Neste Blog continua a escrever-se Português de Portugal.

terça-feira, outubro 21, 2008

O FONTÃO

Tenho-me como capaz de me expressar em bom Português ou, pelo menos, em Português aceitável, o que deveria permitir aos outros compreender, o que digo ou escrevo. Estou certo que a maioria o faz com relativa facilidade, até porque procuro ser claro e objectivo, além de ser fiel aos princípios que entendo por certos. Procuro não fazer do que penso verdades absolutas, nem tão pouco é minha intenção fazer com que outros pensem da mesma maneira, ou tenham a mesma visão.
Mas, como não há regra sem excepção, de vez em quando lá vem o amigo Zé Matos, de cima da sua supra sabedoria, dizer que o que por aqui escrevo ou não é bem assim, ou que os exemplos com que procuro sustentar o que afirmo não servem, etc, etc,.
Bem, julgo que quem por aqui passa compreendeu há muito o que ambos pensamos e, longe de mim a intenção de fazer com que o Zé alinhe pelo que penso, escrevo ou digo. Uma coisa tenho como importante: penso por mim, e não me retraio em dizer o que quer que seja e onde quer que esteja, com moderação e na base do respeito por opiniões divergentes.
Pois bem, desta vez a divergência tem a ver com a zona industrial do Fontão. O Zé pode dizer o que quiser; pode sacudir, ou tentar, a água de cima da Câmara dizendo que não se trata de decisões políticas; pode até querer dar uma lição de geografia; pode dizer que o exemplo não serve; pode mesmo dizer que conhece o sítio como a palma das suas mãos e pode inventar os mais variados factores para justificar a localização da referida zona industrial. O que é certo é que um lugar de uma pequena aldeia lá terá a sua zona industrial e, acredito, em poucos anos, crescerá a olhos vistos. Tal não aconteceria se não houvesse decisão política e vontade de ali investir. Diga-se o que se disser mas, num concelho com 165 Km2 de área, haverá certamente muita área disponível e até mesmo junto à sede do município. Aconteceu ali e o Zé diz que a "culpa" é da geografia. Até pode ser, mas não creio que a geografia crie obras, zonas industriais ou outras. A mim, parece-me que são os homens e, sobretudo, os que podem decidir.
Mas, o que eu pretendia dizer com este post, e que o Zé parece não ter percebido, é que a única forma de desenvolver as pequenas freguesias do concelho - essas que não têm indústria e comércio - é rentabilizar o que têm. E o que essas freguesias têm de valioso é o solo, onde se pode implantar tudo, desde habitações, escolas, fábricas, oficinas, etc.
Mas para isso, terá de haver um planeamento sério e honesto que é o que nunca houve.
Dizer-se que "aquilo a que chamamos “política centralizadora da Câmara”, é no fundo a política normal de qualquer autarquia, que é centralizar os grandes investimentos nas freguesias de maior dimensão ou na sede do concelho, " atira-nos para a mediania.
Quis acreditar que quem se predispõe a mudar alguma coisa - depois de passar anos e anos a maldizer as políticas seguidas por outrem - tivesse a coragem de ser diferente e de mudar mesmo mas, cada vez mais, reconheço que a política se transformou num jogo de mentiras onde se refugiam os medíocres.
Deveria espantar-me o facto de gente com responsabilidade na política local estar permanentemente a dar cobertura ao desinvestimento nas freguesias mais pequenas, posicionando-se numa clara submissão às directivas partidárias ou camarárias mas, nesta altura, já o tenho como normal. Mas daí me distancio, com alguma satisfação.
Queira o Zé alegrar-se com o que julga serem exemplos infelizes; outros se alegrarão por terem as obras consigo. E essa é que é a realidade!

2 comentários:

Falcão Peregrino disse...

Com a sua clareza habitual, nada mais certo do que o que escreve nos três últimos parágrafos. A política é também cada vez mais claramente a porca de que falava o outro. E à sombra da qual se deitam (e bem comodamente) muitos medíocres. Até um dia...

Anónimo disse...

Olá Camilo

Foste tu que deste o exemplo, não fui eu. O problema da tua argumentação é que deste o exemplo do Fontão como um bom exemplo de uma política descentralizadora da Câmara de Vagos, quando a decisão de lá instalar a zona empresarial nada tem a ver com isso, como eu já expliquei. Vagos em termos de política centralizadora pratica exactamente a mesma política que Estarreja, Aveiro e tantos outros casos.

Se olhares para Vagos onde é que são feitos os grandes investimentos?? Na própria vila como é óbvio. O concelho de Vagos tem 11 freguesias e os grandes investimentos são feitos nas maiores. Portanto, a política é exactamente a mesma, que em Estarreja.

Portanto, a história do parque em Fontão acaba por ser uma exepção e não um exemplo de qualquer política descentralizadora.

Um abraço