Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

O entertenimento

predilecto dos políticos e jornalistas cá do burgo, são os casos mediáticos escamoteados até à exaustão, acusando tudo e todos sem provas que se vejam. Claro que é fácil, dá nas vistas e vende.
Ciclicamente, aparecem casos para entreter o povo que, na sua maioria, deveriam ser tratados com exclusividade nos meandros da justiça. Assiste-se constantemente a investigações jornalísticas que atrapalham mais do que ajudam.
Não vou à "missa" de José Sócrates, nem a de nenhum outro político actualmente, mas mete-me nojo a forma como se enxovalha publicamente qualquer cidadão abrindo Telejornais, escrevendo páginas e páginas de jornais e, mesmo e também aqui na internet, sem provas claras que fundamentem o que se diz.
Esta constante ânsia desenfreada de procurar a forma mais bombástica de dizer o que muitas vezes é simples, a insistência constante na notícia dias e dias a fio, a veleidade de querer andar sempre um passo à frente da investigação policial e a condenação pública e prévia de qualquer um, baseada apenas e tão só em rumores ou suspeitas, enlameia cada vez mais o dever de informar com isenção, imparcialidade coerência e verdade que deveria sustentar-se em princípios éticos e de respeito por todos.
A distância entre suspeitos e culpados é, actualmente quase inexistente, e nem a velha máxima de que todo o cidadão se presume inocente até prova em contrário parece já ter qualquer aplicação no dia-a-dia dos portugueses.
Referindo-me ao caso Freeport é, sem dúvida, importante a informação pública do assunto em geral mas, o trabalho seguinte cabe à justiça. Mais importante do que o sensacionalismo da notícia, importa sim, pressionar o governo e, particularmente, o Ministério da Justiça para que seja eficaz na análise e decisão de TODOS os casos. A bem de todos, suspeitos e população em geral.
É necessário ter presente que não são os jornalistas nem qualquer cidadão que produzem as sentenças. Critique-se a lentidão dos processos e as fragilidades e branduras da Lei, mas não se transformem as redacções dos jornais, rádios e televisões em salas de audiência.
É que passa-se dois meses a falar da Universidade Independente; três a falar de Maddie; outros tantos de Felgueiras; mais Casa Pia; mais Licenciatura de Sócrates; mais Catarina Michelis; Mais BPP; mais Freeport; mais, mais, mais... sempre descobrindo e apontando culpados, e o resultado é quase sempre o mesmo: a coisa não dá em nada e por vezes dá ainda direito a chorudos pedidos de indemnizações.
Enquanto se toca e dança este folclore, o país real - aquele do encerramento das empresas, dos dias passados nos corredores dos hospitais, da violência que aumenta, dos roubos e da insegurança, do desbaratamento dos dinheiros públicos em obras improfícuas e da miséria que se instala avidamente na sociedade - esse, fica entregue ao seu próprio destino. Estes são os problemas reais que afectam o comum cidadão e sobre os quais deveriam recaír todas as atenções na denúncia constante e acompanhamento presuasivo.
As sessões parlamentares, já de si pouco produtivas, não raras vezes são transformadas em vãs discussões assentes no "diz que disse" e que traduzem apenas a lavagem de roupa suja que ali se pratica a propósito de nada.
Jamais se erguerá um país onde até os mais elementares princípios, que orgulhosamente deveriam educar e conduzir a sociedade, são vilipendiados constantemente.

sábado, janeiro 24, 2009

Lido que está

- finalmente! - o documento denominado de GOP 2009, da Câmara Municipal de Estarreja, verifica-se que a diferença entre as edições anteriores é abismal. A extensa missiva estende-se por 295 páginas que, de algum modo tentam enquadrar as opções na realidade do município. As obras previstas são efectivamente muitas e nem pretendo aqui inferir da sua oportunidade ou sequer necessidade.
O que me tolda o pensamento é a ambição exagerada face ao contexto actual de crise emergente em que o país se encontra.
Obviamente não estou a referir-me ao que está pensado para as freguesias mais pequenas do concelho que, como já é hábito, têm mais do mesmo, embora mesmo essas tenham visto a sua fatia do bolo municipal substancialmente aumentada, ou não fosse este o ano de eleições autárquicas. Mas, como diz o ditado, gato escaldado de água fria tem medo e, olhando para trás, fica-se com a nítida certeza de que, mais uma vez, a montanha vai parir um rato. A justificação está aqui, ou alguém acredita que no último ano do mandato, a CME vai investir em Canelas 420.000 euros? E, mesmo que os invista nas obras previstas, pouco ou nada se alterará com vista a uma mudança que se pretende e que teimosamente se adia ano atrás de ano. Importa falar verdade e essa, está escancarada no mapa comparativo dos últimos anos. É justo o descontentamento dos que o mostram e dos outros que, mesmo sentindo-o, se acanham e se calam.
A caminho do fim deste mandato impõe-se um olhar para trás e uma análise séria ao que foi, não foi e deveria ter sido feito. E, se por outros lados se vê o dedo da CME em inúmeras obras, um pouco por todo o concelho e, repito, não pretendendo sequer discutir as opções tomadas, por aqui quase nada ou, se quisermos, apenas um ou outro lavar de cara, praticamente ao alcance do orçamento da Junta de Freguesia. Do essencial, nada!
Ficará por fazer a ligação a Albergaria e à sua zona Industrial; ficará por se conseguir um espaco para estacionamento de apoio aos estabelecimentos comerciais e à sede da Banda; ficará por criar uma zona de construção e de habitação social; ficarão por construir equipamentos comuns a Fermelã e Canelas; ficará por definir um plano de desenvolvimento, ainda que a médio e longo prazo destas pequenas freguesias; ficarão feitas, talvez, algumas obras de importância meramente lúdica e/ou de lazer, as quais sorverão as maiores fatias do Orçamento.
É por tudo isto que me apetece dizer: vão todos bugiar!

2009

apresta-se a ser um ano de intensa actividade política. Um pouco por todo o lado, começam já a agitar-se as águas na procura de candidatos e, em breve, seguir-se-ão os habituais discursos dos novos salvadores da Pátria.
Aqueles que em breve terminam os seus mandatos, dirão que fizeram mais em 4 anos que os "outros" em oito ou dez, e os que nos últimos actos eleitorais não alcançaram o poder, dirão que tudo o que foi feito foi pouco e o que deveria ter sido feito não o foi. Vivemos disto há trinta anos!
Em breve, escancarar-se-ão as portas do circo.
Otto von Bismarck dizia que nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça. E tinha razão.
Haverá então, no corrente ano, três frentes de batalha que deixarão os políticos cá do burgo exaustos, pelo que não será de espantar uma aprovação de aumento salarial. E o governo que temos tem alguns sheriff's de Notthingam, ou não se dedicasse permanentemente à espoliação do povo para manter a burguesia cá do sítio.
A pouco e pouco, o que era tido como um Estado de Direito passou a Estado Fiscal onde o que importa é surripiar à classe média e média baixa - na sua maioria trabalhadores por conta de outrém - o que muitas vezes não chega para uma vivência digna. Os tubarões, esses, engolem cardumes inteiros de peixe miúdo que lhes são servidos em bandejas de prata.
Virão então novamente e em breve, iludir o povo que, na sua eterna subserviência, os levará em ombros até às cadeiras do poder.
Os governos de quase todo o mundo (incluindo o de Portugal) têm, nos últimos tempos, desencantado milhões e milhões de dólares/euros para "salvar" os que mais ganham e que mais têm. Esses mesmos que se abotoaram com o dinheiro dos outros. Milhões que não aparecem para erradicar a fome, a falta de habitação, a pobreza, o alívio da carga fiscal, o pagamento de cirurgias de preço elevado, a criação de emprego, etc.
Milhões que não aparecem para benefício do povo e que surgem da noite para o dia para dar cobertura a situações de fraude, roubo, incompetência, gestões escabrosas ou o que se lhes queira chamar.
Até onde será necessário ir para que o povo acorde?

segunda-feira, janeiro 19, 2009

OS PALHAÇOS

Ora, é [nisto] que somos bons.
Por outras palavras: a indigência intelectual de um país em todo o seu espectro, onde proliferam mentecaptos que a única coisa que fazem é contribuir, o mais que podem, para a miséria de Portugal, descaracterizado que está pela podridão instalada.
Lamenta-se que as cinzas do Europeu não sejam suficientes para que a estupidez dê lugar ao bom senso.
Enquanto isto, o governo, que até há mês e meio tinha salvo Portugal da crise internacional, vê chegar de Bruxelas as piores previsões para o país. Como se nada fosse.

NO BIORIA

O percurso Bioria de Salreu vai conhecer no próximo dia 25 de Janeiro novos visitantes. Trata-se de gente que vem de longe ( a organização é de Vila do Conde), para desfrutar da paisagem, da fauna e da flora desta região.
Da divulgação (aqui) salienta-se o seguinte texto:

"É aconselhável durante o percurso fazer pouco ruído ou movimentos bruscos, porque, para além de não perturbar as espécies, consegue-se aproximar mais delas e detectá-las mais facilmente. Existem dois parques de merenda, no início e no meio do percurso."

Pois... com um pouco de sorte apenas terão o prazer de ver a cor de uma ou outra cegonha, ao longe porque, tratando-de do último dia de caça aos patos e galinhas d'água, adivinha-se-lhes uma recepção condigna.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Cristiano

Ronaldo foi eleito o melhor na arte do pontapé na bola e teve o mundo a seus pés.
Nas suas primeiras declarações, o agradecimento óbvio à família e aos colegas de equipa que o ajudaram a conquistar "aquela coisinha". Esquecidos ficaram os de Alvalade que o ensinaram e lhe abriram o caminho para chegar aqui, quiçá, os mais importantes porque lhe alicerçaram a carreira. E nesta altura vem-me à ideia aquela frase de que é difícil ser andaime, porque se serve de suporte a toda a obra para na hora da festa ser retirados como entulho. A vida é assim.
O 7 do Manchester só de salário encaixa 800 mil euros / mês, qualquer coisa como 160 mil contos - um verdadeiro atentado a qualquer princípio racional inato ao ser humano. Adicionando-lhe os valores auferidos pelos contratos milionários de publicidade, a soma atinge números monstruosos.
Mas, se quisermos ter uma ideia da loucura produzida pela bola de futebol, basta dar uma espreitadela [aqui] pois, mesmo tendo em conta a desactualização da tabela, dá para abrir a boca de espanto. Tudo somado, estes 50 artistas não ficam por menos de vinte e quatro milhões e seiscentos e sessenta e um mil euros por mês, a jogar ou sentados no banco de suplentes.
E é esta a outra face do mundo ao alcance apenas dos predestinados, mesmo que analfabetos.

GATUNAGEM LICENCIADA

Seria bom para todos que, com a chegada dos tempos difíceis que se adivinham, houvesse pelo menos um pouco de decoro, para não dizer de vergonha na cara, nesta espécie de gente invertebrada que se agarra ao sangue alheio como sanguessugas nojentas.
Os nossos queridos governantes anunciaram que a partir deste ano quem se reformar terá um [corte na pensão a que tem direito]. Nem mais! O gamanço começa já em 1,3% para chegar quase aos 14% daqui por mais ou menos 25 anos.
Parece que o objectivo a médio prazo é conseguir-se o fim das reformas. Assim sendo, está-se no bom caminho.
Mas, enquanto uns trabalham 45 ou mais anos para lhes ser concedidos, em muitos dos casos, uns magros 100 contitos de réis e, pelos vistos, nem esses parece virem agora na totalidade, outros há a quem lhes são concedidas [estas] barbaridades.
Bom, parece que o país se transformou num manicómio gigante governado por uns seres asquerosos que engordam à custa do povo. Até quando?
O combate à corrupção - bandeira içada pela propaganda governativa - ficou para segundas núpcias. Percebe-se que é mais fácil esmifrar 10 ou 20 euros a um qualquer contribuinte do que beliscar o verniz destes anelídeos.
E a pergunta impõe-se: até quando é que o povo se venda a ele próprio?

sexta-feira, janeiro 09, 2009

A PROPÓSITO

[desta] notícia, sugere-se que a tal rotunda seja engalanada com os ditos cujos pois, porventura, serão mais fáceis de encontrar do que a própria pia. A relva já lá está, o que facilita para que não morram à fome...

quarta-feira, janeiro 07, 2009

INCLASSIFICÁVEL


A fotografia ao lado, foi tirada ontem, 06/01/2009, às 15h10.
Em Novembro do passado ano tive o cuidado de comunicar ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Estarreja o facto de a iluminação pública desta freguesia onde habito se encontrar acesa horas a fio durante o dia; o Sr. Presidente agradeceu e prontificou-se a informar os serviços da EDP.
Em 11 de Dezembro, coloquei [aqui] um pequeno post, uma vez mais chamando a atenção para o enorme desperdício de energia que é motivo de falatório geral, e mais ainda quando a EDP anuncia um aumento acima do 4%, a partir do início do ano.
Em Dezembro ainda, levei o mesmo assunto à sessão da Assembleia de Freguesia mas tudo permanece na mesma. Ou seja: a EDP, mercê da posição financeira confortável que atravessa, acha-se no direito de cometer estas barbaridades, esbanjando desta forma revoltante e gratuita, a energia que depois vai cobrar aos consumidores.
Fosse para mim fácil o uso a linguagem de baixo nível e haveria aqui lugar para usar toda a terminologia que lhe está subjacente porque isto que aqui se passa desde os fins de Outubro, não tem classificação possível.
Os lucros da EDP são impressionantes, mas conseguidos, também, à custa do elevado preço - muito acima da média europeia - pago pelos consumidores domésticos portugueses, como [aqui] se pode ver.
A EDP está assim a prestar um mau serviço público, mas parece que ninguém se importa com isso...

sábado, janeiro 03, 2009

A ÚLTIMA IMAGEM POLÍTICA

de 2008, retrata o início da separação das águas entre Belém e S. Bento. O governo, confortavelmente sustentado por uma segura maioria na Assembleia da República, insistiu na aprovação da alteração do Estatuto dos Açores, mesmo depois de vetado pelo Presidente da República (PR).
Mais do que a satisfação de um capricho ou não, esta forma de encostar o mais alto representante da nação às cordas, não terá sido perpetrada de ânimo leve.
Pondo de parte a necessidade, utilidade ou oportunidade da aprovação e promulgação de tal Estatuto, fica claro que o partido do governo ousou meter uma lança em África, o mesmo é dizer, esticar a corda até onde possível foi.
Contra a sua vontade Cavaco Silva promulgou o diploma mas sentiu necessidade de, à maneira de Pilatos, daí lavar publicamente as mãos.
Esteve mal pois se, tal como referiu, o Estatuto dos Açores - pelos vistos ferido de inconstitucionalidade - "sobrepõe os interesses partidários aos interesses nacionais, vem abrir grave precedente, abala o equilíbrio de poderes, afecta o normal funcionamento das instituições da República e constitui um revés para a democracia portuguesa," impunha-se então a sua não promulgação.
É certo que o governo e o partido que o sustenta tem como certo que a insistência neste assunto, fragiliza a figura do PR uma vez que apenas lhe deixa dois caminhos: ou a respectiva promulgação (contra a sua vontade), ou a dissolução da Assembleia da República. Em qualquer das situações os proveitos cairiam no saco do governo que, num ano com três eleições, mostra saber o que quer e a forma como o conseguir, enquanto o PSD continua dando voltas em torno de si mesmo, sem norte e sem projectos, vivendo num constante clima de guerrilha interna, e trucidando qualquer líder que apareça.
Estivesse o principal partido da oposição - por sinal, da simpatia do PR - preparado para o acto eleitoral, e teria poucas dúvidas de que, face ao teor das críticas efectuadas por Cavaco Silva, este tivesse dissolvido a Assembleia da República, nem que apenas fosse por uma questão de coerência consigo próprio. Por muito menos fê-lo Jorge Sampaio tendo esperado apenas pela altura certa, o mesmo é dizer, pelo momento em que não restassem dúvidas da vitória do "seu" PS. O crucificado foi Santana Lopes que por "meia dúzia de dias" que chefiou o governo, pagou pelos erros praticados no segundo mandato de António Guterres e pela fuga de Durão Barroso. Nessa altura não estava em causa a quebra ou alteração de qualquer princípio do funcionamento democrático mas sim a má governação por ele produzida.
Mas, seria isso motivo para a dissolução do Parlamento? Evidentemente que sim, se os 15 governos que antecederam esse que foi transitóriamente chefiado por Santana Lopes tivessem produzido políticas e medidas que conduzissem à recuperação económica e social do país. Mas não. O desnorte foi uma constante ainda que salpicado aqui e ali de breves períodos de melhoria. Daí que a dissolução da AR tenha sido uma jogada política com vista à alternância do poder. Jobs for the boys, naturaly.
Sampaio sabia que se dissolvesse a Assembleia aquando do abandono de Barroso, a coligação PSD/CDS sairia reforçada. Parece óbvio. Daí a espera.
O resultado está à vista.
Voltando atrás, a promulgação da alteração do Estatuto dos Açores deixou, obviamente, engulhos no estômago do PR e deixa antever duas coisas: primeiro - que não age segundo aquilo que pensa ou que julga melhor para o país, trocando as suas convicções pelo exercício tranquilo das suas funções (talvez já com o olho no segundo mandato), mesmo quando na certeza de que o não deviater feito; segundo - o governo passará a encostá-lo cada vez mais à parede durante o resto do mandato, usando e abusando do facto de estar apoiado por uma confortável maioria na AR.
Atrás virá quem feche a porta...

ANO NOVO... VIDA VELHA

Esfumadas as luzes dos fogos de artifício da passagem de ano, a vida retoma o seu curso normal. Apenas uns breves momentos separam a euforia desenfreada, vivida um pouco por todo o país, e a realidade que se adivinha cada vez mais negra.
As grandes questões que acompanharam as preocupações do cidadão comum durante o passado ano, começam a estar de volta e tornam-se progressivamente presentes no dia-a-dia.
Por momentos foram esquecidos os flagelos sociais como o desemprego, os ridículos aumentos das pensões, a precariedade dos serviços de saúde, os problemas da educação e da justiça, etc,.
É bom haver Natal e passagens de ano.