Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

segunda-feira, março 30, 2009

Hoje há

sessão ordinária da Assembleia de Freguesia, para aprovação das Contas de 2008 e outras coisas.
E, se quanto ao primeiro ponto o assunto é, como sempre, pacífico, quanto ao resto, nem tanto.
Voltará a estar em cima da mesa o assunto da construção da bacia de retenção, numa zona que se pretende transformar num "cartão de visita" da freguesia.
É que, na primeira e única sessão em que o assunto foi abordado, os técnicos da SIMRIA presentes omitiram - deliberadamente ou não - aspectos de importância e relevo acerca do assunto. Veremos logo quais.
Importante seria sensibilizar igualmente a população de Fermelã que me parece adormecida - tal como a maioria dos Canelenses - porque, a construir-se a tal bacia no local previsto e, sabendo-se que os ventos aqui na região são predominantemente do norte, ou acordam a tempo, ou acordarão no futuro com a inalação de cheiros pestilentos que lhes invadirão as casas.
Quantos mais, maior será a força, porque se faz tarde para dizer que é tempo de nos respeitarem, como respeitam as freguesias com 6 ou 9 mil habitantes.
Pela minha parte, lá estarei para, como sempre, defender o que entendo por justo.

quarta-feira, março 25, 2009

O CISNE DO VOUGA

Completa-se hoje mais um ano sobre a morte do poeta Francisco Bingre. Aqui o lembro, uma vez mais, porque me parece justo trazer à memória desta freguesia e deste concelho, aquele que foi, porventura, o seu maior vulto literário.

PS. Alguns dados biográficos do poeta [aqui].

terça-feira, março 24, 2009

segunda-feira, março 16, 2009

HERÓIS DO MAR, NOBRE POVO...

Um documentário soberbo sobre o lugre Santa Maria Manuela e a pesca do bacalhau nos anos 60 ou, se quisermos, uma homenagem merecida à bravura, coragem e determinação de muitos que, por meia dúzia de tostões, arriscavam a própria vida enfrentando gigantescas adversidades.
Não será difícil recuar no tempo até aos séculos XV e XVI e imaginar a fibra daqueles que acompanharam o Infante D. Henrique, Gonçalves Zarco, Gil Eanes, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, etc. À beira dessas epopeias, a ida à lua suportada pelos melhores recursos tecnológicos conhecidos, parece uma brincadeira.

Para ver [aqui].

sexta-feira, março 13, 2009

Vive este país

da ilusória esperança de que um dia a coisa melhora ou, pelo menos, não vai piorar.
Poucos são que terão a noção verdadeira da realidade e muito menos os que com ela parecem preocupar-se. Da entrevista retratada no post abaixo, salienta-se o quadro seguinte:

Trata-se da evolução da economia portuguesa nos últimos 110 anos.
Não dispondo dos dados que fundamentaram a elaboração do gráfico parece-me, no entanto, que o mesmo é merecedor de credibilidade. E assim sendo, estou certo que para muitos é incomodativo constatar que o período áureo de todo o século passado se situou nos anos 60 e 70. Talvez para esses pouco importe que o início da queda do império se tenha verificado logo a seguir, o que também é elucidativo e sintomático da incompetência dos sucessivos governos, ditos democráticos, que mais não fizeram que desbaratar o vasto erário público que herdaram do Estado Novo.
E esta é a verdade que tem de ser dita sem falsos moralismos.
Quando se fala de Salazar há toda uma espécie de gente que fica incomodada, o que demonstra alguma ignorância, imaturidade e incapacidade de separar as águas. Pois bem, a mim não me causa qualquer fastio falar desse período ambíguo da história de Portugal. E é necessário que se fale nele porque existiu e, como tal e à semelhança de outros períodos mais ou menos felizes, é bom que se não esqueça.
Não pretendo fazer qualquer apologia do salazarismo até porque, por princípio, abomino qualquer regime ditatorial em que a prepotência leva a excessos ignóbeis que deambulam como fantasmas por muitos períodos da história universal.
O que me causa engulhos é constatar que na sociedade portuguesa, os menos tolerantes para com o regime imposto por Salazar, preconizam regime semelhante, embora virado à esquerda. São esses mesmos que condenam Hitler mas batem palmas a Stalin; repudiam Mussulini mas revêm-se na doutrina de Lenine; excomungam Franco mas prestam vassalagem a Mao Tse Tung etc,.
Seria importante também, medir a distância que separa um regime ditatorial de uma governação assente numa maioria absoluta como a que governa Portugal actualmente. Tomando por base esse período entre 1933 e 1974, parece-me que não será muita, ou não faz o governo o que bem quer mesmo que um sector inteiro, ou vários, da sociedade se manifestem em desacordo?

Não exerce o poder de uma forma autoritária e prepotente, mesmo que diversas vezes chamado à razão pelo Presidente da República? Dir-se-á que este tem, em último caso, o poder de dissolver o parlamento, ou que passados 4 anos há novo acto eleitoral. E serão essas, porventura, as diferenças.
Seria interessante comparar o Portugal dos anos 50-70 com este do século XXI.
- Foi um período de sacrifício para os Portugueses; e agora não é?
- Havia fome; e agora não há? As notícias de que cada vez mais famílias não conseguem pagar os bens essenciais como a luz, a água, a renda da casa, etc., entram-nos pela casa dentro todos os dias.
- Não havia liberdade de expressão; e agora? Não se levou a tribunal um autor de um blog pelo que escreveu? Não se mandou apreender um livro porque tinha uma imagem de uma mulher nua na capa? E a brincadeira de Carnaval com o Magalhães, não ia dando para o torto? E a pressão sobre determinados órgãos de informação, não existe? E as escutas a tudo e todos?
- Não havia estradas, auto-estradas IP’s, IC’s, etc. Passou-se do 8 para o 80. São auto-estradas por tudo quanto é sítio, umas em cima das outras, irrompendo por reservas agrícolas ou ecológicas, deitando casas abaixo, separando povoações, etc,.
- Aqui pelas aldeias, saía-se de casa e deixava-se a porta no trinco; e agora? Pode fazer-se?
- Nas escolas aprendia-se a sério História, Português e Contas; hoje entende-se que é mais importante saber “virar” o Magalhães do avesso mesmo que se não consiga saber quanto é 9x5; importa introduzir o Inglês no primeiro ciclo, mesmo que se dêem dezenas de erros de Português;
- Os professores eram respeitados (a bem ou a mal); hoje, podem ser gozados, enxovalhados, desautorizados e… processados se ousarem levantar um dedo que seja contra a má educação de um aluno;
- A correr bem, eram necessários 4 anos de primária mais 7 no Ciclo e Secundária para se obter o tão desejado 7º ano; hoje, à sombra das Novas Oportunidades, em dois anos produzem-se milhares de 12ºs anos. Chamaria a isto a ilusão do conhecimento ou a oficialização da ignorância.
- Um curso superior marcava a diferença, era motivo de orgulho e sinal seguro de emprego; hoje, 4 ou 5 anos de Universidade dão direito a estar em casa ou numa caixa de supermercado.
Liberdade e Democracia será ver os assaltantes, homicidas, desordeiros saírem impunes de julgamento? Ou os que roubam aos milhões e a justiça não pune?
Liberdade e Democracia será proteger cada vez mais os ricos e sugar os pobres até mais não? Ou dar Rendimentos mínimos a quem nada faz e pensões de miséria a quem levou uma vida a trabalhar?
Onde estão aplicados os milhões que têm vindo de Bruxelas? Entre 2007 e 2013 virão mais cerca de 21 mil milhões. Quem fiscaliza a sua aplicação? Quem diz onde são ou vão ser aplicados? Que evolução tem tido o país, que competitividade alcançou?
Olhando para o gráfico acima, estaremos por esta altura no mesmo nível de há 100 anos. Proeza esta alcançada em cerca de 30 anos de desnorte político delapidando a sólida economia conseguida até aos anos 70 com esforço, rigor e honestidade.
“Quando sair do governo poderão virar-me os bolsos do avesso que nada encontrarão”. Quantos poderão dizer isso hoje?

Acima se definiu o tempo do Estado Novo como um período ambíguo da história do país. Essa ambiguidade provém do facto de que importa saber separar a governação política da governação económica. E, se quanto à primeira poucos prazenteiramente a recordarão, quanto à segunda, não há dúvida alguma de que o país se ergueu sobremaneira a partir da década de 40, numa altura em que a conjuntura internacional era igualmente desfavorável.
Houve coisas más, obviamente. E muitas. É impossível não recordar os excessos, a Guerra colonial, as torturas da Pide, etc. Mas hoje os excessos continuam, a guerra faz-se nas ruas das cidades, vilas e aldeias e a fome, a falta de emprego, a insegurança e a miséria são outras formas de tortura.
Portugal seria bem diferente se os políticos da era democrática, ao invés de espezinhar esses 40 anos de história, deles soubessem tirar partido.
Em 74 havia todos os ingredientes necessários para colocar o país no mesmo nível de qualquer outro país europeu. Tudo foi desaproveitado e vive-se hoje uma falsa democracia num país economicamente miserável, onde grassa a corrupção, onde o fisco não perdoa 10 ou 15 euros a um qualquer cidadão anónimo mas que, com toda a naturalidade, aceita a fuga de milhões, onde o governo não tem dinheiro para pagar reformas condignas a milhares de idosos mas tem-no aos milhões para dar a banqueiros, gestores e empresários que levam empresas à falência, mas cujas contas bancárias são uma monstruosidade, onde a insegurança aumenta de dia para dia, onde ninguém responsabiliza ninguém por uma gestão ruinosa de um Ministério, de uma Câmara ou de uma empresa pública, onde qualquer obra acaba por custar 4, 5, 10 ou 20 vezes mais do que o orçamento previsto sem que ninguém explique e seja chamado a responder por isso, onde a lei é implacável com um cidadão habitualmente cumpridor e fecha os olhos a quase toda a espécie de criminosos, onde se permite que um corrupto seja presidente de Câmara, dirigente desportivo, membro do governo, etc.
Estará na altura de o país acordar, olhar para estes 35 anos de democracia e exigir uma classe política séria, honesta e capaz, que não se governe a si própria, que responda pelos seus actos e que por eles seja julgada.

Há muito que me apetecia escrever isto.

terça-feira, março 10, 2009

SEM PAPAS NA LÍNGUA

Sempre admirei aqueles que têm a coragem de dizer o que pensam, libertos de preconceitos, disciplinas partidárias ou qualquer tipo de subordinação aos poderes instituídos.
Uma vez mais ontem, no final do Jornal da Noite da SIC, Mário Crespo entrevistou o Dr. Medina Carreira que, sem papas na língua e de uma forma clara e sem rodeios traçou o retrato do país. Sabe do que fala. Pena que poucos neste país tenham a mesma clarividência, mas percebe-se porquê; ele próprio o diz: a política hoje faz-se de clientelismo, falta de seriedade e com o objectivo único de "sacar" dinheiro ao Estado. Nem mais!
Atente-se também num gráfico representativo da evolução da economia desde 1900, que aparece a certa altura.
Fica aqui a entrevista porque vale a pena ouvir.

sábado, março 07, 2009

OBRAS À PORTUGUESA

Correio da Manhã, 6 de Março: Derrapagem de 99 milhões no aeroporto Sá Carneiro.


É real e verdadeiramente impressionante o que se passa neste país.
Parece legítima a interrogação: onde param os 99 milhões gastos a mais nas obras de ampliação do aeroporto?
Atente-se bem na notícia e veja-se, por exemplo, que as ditas obras se arrastaram no tempo por mais 4 anos que o previsto! Mas então, que planeamento foi feito, e por quem?
O quarto parágrafo, então, é bem elucidativo da pirataria que grassa nas obras públicas. Cento e sessenta e quatro por cento a mais em aquisições de bens, serviços dos trabalhos preparatórios, assessoria, gestor do empreendimento e fiscalização.
Em bom rigor, que assessoria, gestão e fiscalização foram feitas para que no fim as contas dessem no que deram?
E não se responsabiliza ninguém? Será este o rigor e o controlo das contas públicas que o governo diz praticar exemplarmente? Não basta de roubar descaradamente os contribuintes deste país?

quarta-feira, março 04, 2009

A GALP

A notícia: [aqui].
Mais palavras para quê? Se houvesse justiça neste país, pelo menos metade dos lucros seriam aplicados no abaixamento do preço dos combustíveis durante o corrente ano. Mas não há justiça, não há governo nem há vergonha para apresentar lucros destes enquanto o país atravessa, provavelmente, a maior crise financeira de todos os tempos.

Diariamente

surgem, em quase em todos os jornais, artigos de opinião que apontam as mais diversas medidas para a recuperação económica do país.
Geralmente são escritos por políticos, alguns até que o tempo, em boa hora, se encarregou já de fazer esquecer.
Mas, interessante mesmo é ver que a maior parte deles só fala depois de se ter abotoado com duas ou três reformas e, mais grave ainda, é constatar que eles próprios contribuiram para este estado de coisas. Então, as brilhantes ideias para combater a crise batem todas no mesmo: quem trabalha que pague!
Quando é que esta escumalha percebe que a classe política há muito caíu em descrédito e que poucos a levam a sério?
Quando é que se dignam olhar para os resultados eleitorais e ver que os abstencionistas e os que votam em branco são hoje, de longe, o maior partido? Quando é que se dispõem a perceber o que isso significa verdadeiramente?
Este senhor, que por sinal até fez parte de vários governos, deveria ter vergonha de dizer que "Vale mais baixar o rendimento dos que trabalham do que mandar pessoas para o desemprego".
Nada melhor para incentivar e incrementar a produtividade, do que baixar os salários de quem trabalha, pois está claro!
Ou seja: em última análise, quem trabalha é que é responsável pelo desemprego dos outros, pelo que deve repartir com eles o seu salário.
Sendo Portugal um dos países da Europa em que os trabalhadores são compensados com os salários mais baixos, esta é mesmo uma ideia brilhante, ao nível das que se produzem nos melhores estábulos.
Ao invés, porque não começar pelos que não produzem coisa alguma e auferem principescos vencimentos, além de um montão de alcavalas para compor o ramalhete? É que assim, até talvez se conseguisse repor alguma credibilidade nos discursos, se é que isso interessa verdadeiramente.

segunda-feira, março 02, 2009

SÓ AGORA?

À atenção do governo de Sócrates que tão bem sabe acorrer às situações de carência. E, a seguir que se volte para os outros porque estarão iguais ou piores. É para isso que serve (também) o dinheiro dos contribuintes.
A candidatura ao Mundial de 2018 é, sem dúvida alguma, mais um número de circo. Haja um pouco de vergonha que já é tempo!

domingo, março 01, 2009

Dá (Diva)

Nunca te conheci, Diva. Um dia esta fotografia acompanhada de um grito de socorro caíu-me na caixa de correio. Como tantas outras.
Sem saber porquê - talvez por seres aqui de perto - não a apaguei. Fiz este post aqui no Sem Rumo, na esperança de que alguém pudesse dar-te o que estavas a perder lentamente: a vida!
Soube que essa esperança renasceu quando foi encontrado um dador compatível. Mas... bolas Diva, não consigo dizer mais nada.
O brilho dos teus olhos desapareceu e o teu sorriso partiu contigo. Lutaste até onde foi possível.
Mas diz-me: porque é que ficou aqui este nó na garganta?