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domingo, novembro 09, 2008

DE BRADAR AOS CÉUS

A política tornou-se efectivamente num lamaçal que parece querer cobrir o país de lés a lés. É hoje uma actividade em completo descrédito onde vegueiam oportunistas e corruptos. Rouba-se impunemente a olhos vistos, a maior parte das vezes a coberto da lei, o que é de todos.
Em Oeiras, uma vila deste território, o Sr. presidente tem ao dispor uma frota de 183 carros ligeiros de passageiros. Cento e oitenta!!! E não tem sequer vergonha para dizer que queria mais.
Estas viaturas que têm sido usadas como veículos pessoais de dia, de noite, ao fim de semana e feriados, são pagas por todos nós.
Diz o Sr. presidente, que a Câmara trabalha de dia, de noite e aos fins de semana e que dentro do território da autarquia os carros circulam livremente, sem qualquer espécie de controlo.
Com tanto labor, sugere-se uma visita da IDICT, a fim de que se reponham os direitos dos trabalhadores e os seus períodos de descanso.
Que poderão esperar os portugueses da política e dos políticos, quando olham para o lado e vêem Isaltinos, Valentins, Felgueiras, Avelinos, etc, etc, numa governação escandalosa e subjectiva, sem obedecer aos mais básicos princípios de rigor e gestão e sem que alguém lhes peça contas?
Onde param os processos contra este tipo de gente? Quem os responsabiliza?
Quase trinta e cinco anos de "democracia" têm produzido o que se vê: a perda contínua da credibilidade dos políticos, que passeiam impunemente pelos mandatos delapidando orçamentos e descontrolando as contas públicas para, no final, a grande maioria sair com a vidinha resolvida.
Presentemente, mais de metade da população eleitora não participa nos actos eleitorais. E com razão. Cada vez os eleitos o são com menos votos, pelo que em termos práticos, a legitimidade para governar é cada vez menor. Haverá que repensar o sistema eleitoral e a política em geral. Haverá que auditar todos os mandatos, sejam locais ou nacionais, e responsabilizar os autores de gestões escabrosas. Haverá que, de uma vez por todas, o país mude de rumo e ressuscite valores e conceitos de rigor baseados na seriedade, honestidade e verdadeiro sentido de Estado. Só se conseguirá começando pela base: a Educação, em casa e nas escolas.
Noticiava-se há dias que um pai ou mãe comete crime se der uma palmada num filho. A pedagogia alicerçada no castigo físico ou não, não é, seguramente o caminho a seguir. Mas, classificar de crime uma simples palmada é, no mínimo, querer estupidificar a sociedade.
Há comportamentos e comportamentos. Todos o sabemos. Há os que vão a bem, e há os que nem por isso.
E há os casos dos alunos que batem nos professores, porque se sentem seguros para tal; e há os que ameaçam; os que provocam; os que levantam a voz, e muitos outros.
E é esta a sociedade de amanhã.
O tempo antigo poderia ser de rigidez extrema mas havia uma coisa que hoje não há: respeito. Nos meus tempos de escola jamais um aluno teria a veleidade de desrespeitar um professor e muito menos de o agredir física ou verbalmente. Pois esse respeito é um valor que importa e urge recuperar. A bem ou a mal. Para bem da sociedade.

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