tenho como anormal ou extraordinária a construção de um novo hospital, seja ela em Estarreja ou em Chaves. São equipamentos úteis e necessários à sociedade e deveriam fazer parte do programa de qualquer governo, pelo que não se percebe a euforia que aqui se gerou em torno do que ainda é, apenas, uma promessa.
Por muito menos se fizeram 10 estádios de futebol... sem que ninguém com isso se importasse.

ENTREVISTAS RVR /JE

"Logicamente que temos que ter críticas. Neste segundo mandado, dá-me a impressão que este executivo tem deixado as coisas andar. Não tem tido hipótese de se impor. Vejo José Eduardo como o Presidente da República, uma figura institucional, que fala, dá as suas voltas mas, quando questionada directamente, passa a resposta para a parte técnica. E neste momento ninguém consegue fazer frente à parte técnica. Sinto que as Juntas de Freguesias são uma entidade abandonada no meio disto tudo. Não temos a quem nos dirigir. A figura simpática que veio para o executivo, que é o Vereador das Freguesias, é como se sabe. É como uma imagem que está num quadro, que apenas sorri e nada nos resolve. Quando temos problemas não sentimos apoio da parte de ninguém".

JE: Nos últimos orçamentos camarários Veiros foi a freguesia que menos recebeu per capita. Sente que Veiros foi prejudicada?

JFH: Não podemos analisar por aí. Em 1992, Veiros deu um grande salto, de último para os primeiros lugares. Um ano tem que ser para uns e outro ano para outros. Sempre para o mesmo é que não. Neste momento o concelho é seis mais um: seis freguesias mais Pardilhó, e isso é que está errado.

JF (Presidente da Junta de Veiros) em entrevista ao Jornal de Estarreja de hoje.

Chegada a vez das três freguesias mais pequenas do concelho, o conteúdo das entrevistas levadas a cabo pela RVR e JE, muda também de uma forma substancial.
Hoje é a vez de Veiros, e a entrevista do presidente da junta é suficientemente elucidativa, aconselhando-se uma leitura mais atenta à segunda metade da mesma.
Faltam ainda Canelas e Fermelã. Veremos o que aí vem...
Quanto a esta entrevista, apenas numa coisa discordo, em parte, do amigo José Fernando: diria antes que, neste momento, o concelho é 3 mais Avanca, Beduído, Salreu e, sobretudo, Pardilhó.
Numas, as obras nunca param; noutras, raramente começam.

quarta-feira, abril 15, 2009

A política local

do concelho de Estarreja não passa [disto mesmo]: cantar vitória sem nada haver para festejar.
É a arte de enganar o povo em todo o seu esplendor. Ou seja: importante mesmo é manter esta estúpida guerrilha esvaziada de qualquer conteúdo, contando-se por vitórias o que não passa sequer de ilusões.
Ora, este governo que ainda se não dignou de cumprir o acordado com a autarquia, aquando do encerramento das urgências do Hospital de Salreu, anuncia agora, pelos vistos, a construção de um novo hospital em Estarreja. E já se festeja, como se a distância entre a quimera e a realidade se desvanecesse como num passe de mágica.
Assistiremos daqui para a frente a um chorrilho de acusações de parte a parte. Uns defenderão o muito ou pouco que fizeram - como se não estivesse à vista de todos - enquanto outros dirão que teriam feito 300% mais.
Bom seria que, tanto o PS como o PSD locais, tendo em conta que um deles ganhará as próximas eleições autárquicas, se deixassem destes discursos patéticos em que já ninguém acredita, e assumissem perante o concelho uma postura séria, traduzida pela elaboração de projectos para o concelho e para as freguesias. Projectos exequíveis e de desenvolvimento do concelho obviamente, e não promessas atrás de promessas que acabam por traduzir-se em meras "obras de restauro", sendo que muitas se revelam esvaziadas de qualquer interesse colectivo.
Enquanto isso mandatos passam atrás de mandatos, e a qualidade de vida do concelho vai-se degradando assustadoramente. Aumenta o índice de doenças fatais; assassina-se o serviço de socorro de emergência; encerram-se escolas; matam-se peixes nos esteiros; permite-se a descarga de lamas; licencia-se um reservatório de trampa a 200 metros de habitações e por aí adiante...
É o que temos. Enquanto uns reclamam, outros batem palmas.

sábado, abril 11, 2009

O atestado médico

por José Ricardo Costa

Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância.
Continue a imaginar.
O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa.
Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta.
Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la?
Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, amarrotada e malcheirosa, é um atestado médico.
Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.
Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI.
O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente.
O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente.
Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.
Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados. Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o 'ET', que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões. O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D.Afonso Henriques, que Deus me perdoe.
A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados.
Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade.
Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei.
Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho.
Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio.

segunda-feira, abril 06, 2009

AINDA A FOSSA

Na sequência da reunião falada no post anterior, é de facto preocupante a situação que se pretende criar nesta freguesia.
Desde já, duas atitudes diversas se deram a conhecer, a respeito do propósito da SIMRIA de aqui construir uma gigantesca bacia de retenção para situações de emergência na Estação Elevatória EEN9. Situações essas que não são tão raras como seriam de desejar, tendo em conta os dados do Estudo Prévio que a empresa apresentou. Ficou assim a saber-se que com alguma regularidade são efectuadas descargas para o Esteiro de Canelas, algumas delas acima de 3000 m3, pelo que facilmente se deduz que a ser concretizada a obra, iríamos ter por aqui efectivamente uma fossa gigante empestando todo o ambiente das redondezas.
Voltando às atitudes, louve-se a da Junta de Freguesia que, chamada a dar o seu parecer acerca do assunto, não o fez até que o mesmo viesse à Assembleia para uma análise mais aprofundada.
Da Câmara Municipal de Estarreja, veio mais um sinal do seu afastamento para com esta freguesia. Através de um ofício, lido no início da reunião, ficou a saber-se que a mesma terá já dado o seu parecer favorável à construção da bacia de retenção junto à Estação Elevatória EEN9, já em terrenos da freguesia vizinha de Fermelã.
Não o deveria ter feito. Um parecer acerca de um assunto como este deveria vir no seguimento do interesse de quem aqui vive. Percebe-se que é fácil para a CME aprovar uma fossa a céu aberto na freguesia mais pequena do concelho, precisamente aquela que menos atenção tem tido por parte deste executivo camarário. Somos os "mais pequenos" e só dois ou três refilam de vez em quando...
Mas esta questão assume outros contornos, porquanto se esconderam até agora aspectos importantes do tal estudo prévio, tendo sido dada a conhecer apenas uma solução para o problema, quando há afinal três.
E, mesmo que a solução designada por "C" possa vir a ser a mais aconselhada, exigia-se, em nome de uma postura de transparência e respeito por quem aqui vive, uma apreciação e discussão públicas do dossier que - pasme-se - está concluído desde 04 de Abril de 2007, ou seja, há dois anos.
Não se percebe porque só agora veio a público, como se não entende a pressa com que tudo estaria para acontecer na sombra dos órgãos autárquicos e dos habitantes da freguesia.
É certo que aquando da apresentação pública do assunto, que ocorreu na penúltima Assembleia de Freguesia, foi tida como menos penalizante a construção da bacia junto à Estação Elevatória. E foi-o porque foi a única solução que aqui nos vieram trazer, sendo por todos desconhecido o tal Estudo Prévio encomendado pela SIMRIA em 2006 que, agora conhecido na sua totalidade, poderá mudar as coisas.
E o que falta dizer é isto:
Há uma solução “A” – que aponta para o prolongamento da descarga da EEN9 para jusante do dique, a partir da caixa de visita CGN8, libertando assim o Esteiro de qualquer descarga. Esta solução tem como senão, a construção de uma pequena bacia de retenção para acumulação dos volumes de águas residuais afluentes, quando em situação de maré-cheia não for possível fazer a descarga. Importa referir que esta pequena bacia é de apenas 600m3, contra os 3000m3 daquela que constitui a Solução “C” e que foi a única que nos foi dada a conhecer anteriormente. Mas há também uma Solução “B”. Traduz-se na construção de uma nova descarga de emergência a realizar para o rio Antuã e implica a construção de tubagem e câmaras de visita ao longo de uma extensão de 200m e a colocação de tampas estanques nas câmaras de visita. A Solução “C” – aquela que nos querem vender - implica tão só a construção de uma bacia de retenção de 3000m3.
Resta dizer que a implementação da solução A está Orçamentada em cerca de 385 mil euros; a B em 92 mil e a C em 605.600 euros. Aqui chegados, é sabido que nenhuma das soluções apontadas é isenta de efeitos secundários negativos sobre o meio ambiente ou sobre a população. Contudo, aquela que mais lesa a população da freguesia é, sem dúvida a solução “C”.
A questão está então em decidir se é melhor uma solução que tenha alguns efeitos negativos sobre o meio ambiente (A e B) ou outra que os tenha essencialmente sobre a população (C).
E há um outro aspecto a ter em conta ainda: ouvidos os representantes de Fermelã presentes nesta sessão, nenhum mostrou estar a par de que a CME terá dado a conhecer à população e aos órgãos autárquicos o seu propósito de concordar com a construção da bacia nos terrenos da freguesia.
Além disso, num espaço recentemente requalificado pela Câmara de Estarreja, parece-me que deveria ser a própria a primeira a questionar, avaliar e a analisar todas as soluções para os problemas que possam surgir devido a uma qualquer avaria na EEN9 e não abrir prontamente os braços à pretensão da SIMRIA de dotar aquele espaço de um equipamento fedorento.
Sabe-se que a SIMRIA pretende alargar o seu raio de acção ao concelho de Albergaria e é talvez por isso que esta preocupação está a ser agora tida em conta porque, muito provavelmente, o aumento de caudal que se irá verificar trará maiores problemas ao funcionamento da EEN9. Esta é apenas uma suposição uma vez que as explicações dadas pelos técnicos da empresa não convenceram ninguém.
Voltando ao ano 2006, a 16 de Setembro acontecia aqui a mortandade dos peixes no Esteiro provocada por uma descarga da EEN9 (Cf. post).
Chamada a assumir os factos, a SIMRIA negou sempre qualquer responsabilidae no crime aqui cometido até ao dia 13 de Fevereiro último, quando publicamente foram assumidos os factos. Na altura não houve nenhuma entidade que conseguisse assacar a responsabilidade a quem a tinha.
A atitude da empresa, que aqui recentemente veio assumir-se como empresa modelo e responsável foi, ao tempo, tudo menos isso pois ao atirar a pedra e esconder a mão deu de si uma imagem negativa e cobarde.
Impunha-se desde logo a auto-responsabilização, a remoção dos peixes mortos, a limpeza e repovoamento do Esteiro. Ao invés, foi a Junta de Freguesia, apoiada pela Câmara municipal, a assumir esses trabalhos e as inerentes despesas, ficando assim provada a má-fé da empresa para com a freguesia.
No âmbito de toda esta problemática, foi então criada uma Comissão de Acompanhamento a fim de fazer valer os interesses da freguesia no desenrolar de todo este processo.
E que fique claro que não queremos aqui nenhuma fossa gigante, podendo a mesma ser construída em local mais aprazível, quiçá mais perto daqueles que se apressam por despachar rapidamente o assunto para longe.
É bom que se limpe Estarreja mas não se faça desta freguesia a retrete dos concelhos de Ovar, Estarreja e Albergaria.
Canelas necessita sim de equipamentos que lhe tragam alguma qualidade de vida e desenvolvimento. Do resto já estamos fartos!!!