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sábado, novembro 08, 2008

INCONGRUÊNCIAS

Ainda, e sempre, o Hospital Visconde de Salreu

Tal como se refere no post anterior e, tendo em consideração as notícias recentes, o Serviço de Urgências nocturno do HVS, vai mesmo encerrar dentro de duas semanas. Assim mesmo, quase à traição e depois de um período de tréguas - qual estratégia premeditada - o governo desferiu o golpe final. Para contentamento de uns, e desgraça de outros.
Jamais me conformarei com o encerramento de qualquer serviço público no concelho e nas freguesias do mesmo e, neste caso, a indignação vai muito mais além porquanto se sabe quão necessário e importante é para a população, ter um atendimento nocturno o mais próximo de si. É fácil decidir o encerramento disto ou daquilo, quando disso se não necessita e quando se não tem um pingo de ética política nem respeito pela população.
Justifica-se a decisão com a falta de condições. A própria CME assim o diz. Mas, se o Serviço de Urgências tem condições para funcionar de dia, porque não as tem para funcionar de noite?
E, se não as tem, haveria que as criar; se dá prejuízo, haveria que o reorganizar; se não funciona bem, haveria que o reordenar; se não tem sustentação prática, há que explicar porquê. Mas não, ordena-se que se encerre.
Por aqui, a nível oficial, parece que muito pouco foi feito para inverter a situação. Cedo demais a Edilidade se conformou com a proposta governamental e, mais grave ainda, entendeu por benéfica a assinatura de um tal protocolo.
Estarreja terá uma ambulância do INEM que partilhará com a Murtosa e S. Jacinto; terá uma Unidade de Cuidados Continuados; terá um heliponto; terá obras nos Postos Médicos de Veiros Fermelã e Canelas, etc. Terá, terá, terá, mas não tem nada. Terá sim, o seu hospital encerrado durante a noite e os seus doentes nos corredores do Hospital de Aveiro horas a fio à espera de vez. Estamos a falar de situações de urgência, pelo que alguns ali morrerão.
E nem o argumento do Complexo Químico e os acidentes ocorridos nos últimos anos, foram suficientes para sensibilizar a comandita gente que nos governa. Claro, Lisboa fica a 250 Km!
E diz-se que em caso de acidente químico, o Hospital responderá a qualquer hora do dia ou da noite!!! Mas como? Tem lá os médicos? Se tem, porque não continuam o atendimento nocturno? Se não tem, vão acordá-los a meio da noite? E quanto tempo demorarão a chegar? Estamos no terceiro mundismo, somos todos parvos ou andamos a brincar com o povo?
O esforço financeiro canalizado para as obras do Eco Parque onde se esperam a implantação de várias empresas exigia também a manutenção do Serviço o mais próximo possível, porquanto se sabe que, embora actualmente se invista muito na segurança, os acidentes nas fábricas são uma constante. Este facto - a falta de atendimento nocturno - poderá ser um factor negativo a pesar na fixação de novas empresas que certamente estarão preocupadas com o socorro dos seus colaboradores, em caso de acidente.
Ora, pelo que sei e porque por diversas vezes tive oportunidade de transportar colegas acidentados a meio da noite, cada minuto que passa até à chegada ao primeiro local de socorro é uma eternidade. Seria bom que se tivesse presente também que as unidades fabris do concelho não se reportam exclusivamente à área do complexo químico.
É também sabido que 16,6% da população do concelho tem menos de 14 anos e 16,7% mais de 65. Ou seja: cerca de 33% dos habitantes do concelho estão nas faixas etárias de maior debilidade física. Esta é a realidade que temos e que parece ser deliberadamente ignorada.
Tudo isto foi relegado para segundo plano, em nome de interesses que continuam por explicar e de políticas escabrosas e obscuras praticadas por gente sem escrúpulos, esquecida de princípios e valores ético-morais e das populações que os elegeram. E tudo é fácil quando se encontra conivência por parte do poder local e, mais ainda quando se dão loas pelo acordo conseguido.
O dia 24 de Novembro mereceria o descerramento de uma placa junto ao Hospital de Salreu, mencionando os nomes daqueles que contribuiram para o desprezo pela obra legada por Domingos Joaquim da Silva, o Visconde de Salreu. Adivinha-se o princípio do fim...

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