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sexta-feira, outubro 03, 2008

Vamos agora

ao Zé Matos, o de Fermelã.
Uma boa parte do que escrevi no post abaixo, servirá também para tomar como resposta a este seu post.
No entanto, gostaria de acrescentar mais qualquer coisa.
O Zé diz que uma discussão séria sobre o investimento da Câmara em Canelas só deve ser feito com números. Números que nenhum comentador apresentou até agora. E também se faz com comparações, mas comparações realistas.
Pois bem. Números tem-os o Zé nos quadros do post abaixo, pelo que é escusado voltar a trazê-los aqui. Sei que já lá passou os olhos, por isso dispenso ocupar espaço com eles novamente.
Não serão esses os números dos Zés, mas são os da freguesia de Canelas. É evidente que até se podem arranjar outros mas, sejam eles quais forem, apenas se conseguirão com os ditos, provar a evidência do marasmo e da falta de Investimento em obras tidas como PRIORITÁRIAS.
E, entenda, Zé. Tudo o que digo ou escrevo faço-o de sintonia com o que tenho como prioritário para que Canelas não desapareça no tempo. É a minha visão, que assumo como sendo diferente da sua.
O Zé até tem os números das transferências das verbas para Canelas. Estará a falar das verbas destinadas à delegação de competências? Se sim, saberá tão bem quanto eu que, em primeiro lugar, nenhuma freguesia é obrigada a aceitar as ditas, e se o faz, as mesmas serão por força da Lei nº 5-A/2002 (Cf. Artigos 37º e 66º), sustentabilizadas financeiramente pelas Câmaras Municipais.
Mas permita-me dizer-lhe que o que nos separa é a falta de ambição que estranho a quem, como o Zé, tem obrigações e responsabilidades a nível autárquico.
O Zé dá-se como satisfeito por Fermelã receber um pouco mais que Canelas e Veiros. Mas pergunto eu. Que investimento tem sido feito nestas freguesias que as leve a, mesmo que lentamente, a crescer?
Bem, há o saneamento, como diz, a rede de água, as redes viária, a recolha de resíduos, a extensão de saúde... confesso que nesta altura tenho alguma dificuldade em saber qual dos Zés escreveu o post...
Um aparte: no site da CME, Canelas está contemplada com uma cobertura do saneamento de 95%; o Sr. presidente da Câmara fala no JE de hoje em 85%; o Zé refere 80%.... a diferença vai já em 25% e, se calhar ainda está longe da realidade...
Mas continuando, queria perguntar-lhe se os munícipes de Canelas não pagam pelo saneamento, água, recolha de lixo, etc. E, o Zé aponta isso como um sinal extraordinário de quê?
Dito de outra forma: nascemos, estamos vivos, temos um par de sapatos e outro de calças e, pronto, somos felizes assim. É isso? Estaremos privados de querer trabalhar para ter um carro? Ou uma casa? Ou um fato melhor? Ou uma alimentação mais completa?
Quanto às comparações reais, quer melhor e mais séria comparação que a que referi em relação a freguesias homónimas de Canelas? Qualquer uma delas saiu de situações similares ou inferiores - mesmo a de Gaia que no século XIX tinha 1285 almas, como pode ver [aqui].
O pretenso nivelamento pela "miséria" alheia (Frossos, Ribeira de Fráguas, Travassô...) como forma de nos fazer sentir superiores parece-me ridículo. Saber que estou doente mas que devo alegrar-me porque o meu vizinho tem menos saúde que eu, não faz definitivamente parte da minha forma de estar. Há, efectivamente, comparações impossíveis: a das ideias que ambos temos sobre o que deve ser uma boa gestão autárquica.
Dizer que é preciso perceber que Canelas, tal como Fermelã, são uma freguesias pequenas como muitas que há no país, e utilizar essa constatação, resignadamente, como tampão para o crescimento e desenvolvimento destas terras é, no mínimo, denotar um total alheamento da responsabilidade que é exigida a quem se apresenta perante o eleitorado. Será que as freguesias grandes, nasceram já grandes??? Recue-se no tempo e veja-se. Os Dicionários Corográficos estão ao alcance de todos.
A coisa talvez mudásse, como disse recentemente alguém que até lhe está próximo nas lides políticas, se os políticos pensassem primeiro em governar o país e depois neles próprios.
Talvez as ruas de Fermelã, tal como as de Canelas deixassem de estar ladeadas por casas vazias, que são cada vez mais e mais... até que o tempo se encarregue do resto. Nunca me peça para ficar satisfeito com isso, nem me diga que nada há a fazer.

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