Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

domingo, fevereiro 15, 2009

A CONFIRMAÇÃO

REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE 13/02.
Passados cerca de dois anos e meio finalmente foi admitida, de forma clara e evidente, a responsabilidade da SIMRIA - para todos inequívoca desde a ocorrência – pelo atentado ecológico que ocorreu no Esteiro de Canelas em 2006.
É certo que para a grande maioria da população este, como muitos outros assuntos, passa completamente ao lado. Mais morte menos morte, mais atentado menos atentado, mais descarga menos descarga, que importa lá isso? É muito mais importante a vida da vizinha, o diz que diz, a alcoviteirice manhosa e nojenta do que qualquer assunto de interesse público.
Felizmente há ainda uma meia dúzia que procura demarcar-se da restante apatia e lá vai “estrebuchando” conforme pode.
Pois bem, de volta à reunião, a presença de três representantes da SIMRIA serviu para tudo: para contar por letras de ouro a história de sucesso da empresa (de que a Câmara Municipal de Estarreja é associada desde a sua constituição); para apresentar o volume de efluentes tratados e rejeitados no mar através dos emissários submarinos; para demonstrar a capacidade folgada das instalações; para deixar ainda mais preocupação no ar; para justificar a construção da bacia de retenção em Canelas, etc, e para uns “recados” que levaram, obviamente.
Passando a explicar:
Definindo a SIMRIA poderá dizer-se que se trata de uma empresa que nasceu com o objectivo de recolha, condução e tratamento dos efluentes que normalmente eram descarregados na ria de Aveiro, passando a rejeitá-los em alto mar.
Trata-se de uma empresa Certificada, o que lhe acarreta maior rigor e responsabilidade no seu funcionamento.
Assim sendo, fica por compreender a fuga a essa responsabilidade aquando da descarga ocorrida no Esteiro de Canelas.
Mais grave que o desastre ecológico ali ocorrido em Setembro de 2006, foi o esconder da mão depois da pedra atirada, deixando para a Câmara e Junta a remoção das toneladas de peixes mortos. Nessa altura, era seu dever assumir, explicar e participar nas operações de limpeza do Esteiro. Não o fez e deixou aqui instalada a dúvida acerca da seriedade dos seus actos.
Vem então aqui e agora a SIMRIA brindar-nos com a construção de uma bacia de retenção, por sinal o primeiro equipamento de género em toda a sua área de abrangência, que se estende actualmente por 11 municípios. É de desconfiar...
Questionados os técnicos presentes sobre a honrosa escolha deste local, apenas disseram que se tratava de uma decisão política e que tinha como finalidade evitar o que sucedeu há dois anos e meio. Uma decisão política que a Câmara e a Junta de Freguesia desconheciam??? E, afinal, sempre aconteceu há dois anos e meio...
Mas o mais grave de tudo isto é o facto de que a construção da tal bacia não inibe a presença de uma conduta de emergência com saída para o Esteiro, tal como lá está presentemente. E aqui sim, parece-me que andam a querer brincar connosco.
Segundo as informações técnicas prestadas, este equipamento terá capacidade para retenção dos efluentes da estação elevatória durante 2 dias, cenário este de remota previsibilidade uma vez que dos oito acidentes / avarias ocorridos até agora, o período máximo necessário à sua correcção foi de cerca de três horas. Normalizada a situação, os ditos efluentes, regressam à estação e seguem o seu curso normal.
Podendo aceitar-se como mal necessário a construção da tal bacia, pergunta-se o porquê da necessidade de manter ainda a saída de emergência.
Entendo que a estação elevatória seja passível de avaria ou da ocorrência de qualquer acidente, mas não concebo que um equipamento construído para situações de emergência não seja suficientemente capaz de cumprir a missão que lhe está destinada e necessite, também ele, de uma solução de emergência.
Pode inclusivamente questionar-se se tecnicamente é esta a única solução.
Teremos aqui uma história mal contada ou querem mesmo fazer de nós parvos?
Não se percebe também que, num momento em que existem já dois projectos elaborados e que foram presentes na reunião, não tenha havido comunicação prévia com a CME e com a Junta de Freguesia, no sentido de informar do que aqui se pretende fazer. Evitar-se-ia, pelo menos, a ridícula elaboração do designado Projecto 1 que aponta para a construção da bacia nos terrenos entre o Esteiro Velho e o Esteiro Novo.
Como não se entende como é possível projectar uma obra destas para a entrada de uma das mais bonitas zonas do Baixo Vouga, à qual foi atribuída a classificação de Zona de Protecção Especial, entre outras.
É certo que, segundo o projecto, é possível enquadrar e disfarçar o equipamento no contexo paisagístico do local desde que seja construído junto à estação elevatória. Mas, e o cheiro?
Há silêncios que são comprometedores e há acções que deixam muita incerteza a pairar. Estaremos atentos... pelo menos a meia dúzia do costume.

1 comentário:

Anónimo disse...

Já não nos chega apanhar com os caçadores como vamos também apanhar com a merda dos outros...